KRIS ROMAN: EUA precisam de guerras a
cada quatro anos para sustentar a economia,
diz analista
Após 25 anos do colapso da União Soviética, a NATO não esqueceu a ideia de atacar a Rússia. A opinião é do cientista político belga Kris Roman, director do centro de pesquisa geopolítica Euro-Rus.
"Mas eles não tinham pretexto. Agora, por causa do caos na Ucrânia, essa oportunidade apareceu e está sendo desenvolvida. A geração mais velha, que foi criada sob uma propaganda contra a União Soviética, já aceitou a ideia de um conflito inevitável com a Rússia", disse Roman em entrevista à agência Regnum.
O especialista belga acredita que com o colapso da União Soviética, a NATO deveria ter deixado de existir, mas de algum modo a aliança "cresceu ao tamanho do universo porque o slogan de que 'os russos vêm aí!' é relevante outra vez."
Roman fez esta afirmação quando o ministro da Defesa belga anunciou o envio de mil soldados do país aos países bálticos em caso de "um potencial ataque russo."
Os Estados Unidos vêm seguidamente criticando a Europa por contribuir pouco para o orçamento da NATO, afirmando que a União Europeia tenta economizar dinheiro às custas do orçamento militar americano.
Para os EUA, isso é inaceitável porque toda a economia do país é construída com base no tema militar — para manter seu crescimento económico, os Estados Unidos precisam de uma guerra a cada quatro anos. Do contrário, o crescimento económico diminui. Não é segredo. Mas os EUA não podem lutar sozinhos, precisam de aliados marionetas. Só que os membros da NATO, que estão atravessando uma crise, não podem aumentar seu orçamento militar, por isso a Europa está sob pressão", disse Kris Roman.
Russofobia é como uma doença
O especialista belga ressaltou que a russofobia é uma doença do tipo "uma vez infectado, o paciente não tem cura." Roman afirmou que a guerra de informação contra a Rússia já foi usada antes contra Iraque e Líbia.
"Não é mais possível mentir e não ser punido. A nossa comunicação social simplesmente prefere continuar em silêncio e não ser apanhada a mentir. O que eles podem dizer? Que os russos estavam certos? Que o exército russo não está lá (em Donbass), enquanto o ucraniano luta contra seu próprio povo? Eles não podem dizer essas coisas. O discurso oficial é culpar a Rússia."
"Lembram-se do Boeing malaio (voo MH17 que foi abatido perto de Donetsk em Julho do ano passado)? A nossa comunicação social começou a gritar que era culpa da Rússia enquanto o avião ainda estava a cair. Agora há factos que comprovam que a Rússia não foi culpada e, por causa disso, não ouvimos mais nada sobre a investigação. O silêncio diz que a verdade não está do lado da imprensa belga e europeia. Se a Rússia tivesse algo a ver com o acidente, eles (os media) gritariam isso da manhã até a noite", concluiu.

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