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terça-feira, 5 de setembro de 2017

Avante



No sábado à noite fui à Festa do Avante, onde já não ia há algum tempo. Realmente, o slogan continua a ser justo: não há festa como esta. Em meia dúzia de horas, pude ouvir António Zambujo no Palco 25 de Abril e o cavaquinho de Júlio Pereira, acompanhado por violoncelo, no Auditório 1º de Maio; pude comprar, a preços módicos, livros que raramente encontro por aí; pude percorrer duas exposições, embora tenha ficado desiludido com a do centenário da Revolução de Outubro; pude encontrar amigos que já não via há algum tempo e trocar umas ideias sobre os assuntos; até pude mexer os pés ao som da contagiante Carvalhesa; no fim da noite, saí de lá retemperado também pelo ambiente fraterno, simultaneamente familiar e de massas.

Não assisti ao momento político mais importante, que teve lugar ontem. Mas, seguindo o discurso de Jerónimo de Sousa, destaco esta parte de economia política:

 “Às indisfarçáveis vulnerabilidades existentes, juntam-se um conjunto de fortes constrangimentos que ao mesmo tempo que as aprofundam, condicionam seriamente o desenvolvimento do País. Temos uma moeda única que tem sido um descalabro para a economia portuguesa nestes vinte anos. O Euro, com as suas regras e objectivos, afirma-se cada vez mais como um autêntico colete-de-forças que impede a definição e concretização de uma política e de um projecto de desenvolvimento soberano para o País. Temos uma dívida pública e externa que é das maiores do mundo. Uma dívida insustentável que é um sorvedouro de recursos nacionais que, só em juros, são mais de 8 mil milhões de euros! Temos um sector financeiro, particularmente a banca comercial, dominado a partir do estrangeiro para servir interesses que não são os do País e dos portugueses. Um sector que é um cortejo de bancos falidos, de corrupção e gestão fraudulenta que tem sugado recursos públicos colossais e depois são entregues à voragem dos especuladores e do lucro acionista (...) Ignorar esta realidade, fingir que é possível uma política duradoura de recuperação de direitos e rendimentos sem resolver estes problemas estruturais e constrangimentos, sem confrontar os interesses do grande capital, é puro engano. É comprometer o presente e condicionar o nosso futuro colectivo! Com a reposição de direitos e rendimentos foi possível fazer crescer a economia e criar emprego, embora aquém do que é possível e necessário, mas nem os nossos atrasos estão superados, nem o desenvolvimento sustentado e sólido está garantido para o futuro.” 


ladroesdebicicletas.blogspot.pt

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