Linda de Suza lamenta rumor da sua morte
A intérprete, que movimentou milhões e milhões no mundo do espetáculo, em França, nos anos 1980/90, falou ontem à noite com o
Expresso. Visivelmente alterada pelos rumores que desde quinta-feira circulam na internet sobre a sua morte,
Linda de Suza, hoje com 65 anos, continua a dizer que foi vítima de um roubo e de uma conspiração que envolve o seu ex-produtor
(Claude Carrère), algumas outras pessoas, instituições bancárias (sobretudo o Banco Rotschild), autoridades francesas e, até, o
consulado de Portugal em Paris.
Discos de ouro, dois milhões de livros vendidos
Linda de Suza, que vendeu dois milhões de exemplares do seu livro "A mala de cartão", tendo conquistado diversos discos de ouro
e cuja vida deu origem a uma série televisiva e a uma comédia musical, vive hoje com uma pensão francesa de apenas 1300 euros
mensais.
A cantora diz ter reunido provas do roubo de que terá sido vítima. Apresentou queixa à Justiça francesa, mostrou os documentos a
diversos membros do Governo francês e à embaixada de Portugal mas, garante, "ninguém se mexe porque todos estão envolvidos".
"Eu, na altura, quando tive imenso sucesso com os discos e os espetáculos, era muito ingénua e humilde, não percebia nada de
contabilidade e de coisas da administração e aproveitaram-se, falsificaram os meus documentos, usurparam a minha identidade,
criaram sociedades e abriram contas em bancos, até no Mónaco, que eu desconhecia, roubaram-me tudo", afirma.
Dossiê dos serviços secretos
"A produção não declarou quase nada em meu nome, como artista, nem aos impostos nem à segurança social, nem à sociedade que
gere os direitos de autor, por isso hoje os franceses dizem-me que eu não tenho direito a nada!", exclama.
Numa outra conversa com o Expresso, já esta manhã, Linda de Suza garante estar disposta a mostrar todos os documentos,
"em minha casa", ao embaixador e ao cônsul de Portugal. "Quero que eles vejam o que eles também fizeram no consulado, onde
foi alterada a data da minha chegada a França!", diz.
Muito ativa, Linda de Suza passa o tempo ao telefone e multiplica-se em contactos junto das mais diversas autoridades francesas.
Devido à sua insistência, foi recebida, a 24 agosto de 2012, no Ministério francês dos Negócios Estrangeiros, dirigido pelo socialista
Laurent Fabius, que lhe prometeu ajuda. Foi aconselhada a escrever uma carta à ministra da Justiça, Christiane Taubira, o que fez
em setembro. "Mas ela, até agora, não me respondeu", afirma.
A cantora diz ter em seu poder uma cópia de um dossiê dos serviços secretos franceses sobre ela. "Eles receberam ordens para
me
vigiarem quando eu comecei a denunciar o roubo, em 1996. Acho um escândalo que tenham feito isso comigo, porque eu não sou
uma
terrorista!", afirma.
Mais notoriedade em França que Amália Rodrigues
Linda de Suza continua a pedir ajuda a Portugal. "Não acredito muito, mas se a embaixada e o consulado quiserem ver os documentos
eu mostro-lhos, mas apenas em minha casa", diz.
Apesar de muito nervosa com toda esta complexa situação e com os enormes obstáculos com que se defronta diariamente para
esclarecer o que lhe aconteceu, Linda de Suza acredita que um dia tudo será resolvido a seu favor e que quem a espoliou pagará
por isso. "Acredito em Deus, tenho-o a meu lado todos os dias e ele aconselha-me", diz.
A artista, que nasceu com o nome de Teolinda Joaquina de Sousa Lança numa extrema pobreza, no Alentejo, emigrou
clandestinamente para França em 1970, com um filho nos braços, onde foi durante nove anos mulher a dias. Conheceu a seguir um
extraordinário sucesso na cena musical, gerando somas colossais - e a sua história pessoal encantou a França, onde chegou a ter
mais notoriedade do que Amália Rodrigues.
Linda de Suza vive hoje modestamente, longe das luzes da ribalta, numa pequena casa, com jardim, a alguns quilómetros de Paris.
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