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sábado, 21 de abril de 2018

RELIGIOSA PORTUGUESA - Irmã Myri afirma que ataque com armas químicas “foi história inventada”


A religiosa vive num mosteiro em Qara


Uma “história inventada” e mais “uma desculpa para poderem atacar”. Foi assim que a Irmã Myri, uma jovem portuguesa que pertence à Congregação das Monjas da Unidade de Antioquia e que vive no Mosteiro de São Tiago Mutilado, em Qara, se referiu, em mensagem enviada para a Fundação AIS, ao ataque com armas químicas que alegadamente o regime de Bashar al-Assad teria realizado em Douma, no dia 7 de Abril, e que justificou a resposta militar conjunta na madrugada deste sábado pelos Estados Unidos, França e Reino Unido.

Maria de Lúcia Ferreira – o nome de baptismo da religiosa portuguesa que vai fazer 38 anos em Maio e é proveniente da paróquia do Milharado, Patriarcado de Lisboa – é peremptória na sua afirmação. “Não houve nenhum eco de armas químicas aqui no país. Não se ouviu dizer nada. Se tivesse havido algum massacre com armas químicas seguramente que teria havido alguém da parte do exército ou das famílias ou dos refugiados que saíram de Douma, e que são milhares… Mas não houve eco nenhum no país da utilização de armas químicas. É pois, para a população, mais uma história inventada, mais uma desculpa para poderem atacar.”
A Irmã Myri descreveu como a população local – Qara fica situada relativamente perto da fronteira com o Líbano e a cerca de 90 quilómetros de Damasco – viveu o anunciado bombardeamento lançado por Washington, Londres e Paris como fazendo parte já, de certa forma, de uma rotina.
“As pessoas aqui habituaram-se à guerra… Uma pessoa estando no local não pode fazer outra coisa do que confiar-se em Deus e ficar.”
No entanto, garante que “houve quem tomasse precauções”. E dá um exemplo das cautelas tomadas pelo governo francês na protecção dos seus cidadãos, no caso particular de um grupo de jovens franceses em missão de voluntariado precisamente no Mosteiro de Qara.
“Os jovens do ‘SOS Chrétiens de L’Orient’ – uma organização caritativa francesa – estavam por acaso cá no mosteiro e receberam ordens de Paris para se irem refugiar noutro sítio mais seguro…”
Também as próprias irmãs chegaram a pensar na possibilidade de terem de se refugiar nas grutas existentes no Mosteiro de São Tiago Mutilado, que tem a aparência de um quase castelo, mas acabaram por não alterar as suas rotinas.
Na mensagem enviada para Lisboa, a Irmã Myri refere ainda que, para a população local, o ataque dos países aliados foi “um cenário”, mostrando uma certa perplexidade pelo que se passou.
“Ninguém compreende muito bem o que se passou. Tem ar de ser um cenário pois não houve vítimas nenhumas, apenas alguns feridos. Poucos. E sobretudo, dos cerca de 100 (mísseis) que caíram, setenta foram interceptados pelos sistemas de defesa sírios, que nem sequer são os recentes que a Rússia trouxe para cá. São ainda os antigos.”
Para a Irmã Myri, no entanto, e apesar da sua perplexidade pelo impacto tão incipiente que o ataque dos três países provocou, tratou-se de uma agressão indesculpável. “Sem dúvida que foi um ataque à soberania do país e isso é algo de muito grave e esperemos que não vá haver nenhuma escalada de violência…”
(Paulo Aido/Departamento de Informação da Fundação AIS)


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