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quarta-feira, 12 de agosto de 2015

Os “portugueses não comem TGV” mas comem escolas privadas


Estado vai gastar mais 53 milhões de euros com escolas privadas, lê-se no JN. Não come TGV? Então tome lá este pitéu e não se esqueça da maionese para escorregar melhor.
Não chega?
Queremos implementar oque se pode chamar uma parceria público-social que proceda à transferência de equipamentos sociais que estão sob gestão directa do Estado Central para as entidades do sector solidário que integrem a rede social local, desempenhando o Estado um efectivo papel financiador e regulador. [Intervenção do Mota Soares, na apresentação do Programa de Emergência Social (sic), já em 2011]
Traduzindo este fantástico parágrafo: Já em 2011, o tipo do beija-mãodeixou preto no branco que o estado iria financiar as IPSS, que é o termo correcto para o eufemismo entidades do sector solidário que integrem a rede social local.
Parece, portanto, que os portugueses não comem TGV mas já comem IPSS. E vão comer mais, pois esta ideia que foi transversal à legislatura já se anuncia que terá continuidade na próxima, se os tipos da estalada ganharem:
O plano de combate à pobreza será concretizado através de uma parceria público-social com Instituições Particulares de Segurança Social (IPSS) e Misericórdias, disseram à Lusa fontes do CDS-PP. [CM]
Aqui está em todo o esplendor a contradição no discurso e no acto entre destes liberais de pacotilha. Dizem que é preciso diminuir o peso do estado na economia mas criam rendas a favor de entidades privadas. Afirmam que o estado não cria emprego mas fomentam a criação de trabalho graças a dinheiro público. Proclamam que o estado é gordo mas criam um segundo estado paralelo no privado, mas, claro, a viver à conta do dinheiro público. Enchem a boca com o dinheiro dos contribuintes mas não hesitam em o entregar às IPSS e Misericórdias. Clamam contra um tal socialismo que acaba quando se acaba o dinheiro dos contribuintes mas é desse mesmo dinheiro que nascem negócios no privado. Grandes empresários estes, a fazerem negócios à conta do OE.
Isto tudo já os portugueses comem. Mas não engolem, pelo menos alguns, a trampa que Passos Coelho debita, como se ele e o seu partido nada tivessem a ver com com esses tais TGV e c.ia que os portugueses não comem.
Agora quero ver o que têm a dizer os habitués que habitualmente se passeiam por aí fora de garganta cheia de verborreia.
Fonte: Aventar

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