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terça-feira, 12 de setembro de 2017

Nem Richter nem graus: que significa em realidade a magnitude de um terremoto?



Agora que a região central e norte das Américas vive uma das temporadas de furacões e terremotos mais graves jamais vistos, provavelmente você encontrará em meios de comunicação e redes sociais a escala Richter, e inclusive pode ser que a vejas expressada em graus. Cuidado, é um erro. A falha com os graus é simples: Richter é uma escala logarítmica arbitrária de base 10 para quantificar a magnitude de um sismo e não uma escala graduada.

Nem Richter nem graus: que significa em realidade a magnitude de um terremoto?

Uma escala graduada toma dois valores e divide esta faixa em partes iguais, tomando cada uma dessas partes como um grau. Por exemplo, o caso dos graus Celsius: a diferença entre a temperatura à qual a água ferve e à que se congela é dividida em 100 partes iguais que chamamos graus.

Já na Richter, por cada incremento de uma unidade na escala, a amplitude da onda recolhida aumenta 10 vezes (multiplica-se por 10). Atendendo a esta fórmula, um terremoto de magnitude 6 teria uma amplitude de onda 10 vezes maior que um de magnitude 5; 100 vezes maior que um de magnitude 4; 1000 vezes maior que um de magnitude 3; e 10 000 vezes maior que um de magnitude 2, etc. Ambas escalas são totalmente diferentes.
Nem Richter nem graus: que significa em realidade a magnitude de um terremoto?
Epicentros mundiais de terremotos entre 1963 e 1998. Via: Wikimedia Commons.

Portanto, cada vez que alguém diz "terremoto de 5,4 graus Richter" está dizendo algo bem como: "a temperatura média de hoje será de 25 quilômetros/hora", isto é, relacionando medidas que não têm nada a ver entre si.

Mas, de todas formas, a anotação "na escala Richter" já é incorreta na grande maioria dos casos. E por certo é quando falamos dos terremotos que vivemos estes momentos. Simplesmente, para sismos de grande magnitude, a Richter está obsoleta e já não deve ser usada.

A Richter foi introduzida em 1935 como uma primeira tentativa de padronizar a magnitude local de um terremoto. Em realidade, pensou-se em um princípio para medir a magnitude dos terremotos que ocorriam exclusivamente na falha de San Andréas, na Califórnia, e depois terminou sendo usada para todos os demais. O problema é que para sismos muito fortes a escala é pouco precisa, dando numerações similares para tremores que claramente são de intensidade diferente.
Nem Richter nem graus: que significa em realidade a magnitude de um terremoto?
Falha de San Andréas. Via: Wikimedia Commons.

Na prática, ela deveria ter sido substituída pela escala de magnitude momentânea, de sigla Mw, desde 1979 para os terremotos grandes, porque discrimina melhor os valores extremos. Assim, a Richter só pode ser usado para determinar as forças de magnitudes entre 2,0 a 6,9 e de 0 a 400 quilômetros de profundidade, recordando nunca, nunca dizer "graus".
É incorreto dizer Richter para qualquer magnitude superior a 6,9

Não obstante, por questões de padronização, os sismólogos preferem a escala de magnitude por enquanto quase sempre que podem. Assim, cada vez que um meio de comunicação reporta a magnitude de um forte sismo em graus Richter não só está chamando graus a algo que não é, também está, muito provavelmente, agregando o "valor Richter" a uma magnitude que foi media em outra escala e foi determinada com outros métodos.


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