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terça-feira, 3 de abril de 2018

ESPECIAL - HISTORIA DOS NATIVOS NORTE AMERICANOS E O SEU GENOCÍDIO

OS INDÍGENAS NORTE-AMERICANOS

Eles se saudavam dizendo “hog”, não “augh”; não arrancavam escalpes, não eram vermelhos. 

Quem são, principais povos nativos dos Estados Unidos, história, guerras indígenas, nomes de tribos, curiosidades, características, cultura



Quem são

Os índios norte-americanos são os povos nativos da América do Norte que vivem na região há muitos séculos. Atualmente existem poucos nativos e raras tribos mantenedoras da cultura original.

História

Os povos nativos da América do Norte ocupavam grande parte do território antes da chegada dos europeus (séculos XVII). Com o início da colonização da América do Norte pelos ingleses, franceses e espanhóis, estas tribos foram, aos poucos, perdendo suas terras e identidade cultural. Atualmente, os poucos descendentes destes povos vivem em reservas indígenas estabelecidas,pelo governo dos EUA, a partir do século XX.

Características principais dos índios norte-americanos

Os povos nativos dos Estados Unidos possuíam alguns aspectos culturais, religiosos e políticos comuns entre si. Porém, cada povo possuía sua identidade cultural própria.

Algumas características culturais comuns:

- Viviam em habitações semelhantes a tendas, confeccionadas com peles de animais e galhos de árvores.

- Viviam da agricultura, caça (principalmente de bisão americano) e pesca.

- Os povos eram divididos em tribos. As tribos possuíam uma subdivisão que eram os clãs (famílias).

- A maioria dos povos indígenas americanos possuíam crenças religiosas, embora não estivessem organizadas em religiões. Acreditavam, principalmente, na existência de um criador de tudo, chamado por eles de o “Grande Espírito”. Cada tribo possuía um índio, geralmente mais velho, responsável por rituais de cura e transmissão das tradições.

- Consideravam a terra e os elementos da natureza como sendo sagrados.

Guerras Indígenas (a conquista do oeste)

No século XIX se intensificou a conquista do oeste do território dos EUA por parte dos colonos americanos. Estes buscavam territórios para fundar cidades, praticar a agricultura e explorar minas de ouro e riquezas naturais (principalmente madeira).

Neste processo, ocorreram guerras entre estes colonos e os povos indígenas que habitavam a região. Esta conquista foi sangrenta, pois os colonos, organizados em exércitos, utilizaram armas de fogo. Já os nativos americanos combateram, principalmente, com arcos e flechas e lanças de madeira.

As maiores batalhas de colonos americanos contra nativos ocorreram na segunda metade do século XIX. Em 1868, ocorreu a sangrenta batalha de Washita entre colonos americanos e índios cheyennes. Outro conflito militar de grande importância ocorreu em 1890 entre o povo Sioux e os conquistadores americanos.

No começo do século XX, grande parte do território central e oeste dos Estados Unidos tinha sido conquistado pelos colonos americanos. Os poucos índios que sobreviveram às guerras ficaram confinados em pequenos territórios.

Principais povos indígenas que habitavam os Estados Unidos:

- Sioux (região norte dos EUA)
- Cheyenne (região centro-sul)
- Apache (região sul)
- Creek (região sudeste)
- Kaw (região central)
- Arapaho (região central)
- Comanche (região sul)
- Cherokee (costa leste)
- Navaho (região sudoeste)

Curiosidades:

- Os índios americanos possuíam nomes que simbolizavam características físicas ou de personalidade. Muitos destes nomes eram marcados pela presença de nomes de animais e aspectos da natureza. Exemplos de nomes de líderes guerreiros indígenas americanos: Touro Sentado, Nuvem Vermelha e Cavalo Louco.

- Muitos povos indígenas americanos usavam a fumaça das fogueiras como sistema de comunicação entre as tribos.

- Os filmes de bang-bang, também conhecidos como westerns, retratam muito bem este momento da história dos Estados Unidos, mostrando o conflito entre índios e colonos americanos.

Apaches

Índios apaches, onde vivem atualmente, cultura, como vivem, língua, resumo, história


Quem são

Os apaches são índios (povos nativos) norte-americanos que vivem atualmente em reservas indígenas, principalmente, no estado norte-americano do Arizona.

História

Antes da colonização europeia na América do Norte, os apaches ocupavam extensas áreas da região sudoeste dos Estados Unidos. Eles povoaram a região a partir do século IX.

As guerras com os “homens brancos” europeus, que buscavam tomar as terras indígenas, provocou a drástica diminuição dos apaches, principalmente a partir do século XVIII.

Como vivem os índios apaches

Os apaches vivem atualmente em reservas indígenas e praticam a agricultura, pesca e caça. Eles ainda mantem vários aspectos originais de sua cultura, como, por exemplo, a língua apache.

Curiosidades:

- No passado, os apaches eram considerados um dos povos mais guerreiros entre todos os indígenas norte-americanos.

- Um dos principais líderes apaches da história foi Gerônimo. Ele liderou um movimento contrário a imposição (por parte do governo norte-americano) de terras de reservas indígenas aos apaches. Gerônimo viveu entre 1829 e 1909.


Quais foram as tribos mais poderosas dos EUA?

Listamos algumas tribos de respeito



 (Divulgação/Wikimedia Commons)
Ao longo da história americana, sobretudo no século 19, à época do Velho Oeste, os valentes povos sioux e apache se destacaram pela resistência à invasão dos europeus. Porém, é praticamente impossível estabelecer, de fato, quais tribos foram “as” mais importantes. “Dentre centenas de tribos que habitavam a América do Norte na época da colonização, listar apenas algumas sempre gera discordâncias”, explica Colin Calloway, historiador especialista em nativos americanos do Darthmouth College, nos EUA.
Mesmo fazendo a ressalva, o estudioso nos ajudou a montar uma linha de frente com os povos que deixaram sua marca nos EUA, enquanto sua terra natal ia sendo violentamente demarcada – atualmente, essas tribos vivem em reservas que nem de longe correspondem ao território que ocupavam originalmente.
GUERREIROS BONS DE BRIGA
Os povos mais importantes na desigual luta dos indígenas americanos contra a invasão dos colonizadores brancos
APACHE
Ao lado dos sioux, os apaches foram os que resistiram à dominação dos colonizadores por mais tempo. Dividiam-se em várias tribos pequenas e nômades, não passando muito tempo no mesmo local. Só se renderam mesmo quando 5 mil soldados dos EUA cercaram o grupo de 50 guerreiros comandados por Gerônimo
COMANCHE
Os corajosos caçadores de búfalos não combateram apenas os EUA, chegando a travar brigas feias com espanhóis e com os apaches. Adquiriram cavalos dos desafetos espanhóis e desenvolveram técnicas de combate a galope para atacar os inimigos
CREEK
Foi a primeira tribo “civilizada” pelos esforços de George Washington – primeiro presidente dos EUA. Os creeks mantinham comércio intenso com os britânicos e travaram longas guerras para proteger o território contra os invasores
NAVAJO
Exímios caçadores, também combateram os invasores espanhóis e americanos com arcos e flechas. Com 220 mil integrantes, os navajos são hoje a segunda nação indígena mais populosa dos EUA, controlando a maior reserva do país, com o tamanho da Irlanda
PUEBLO
O povo pueblo era bastante hábil no uso do barro, utilizado na construção de vasos e habitações. Suportaram a colonização de espanhóis, mexicanos e americanos, sendo uma das poucas tribos que continuam ocupando as áreas povoadas originalmente
CHEROKEE
Maior população indígena dos EUA hoje, com quase 310 mil membros, a nação cherokee acabou incorporando muitos costumes dos colonizadores europeus. Por causa disso, eram conhecidos à época como uma das “Cinco Tribos Civilizadas”
IROQUOIS
Formavam uma confederação de seis nações indígenas, vivendo democraticamente sob um mesmo governo. Mais tarde, Benjamin Franklin se inspirou no modelo da nação iroquois para elaborar a Constituição dos EUA
CHOCTAW
Também fazia parte das “Cinco Tribos Civilizadas”, ao lado de cherokees e creeks, citados em nossa lista, e dos povos chickasaw e seminole. Tiveram suas terras desapropriadas para o cultivo de algodão e para habitação dos escravos empregados na lavoura
SIOUX
Formada por índios dakotas, entre outros povos, a grande nação sioux – que significa homens-búfalo – foi a mais aguerrida na defesa de seu território. Como na famosa batalha de Little Bighorn, em 1876, quando, sob o comando do chefe Touro Sentado, liquidaram a 7ª Cavalaria do general Custer
BLACKFOOT
Os mocassins com sola preta que calçavam lhes renderam o apelido de blackfeet – “pés pretos”, em inglês. Se valiam de uma agressiva cavalaria, equipada com armas de fogo, para dominar tribos vizinhas e tocar o terror contra os invasores de pele branca
CHIPPEWA
Viver à beira dos Grandes Lagos especializou a tribo na pescaria, mas não diminuiu seu poder de fogo. Lutaram ao lado de franceses contra outros indígenas e deram uma força aos ingleses que batalhavam contra a ex-colônia que já se chamava Estados Unidos
MANDAN
Mais pacíficos, se dedicavam à agricultura. Não à toa, suas vilas tornaram-se grandes centros para comércio de artigos hortifrútis. Como várias tribos, sofreram com epidemias de varíola que dizimaram grande parte da população no século 19

O assassinato em massa dos povos indígenas americanos


O genocídio dos povos indígenas dos Estados Unidos - Parte I

Como de costume, no dia 27 de Janeiro de cada ano é celebrado o Dia da Memória para comemorar os
judeus deportados e mortos pelo regime nazista.

Facto curioso: é o único "Dia da Memória", apesar dos não poucos exemplos de genocídio ao longo da História. Os meios de comunicação realçam pontualmente o martírio do povo judeu, acusando de anti-semitismo e racismo qualquer pessoa que simplesmente coloque não dúvidas mas perguntas, por exemplo acerca da legitimidade das acções de israel ou da ideologia sionista.

Pelo contrário, outros e mais extensos genocídios foram completamente removidos da consciência comum, ou, pior ainda, justificados de várias maneiras. Para tamanho e método de execução, não é minimamente possível comparar o genocídio dos judeus com aquele dos nativos americanos: apesar das dificuldades em obter números certos, não há dúvidas que desde a chegada dos primeiros europeus até o final do séc. XIX, 50 milhões de nativos morreram por causa das guerras, perda do ambiente onde viviam, mudanças no estilo de vida, doenças. Mas outros estudos apontam para 100 ou até 114 milhões de vítimas.

De acordo com o estudioso David Carrasco, em 1500 cerca de 80 milhões de pessoas ocupavam o Novo Mundo: em 1550 apenas 10 milhões de indígenas ainda sobreviviam. No México, havia cerca de 25 milhões de pessoas em 1500 enquanto em 1600 não sobravam mais de que um milhão de indivíduos.

Particularmente trágico foi o destino dos nativos da América do Norte: aqui morreram menos indígenas em termos absolutos, mas o impacto foi de longe mais devastador dado que o total inicial de nativos era bem mais reduzido. Em 1890 não sobravam mais de 250.000 indivíduos, 80 % (cerca de 1 milhão) da população original foi simplesmente exterminado.

"Dia da Memória" também para os nativos americanos? 



O genocídio dos nativos que povoavam a América do Norte (e que são normalmente conhecidos como índios), como vimos, começou alguns anos após a descoberta do Continente e terminou no limiar da Primeira Guerra Mundial, desenvolvido ao longo dum amplo período de tempo e dificilmente definível.

Os meios do genocídio têm sido vários: do massacre de inteiras comunidades por parte de exércitos regulares ou mercenários até a propagação intencional de doenças endémicas como a varíola. Lembramos as palavras do general britânico Jeffrey Amherst durante a revolta de Pontiac em 1763:

Fazem bem a tentar contaminar os índios por meio de cobertores em que dormiram doentes de varíola ou por quaisquer outros meios para exterminar esta raça abominável
Entre os outros métodos de genocídio havia também:
  • destruição do habitat
  • caça intensiva ao bisonte, fonte de sustento dos nativos
  • escravização e extermínio através do trabalho
  • massacres voluntários
  • provocar confrontos entre tribos e grupos étnicos
  • incendiar intencionalmente os frutos da terra
  • transmitir de forma involuntária novas doenças (contra as quais os nativos não tinham anticorpos)
  • libertação deliberada de varíola como arma biológica (além dos já citados cobertores, também oferta de comida contaminada)
  • esterilização forçada
  • actos voluntários de provocação e sacrilégio contra membros duma tribo para desencadear uma reacção violenta
  • guerra aberta, com o uso de tecnologias modernas, tais como metralhadoras
  • assassinatos secletivos de líderes carismáticos
  • assassinatos deliberados de crianças indígenas capturadas
  • propagação deliberada de alcoolismo entre os nativos
  • transferências com marchas forçadas em péssimas condições climatéricas e higiénicas
Muitos foram também os índios que morreram em guerras entre potências europeias que ocuparam o solo americano (Espanha, Império Britânico, França) e, posteriormente, durante a guerra de independência das colónias americanas. Nestes casos, os índios que tinham escolhido servir o lado perdedor (e, infelizmente, a maioria fez essa escolha como no caso dos Franceses ou permanecendo leais ao Império Britânico) sofriam as consequências.

Os colonos não perdiam nenhuma oportunidade para provocar os índios para que estes cometessem actos violentos, atraindo-os para brigas, violando os seus territórios de caça, exterminando o bisonte, vendendo-lhes álcool. Os povos indígenas destas terras tinha uma longa tradição guerreira e uma psicologia baseada no sentido de comunidade, portanto um mal feito a um membro duma tribo era para eles um acto contra a comunidade toda e desencadeava a reacção índia contra o "inimigo branco" (e essas reacções violentas contra os colonos eram na verdade muito mais perniciosas para os índios).
Outro pretexto que foi utilizado contra os índios foi acusá-los de "tradicionalismo irracional", isso é, a hostilidade deles em recusar submeter-se a costumes e tradições que não lhes pertenciam e reivindicar direitos sobre enormes porções de terra (que, de facto, sempre lhes tinham pertencido).

A tudo isso era adicionada a ideia de que a história humana é feita de choques de civilizações e, portanto, uma sociedade mais "avançada" e mais poderosa tem o direito legal de utilizar qualquer meio contra culturas mais "fracas"; assim os índios, considerados inferiores aos anglo-saxónicos, não tinham o direito de impedir o desenvolvimento do futuro Estado americano.

Outro aspecto que pesa sobre a questão do genocídio na América do Norte é que os índios, ao contrário de outros casos semelhantes, não abdicaram passivamente dos direitos deles mas reagiram enfrentando corajosamente a violência dos colonizadores com continuas tentativas de libertação, compensando com astúcia e habilidade a enorme diferença de forças no campo, conseguindo não poucas vezes derrotar os adversários.

Como muitas vezes acontece, infelizmente, aqueles que reagem à violência com violência são vítimas do hipócrita pensamento pacifista, pelo que não é raro ver os nativos americanos no papel de "maus", de guerreiros sanguinários; e "normal" e "justificada" parece a reacção dos colonialistas. Até poucas décadas atrás, Hollywood alimentava este quadro com produções historicamente absurdas nas quais os índios eram invariavelmente os maus da fita.


Porquê

Nos presentes dias deveria ser analisada a razão pela qual um evento tão trágico (e bem pior de outros "holocaustos") recebe muito pouca atenção por parte das supostas "mentes abertas" da civilização moderna. E isso apesar dos índios ainda representarem uma das faixas mais desfavorecida da população dos Estados Unidos.

O rendimento médio semanal duma família indígena é de 30 Dólares (média nacional: 130 Dólares); a expectativa de vida é de 42 anos (média nacional: 67 anos); uma taxa de suicídio e de mortalidade infantil respectivamente 5 e 10 vezes a média nacional; 45% dos habitantes das reservas estão desempregados e 42% deles são analfabetos.

Ao mesmo tempo, os territórios das reservas são ricos em matérias-primas: 80% do urânio, 40% do petróleo, 75% do carvão extraídos em todos os EUA vêm das reservas, mas a exploração desses recursos é a prerrogativa de vinte grandes empresas, enquanto aos índios são reservadas apenas pequenas comissões.

Para aqueles que procuram uma fuga das reservas, a situação não melhora: tristes realidades dispersas na degradação urbana, poucos recebem ofertas para um emprego estável, a maioria vive marginalizada e desprezada, os descendentes das antigas tribos tornam-se alvo de drogas, alcoolismo e criminalidade.

Ou um nasce inteligente ou não há nada para fazer











Não é possível não realçar o enorme contraste com a comunidade judaica, cujos membros têm agora
importantes posições institucionais em muitos órgãos políticos e económicos, tanto ao nível nacional quanto naquele internacional; são donos de bancos, corporações, multinacionais, rádio, jornais e televisão.

Se compararmos a área-símbolo da comunidade judaica internacional, ou seja o Estado de israel, com as pobres e exploradas reservas indígenas, o contraste é impressionante.

E aqui pode ser encontrada a razão do esquecimento geral, pois tudo pode ser reconduzido a um mero cálculo económico e geopolítico por parte das potências imperialistas: lembrar o genocídio dos índios em nada favorece nem gera lucros, enquanto o genocídio judeu é útil para tais fins.

Todas estas razões são necessárias não apenas para entender o porquê do genocídio dos nativos americanos ficar "atrás" em relação a outros; mas também para entender que o holocausto dos indígenas da América do Norte ainda não acabou.

O genocídio dos povos indígenas dos Estados Unidos - Parte II

Eis a segunda parte da série dedicada ao genocídio dos povos indígenas dos Estados Unidos.
A conquista do solo da América do Norte pode ser dividida em cinco fases principais.

A primeira fase: 1512 - 1689

Iroqueses
A primeira fase (1512-1689) é caracterizada por empresas isoladas de vários pioneiros (normalmente espanhóis, ingleses, holandeses e franceses), muitos dos quais eram pessoas que tinham escolhido este caminho para evitar as prisões da Europa. No início, os nativos recebiam bem os recém-chegados, mas em breve, perante os evidentes objectivos hegemónicos mostrados, assumiram uma posição mais dura que depois teria alcançado a verdadeira resistência.

Iroqueses

O episódio que mais caracterizou esta primeira fase de resistência foi a tentativa de invasão francesa contra os Iroqueses. Na altura, este povo constituía o nível mais avançado entre os nativos da América do Norte e formavam a "Liga da Longa Casa", com um sistema jurídico bastante evoluído, que incluía cinco tribos (por esta razão é também conhecida como "Liga das Cinco Nações"): Mohawk, Oneida, Onondaga, Cayuga e Seneca, estes últimos mais numerosos e mais agressivos.


Deve-se dizer que, no geral, os relacionamentos dos nativos com os Franceses foi relativamente bom (especialmente com as tribos dos Algonquian, inimigos históricos do Iroqueses). Isso porque os interesses dos Franceses estavam mais voltados para o comercio e menos para a aquisição de terras. Mesmo assim, os chefes Iroqueses desconfiavam e no início da resistência podiam contar com 12.000 indivíduos, dos quais cerca de 1.200 guerreiros. As primeiras acções foram dirigidas contra tribos vizinhas, amigas dos Franceses, na maioria Hurões, que foram batidos; em seguida, os guerreiros da Liga dirigiram os seus ataques contra os Erie, também vencidos e cujos guerreiros foram engrossar as fileiras da Liga.

A verdadeira guerra contra os Europeus começou em 1652, quando um índio dos Seneca foi preso e queimado vivo pelos Franceses em Trois-Rivieres. Sedentos de vingança, 600 guerreiros Iroqueses devastaram a cidade. Em 1660, um exército de 1.200 Iroqueses liderado por Aharihon tentou assaltar Quebec, mas encontrou forte resistência que os obrigou a limitar-se a manter a cidade sob cerco durante um ano. Após a chegada de três novos comandantes, Talon, Tracy e Courcelles, os Franceses contra-atacaram com relativo sucesso, sem nunca quebrar a resistência inimiga, que utilizava uma técnica composta de constantes ataques seguidos de rápidos recuos.

Em 1684 os Britânicos construíram uma aliança com o Iroqueses, fornecendo-lhes armas em quantidade. Apesar de terem sido iniciados esforços de paz, o novo Governador Denonville convidou 60 índios para um banquete sob o pretexto de negociar, acabando por enviar todos para a França como escravos. O índios nunca chegaram ao destino: todos morreram durante a viagem devido a um surto de doença no navio. As negociações de paz ficaram como assunto arrumado e os Iroqueses planearam a vingança. No dia 05 de Agosto de 1689 destruíram a aldeia de Lachine, matando ou capturando todos os habitantes. No mesmo ano eclodiu a guerra entre Grã-Bretanha e França, pelo que Paris decidiu ignorar o destino dos índios.

Pequot

Pequot
Enquanto isso acontecia no norte do continente, no sul, nos mesmos anos, os Ingleses da Virgínia mantinham relacionamentos razoavelmente pacíficos com os nativos. Mas isso não durou muito.

Depois de alguns incidentes de baixo nível (alguns índios roubaram porcos na sequência da falta de pagamento dos colonos e estes assassinaram alguns indígenas como retaliação), eclodiu aquela que é conhecida como "Revolta de Bacon". Os colonos mataram seis líderes das tribos dos Susquehanna, desencadeando a reacção destes.

Contra a linha pacificadora escolhida pelo Governador da Virgínia, um colono recém-desembarcado, Nathaniel Bacon, que não reconhecia quaisquer direitos aos nativos, conduziu 440 mercenários contra uma aldeia índia perto de Richmond, matando 150 pessoas sem distinção de idade ou sexo. Em seguida, continuou da mesma forma até morrer por causa da malária. Todavia, antes de desaparecer da cena, a sua ação devastadora custou a quase aniquilação das tribos locais, que nunca recuperaram totalmente.

Os piores episódios que caracterizaram esta fase da guerra foram caracterizados pela presença de pregadores religiosos, que constituíam uma componente devastadora para os povos nativos. A Nova Inglaterra caiu de facto nas mãos dos Puritanos, que se consideravam "povo escolhido"(escolhido por Deus, obviamente) para criar naqueles lugares uma nova civilização depois de tê-los libertados dos "pele-vermelha filhos de Satanás". A utilização da religião para justificar os massacres será uma constante na história da conquista da América, tanto no continente do norte quanto naquele do sul. Claro que é preciso dizer que nem todos os religiosos que chegaram à América tinham esta mesma mentalidade. Muitos eram indivíduos sinceros, movidos por nobres sentimentos e não poucas vezes ficaram ao lado dos índios, pagando com a vida tal escolha: os colonos eram fanáticos que tinham travessado o oceano à procura de novas terras e não estavam dispostos a reconhecer os direitos de quem já aí morava ou de quem estes defendia.

Nesta altura, um dos piores episódios teve lugar contra a tribo Pequot, guerreiros que tinham aprendido como a presença britânica nada de bom trazia. Alguns incidentes entre Pequot e marinheiros-caçadores britânicos foram o pretexto para desencadear uma repressão brutal. Depois de ter queimado algumas aldeias e as relativas culturas, a expedição punitiva composta por 90 soldados regulares e 70 mercenários índios (Mohegan do chefe Uncas e guerreiros Narraganset) atacou de surpresa a aldeia Pequot no Mystic River. Era o dia 26 de Maio de 1637 e passou para a história como um dos dias mais negros na luta contra os colonialistas. Depois de entrar na aldeia e disparar contra os habitantes, os atacantes queimaram todas as habitações e quem tentava escapar era imediatamente abatido.

Naquele dia morreram 600 Pequot de todas as idades e sexo. Os sobreviventes começaram uma terrível fuga, perseguidos pelos britânicos. Aqueles que não conseguiram escapar eram mortos; isso sem considerar as 80 entre mulheres e crianças que foram feitas escravas. Os últimos sobreviventes fugiram para um pântano perto de Fairfield, foram cercados e derrotados depois duma breve e furiosa batalha. Dos 200 que se renderam logo foram perdidos os vestígios. A pequena nação Pequot tinha sido completamente extinta.

Incidentes semelhantes também envolveram os Holandeses que se instalaram nas proximidades das áreas que hoje são conhecidas como Maine e Connecticut, sob a liderança do Governador Willem Kieft. A "campanha" holandesa contra os índios durou desde 1640 até 1645 e custou a vida a mais de mil índios (sem contar os nativos capturados e utilizados como escravos). 

Wampanoag

Wampanoag
Mas nem nos territórios britânicos os nativos abdicavam da luta. E foi um acto de resistência a marcar o início da segunda maior guerra indiana da época.

Chefe da facção indiana era Metacomet, pertencente à tribo de Wampanoag: com mais de 30.000 estrangeiros já presentes no território do povo, a situação era delicada. A confirmação veio quando os colonos alcançaram a cima no monte Hope, local de nascimento de Metacomet: diante do abate não autorizado de alguns animais por parte dos nativos, os colonos responderam com assassinatos que desencadearam a guerra.

No comando britânico havia Benjamin Church; perante um adversário que lançava ataques contra as aldeias inglesas (mais de vinte no Verão de 1675), Church mobilizou a milícia dos colonos, cerca de 1.000 unidades incluindo alguns piratas nas Antilhas, com o direito de saquear. Os Britânicos fizeram pressão sobre a tribo Narraganset, tentando forçá-la a participar na repressão, mas estes recusaram; o que foi um erro, pois no dia 19 de Dezembro de 1675  um total de 970 milicianos liderados pelo general Winslow atacaram os Narraganset, massacrando 600 nativos. Os sobreviventes, como de costume, foram capturados e utilizados como escravos.

Os poucos que tinham conseguido fugir do massacre juntaram-se à revolta de Metacomet e a reacção foi imediata: das 90 localidades do New England, 50 foram atacadas e 20 totalmente destruídas. A colónia ficou perto da aniquilação. Ironicamente, no entanto, o golpe que tornou vã a resistência chegou duma outra tribo de nativos. Enquanto Metacomet reunia mais de 500 novos guerreiros, os Mohawks foram convencidos pelo Governador de New York a defender os colonos. A ofensiva dos Mohawk obrigou os seguidores de Metacomet a dispersar-se e esta foi a altura em que os Britânicos retomaram também a ofensiva. As tribos aliadas de Metacomet, os Nipmuc e os sobreviventes dos Narraganset, abandonaram a luta, deixando o chefe índio apenas com os seus guerreiros Wampanoag.

No curso dos seguintes confrontos, nos quais os Britânicos mataram cerca de 500 índios, Church conseguiu cercar a tribo de Metacomet perto do monte Hope. Em 12 de Agosto de 1676 houve a batalha final: cercado por poucos sobreviventes, Metacomet foi abatido. Church, observando o cadáver do inimigo, afirmou: "Uma triste, grande, nua e suja besta" (a doleful, great, naked, dirty beast). Depois fez desmembrar o que sobrava do chefe indiano e as peças foram penduradas em vários locais do New England. A esposa e o filho de Metacomet foram vendidos como escravos em Bermuda. A guerra tinha custado a morte de cerca de 3.000 nativos.

O genocídio dos povos indígenas dos Estados Unidos - Parte III

Cherokee, 1836
A segunda fase do genocídio pode ser individuada entre os anos de 1689 e de 1763: corresponde a uma fase que viu as guerras entre as potências europeias, empenhadas na tentativa de ocupar as terras do Novo Mundo.

Não poucas vezes estes choques eram a extensão das guerras travadas na Europa, mas interessaram os índios porque nas terras da América do Norte os nativos foram chamados por duas razões:

  1. ultrapassar a falta de eficácia dos exércitos regulares (os índios tinham um melhor conhecimento do território)
  2. aumentar o número de efectivos
Nesta fase as potências colonizadoras exploraram os antagonismos já presentes entre as várias tribos indígenas, muitas vezes levando os nativos para verdadeiras guerras que custaram milhares de mortes. Foi desta forma que inteiras nações indígenas foram dizimadas: é o caso dos Abenaki, que lutaram ao lado dos franceses, dos Choktaw (ainda ao lado dos franceses) e dos Chickasaw (aliados dos ingleses). Para ter uma ideia desse envolvimento, são emblemáticas das palavras do general britânico James Wolfe, após a derrota francesa no Quebec (1759) que declarou:
Os Iroqueses têm conquistado um império pela coroa britânica
Significativa também a derrota do general britânico Edward Braddock no rio Monongahela, em 1755, tornada possível pela fundamental presença dos índios que lutaram ao lado dos franceses.

O final desta fase na prática coincide com o abandono da França da cena americana. É um ponto de viragem que os nativos irão pagar caro: a partir daqui ingleses antes e estadounidense depois terão como objectivo a ocupação de mais e mais terras, aquelas mesmas terras que sempre tinham sido ocupadas pelas várias tribos índia.

Todavia, ao rever os acontecimentos que caracterizaram a conquista do território americano nesta fase, não podemos pensar que as tentativas de ocupação já experimentadas na primeira fase tivessem parado. Apesar das guerras entre europeus empenharem os exércitos (regulares ou milicianos), continuava a chegada dos colonos e a procura para novas terras. Foi neste contexto que se deu a Guerra Cherokee, conhecida também como Cherokee Uprising.


A revolta dos Cherokee

Esta nação indiana do território norte-americano do sudeste era poderosa e os britânicos, inicialmente, procuraram uma aliança através da assinatura dum tratado em 1645. Mas, mais tarde, um episódio aparentemente secundário marcou o fim do acordo.

Em 1751, alguns Cherokee tinham roubado uns cavalos para substituir aqueles perdidos durante os confrontos com a tribo dos Shawnee (contra os quais tinham combatido por estes serem aliados dos franceses). Em reação, a milícia da Virgínia atacou e matou um grupo de Cherokee pacíficos, o que desencadeou uma nova reação, desta vez por parte dos nativos (o que provocou 10 mortos entre os colonos). Este último facto determinou o verdadeiro início das hostilidades.

Jeffery Amherst
O comandante inglês Jeffery Amherst enviou um exército de 1.700 homens e atacou os Cherokee. Durante o ataque inicial, os britânicos destruíram quatro aldeias indígenas, matando todos os habitantes. Perante a recusa dos índios a render-se, os militares continuaram a avançar até serem travados perto da aldeia indígena de Etchoe, que conseguiram conquistar somente depois de sofrer pesadas perdas.

Mas a guerra ainda não tinha acabado. Em 1761, Amherst, que agora tinha a disposição um maior número de homens (a guerra contra a França tinha acabado), rejeitou qualquer proposta de paz do chefe Attakullakulla e formou um exército de 2.800 homens que penetraram nas terras dos Cherokees.

Apesar da feroz defesa, os nativos foram forçados a recuar nas montanhas mais altas enquanto os britânicos devastavam as aldeias (um total de 15) e, sobretudo, destruíram todas as formas de cultivo. O Cherokee foram assim atingidos por uma carestia e morreram em massa: os poucos sobreviventes tiveram de pedir uma paz que custou milhões de milhas quadradas de território.

Foi durante as operações contra os nativos que apareceu a guerra biológica: a sugestão tinha sido avançada pelo próprio Amherst em cartas ao coronel Henry Bouquet. Amherst, tendo aprendido que a varíola tinha quebrado as forças das guarnição de Fort Pitt, Venango, Le Boeuf e Presqu ' Isle, escreveu ao coronel Bouquet:

Não seria possível enviar a varíola entre as tribos descontentes de índios? Devemos, nesta ocasião, usar todos os estratagemas ao nosso alcance para reduzi-los.
Bouquet, que já se encontrava em marcha para atacar os nativos, concordou com a sugestão num pós-escrito alguns dias mais tarde (13 de Julho de 1763):
P. S. Vou tentar inocular os índios por meio de cobertores que podem cair nas mãos deles, tendo o cuidado, contudo, de não transmitir a doença para nós. Como é pena opor bons homens contra eles, gostaria que pudéssemos fazer uso do método do espanhol e caçá-los. Com a ajuda dos Rangers e de alguns homens da Cavaleira Ligeira, acho que efectivamente podemos extirpar aqueles vermes.
Em resposta, também num pós-escrito, Amherst:
P. S. Você faz bem a tentar inocular os índios por meio de cobertores, bem como experimentar todos os outros métodos que podem servir para extirpar essa raça abominável.
Com a rendição dos Cherokee acaba a segunda fase do genocídio dos nativos americanos. E até parece um fim positivo: apesar das perdas sofridas, o quadro geral apresenta-se como positivo aos olhos dos índios: os franceses abandonaram e o soberano do Reino Unido declara os montes Allegheny (parte da cadeia dos Apalaches) e o rio Ohio quais fronteiras perpétuas entre os colonos e os nativos.

Na verdade, este era apenas o começo da última e mais feroz parte do genocídio.

O genocídio dos povos indígenas dos Estados Unidos - Parte IV

A terceira fase do genocídio dos índios da América do Norte (entre 1763 e 1840), aconteceu após o
desaparecimento dos Franceses do território dos actuais Estados Unidos e viu a expansão das colónias britânicas.

Como vimos, o Rei britânico tinha declarado a cadeia dos montes Allegheny e o rio Ohio qual fronteira perpetuidade entre os colonizadores e os nativos: mas a transgressão desta disposição com o tempo tornou-se uma constante: os recém chegados iam cada vez mais longe na conquista de novas terras e novos lucros e utilizaram a força para impor-se sobre os nativos.

Estes últimos reagiam atacando os colonos, que nestes casos retiravam-se para deixar o campo às forças armadas regulares. A táctica era simples: provocava-se um casus belli, geralmente um acontecimento de segundaria importância, a seguir os índios eram caçados, morto, privados de qualquer forma de subsistência e forçados a assinar um tratado em que eram obrigados a ceder vastos territórios. Depois disso, os colonos avançavam para repetir tudo outra vez.

O episódio que abriu esta fase foi a famosa revolta de Pontiac, chefe do povo Ottawa. Perante a arrogância
dos colonialistas britânicos, que ocupavam muitas mais terras do que os predecessores franceses, Pontiac pus em marcha um projecto que previa a união de todas as tribos do Noroeste contra os britânicos. E conseguiu, reunindo 12 nações indígenas (Chippewa, Ottawa, Delaware, Shawnee, Fox, Kickapoo, Miami, Potawatomi, Menomini, Iroqueses, Seneca, Mingo e Hurons) para um total de 10.000 guerreiros: o objectivo era expulsar os colonos das que ficavam a Oeste da cadeia dos montes Allegheny.

Alegado retrato de Pontiac
Em Maio e Junho de 1763, os exércitos dos guerreiros assaltaram todas as principais fortificações da área: nesta luta perderam a vida 2.000 colonos enquanto outros 20.000 retiraram-se para Leste. A contra-ofensiva britânica começou em Julho de 1763. No comando do exército britânico ainda uma vez encontrava-se o general Jeffrey Amherst: novamente foi dada a ordem de espalhar a varíola entre os nativos, definidos, nas palavras do mesmo Amherst: "Não um inimigo, mas a raça mais vil que já contaminou a terra, cuja eliminação deve ser considerada como um acto de libertação para o benefício da humanidade".

O exército inglês reocupou Detroit e, em seguida, tentou fazer o mesmo com Fort Pitt: depois duma dura luta, que matou 110 britânicos e 60 índios, estes últimos foram forçados a recuar e Fort Pitt voltou nas mãos do inglês. Após uma série de choques, em Setembro de 1763, os britânicos prepararam uma enorme expedição para reprimir a rebelião uma vez por todas. Os seguidores de Pontiac estavam cada vez mais desgastados e desanimados: alguns deles aceitaram assinar tratados de paz em separado: deixado com poucos fiéis, o chefe Pontiac capitulou em 1766. No entanto, apesar da derrota, Pontiac tinha mostrado como uma união das nações indígenas era importante para uma melhor resistência perante os invasores.

Em 1773 eclodiu a Guerra da Independência Americana, que viu um pesado envolvimento dos índios. A razão era simples: apesar dos vários choques, o governo britânico estava inclinado à preservação da paz na América, ficando mais interessado na expansão em outras zonas do planeta, fonte de mais receitas: a ideia não era uma vaga migratória para Oeste mas limitar a movimentação expansionista das colónias. Pelo contrário, os colonos estavam interessados a eliminar os obstáculos impostos pela Coroa e ocupar assim quantas mais terras possíveis no Leste.

Thayendanegea
Uma vez que tanto o Exército Continental de George Washington quanto as forças dos britânicos eram limitados, ambos os lados tentaram envolver os índios, empurrando-os cada um para escolher o seu lado. Com medo de ficarem sozinhos contra a cobiça dos colonos, a maioria escolheu o mal menor, ou seja lutar ao lado dos ingleses. Aqueles que tinham em campo a maior força eram os Iroqueses, que ainda representavam a mais poderosa nação indiana: sob a orientação do líder Thayendanegea, travaram uma luta sangrenta contra os colonos de Washington.

Durante alguns anos, o confronto permaneceu em condição de igualdade entre as duas facções, mas a derrota do General britânico Burgoyne em Saratoga (17 de Outubro de 1777) marcou a fase descendente dos Iroqueses. Em 1779, Washington enviava contra eles um exército de 4.600 homens sob o comando do General Sullivan com ordens claras: invadir o território dos índios, queimar todas as aldeias, capturar todos os sobreviventes e matar os que demonstrassem vontade de resistir. Contra esta força, Thayendanegea dispunha de 1.000 combatentes auxiliados por 500 britânicos. Apesar da resistência, 50 aldeias índias foram completamente arrasadas e todos os produtos alimentares, colheitas e gado destruídos. Durante a expedição, Sullivan conseguiu capturar ou matar bem poucos índios, porque estes se tinham afastados após o desastroso resultado dos primeiros confrontos; mas a dizima-los foram o frio, a fome e as epidemias de vários tipos.

Apesar deste golpe, os Iroqueses não desapareceram e reagiram na Primavera seguinte: depois de ter reunido 1.500 guerreiros, atacaram o vale de Schoharie, destruindo todos os fortes com a exceção de um. Mas foi um sucesso de curta duração, porque já em 1781 o exército dos colonos contra-atacou expulsando-os e empurrando-os para Oswego, no Oeste. Após a derrota britânica de 1783, os Iroqueses foram divididos: alguns seguiram Thayendanegea no Canadá, onde obtiveram a terra que ainda hoje os seus descendentes ocupam; outros permaneceram nos Estados Unidos, sendo mais tarde completamente despojados dos seus haveres e confinados em pequenas reservas.

Significativo o episódio do massacre perpetrado contra a comunidade de índios da tribo Delaware que se tinha convertido ao Cristianismo e que vivia em algumas aldeias ao longo do rio Muskingum, Ohio, após ter sido obrigados a abandonar a terra de origem (que, ironicamente, hoje é conhecida como o Estado Delaware) com o tratado de Fort Pitt (1778). Em Março de 1782, o comandante americano de Fort Pitt, Irvine, deu ordens para destruir as aldeias: os ataques resultaram no desaparecimento de 62 adultos e 34 crianças, tendo escapado apenas duas crianças que fingiram estar mortas. O coronel Crawford empenhou-se na destruição completa da tribo, perseguindo um grupo de Delaware que tinha procurado refugio numa ilha no rio Allegheny. O resultado dessa barbárie foi que os Delaware, que até então haviam lutado ao lado das forças de Washington, viraram-se contra os colonos: uma coluna militar comandada por Crawford e composto por 480 soldados, foi atacado perto de Sandusky e cerca de 180 soldados, incluindo o próprio Crawford, perderam a vida no ataque.

Litografia de Little Turtle
Enquanto isso, a guerra de independência tinha acabado e os colonos, agora livres dos limites expansionistas
impostos pela Coroa, iniciaram o avanço nos territórios do noroeste. Inicialmente os EUA encontraram uma dura resistência por parte de todas as tribos da região: estas estavam agora bem conscientes do perigo mortal que corriam e estavam determinados a não desistir das suas terras. Entre 1783 e 1790, 1.500 colonos foram mortos ou capturados pelos índios, e muitos destes ataques foram realizados pelo chefe da tribo Miami, Little Turtle.

Contra estes resistentes, os comandantes dos EUA enviaram algumas expedições mas sem conseguir o desejado sucesso: a primeira expedição, comandada pelo general Harmar, voltou para a base com um total de 183 mortos e 31 feridos, a segunda, comandada pelo geral Saint-Clair, acabou ainda pior. Saint-Clair enfrentou os índios de Little Turtle numa batalha perto do rio Wabash, em 04 de Novembro de 1791: foi a maior vitória dos índios sobre os colonizadores e uma das piores derrotas em percentagem sofrida pelo exército dos EUA, com 637 mortos no campo e 263 feridos.

Galvanizado por este sucesso, Little Turtle decidiu voltar a lutar para expulsar os colonos dos seus territórios de forma permanente mas cometeu um erro: atacou Fort Recovery ignorando que este se encontrava defendido por canhões e sofrendo assim uma pesada derrota. Os soldados aproveitaram a oportunidade para chegar a um acordo com os líderes das tribos que apoiavam Little Turtle: este, deixado sozinho, foi convidado a assinar um tratado de paz mas foi substituído na liderança pelo chefe Turkey Foot. O novo chefe optou para uma resistência sem compromissos e foi finalmente derrotado nos confrontos com as tropas do geral Wayne.

A paz assinada em Fort Greenville em 1795 estipulava que "para sempre" os índios teriam mantido as terras além do rio Ohio. Na verdade, a expressão "para sempre" assumiria o significado de "alguns tempos".
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