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terça-feira, 28 de abril de 2015

A desorientação A desorientação do PSD perante a divulgação dos cenários macroeconómicos pelos economistas convidados pelo PS é tanta que não há dia em que não haja uma novidade.

A desorientação

A desorientação do PSD perante a divulgação dos cenários macroeconómicos pelos economistas convidados pelo PS é tanta que não há dia em que não haja uma novidade. Começou pela reacção em massa dos jihadistas do “Observador”, comandados pelos velhos tarecos maoístas da “Voz do Povo” mordendo no documento de todas as formas possíveis. Como os ataques dos jihadistas não surtiram efeito, o país assistiu ao parto induzido de uma coligação que é a primeira a nascer de parto prematuro. Mas o anúncio da coligação teve menos impacto do que um boletim meteorológico.
  
Perante o falhanço o pequeno da apresentação dda coligação do cravo sim, cravo não o zipadinho Marco António de Valongo lembrou-se dos tempos em que Guterres era candidato a primeiro-ministro e o PSD usou o seu homem de mão da Direcção-Geral de Estudos e Previsão para criticar com ar quem tinha poderes censórios as propostas económicas do líder do PS. Como agora a inspiração para atribuir alcunhas a António Costa não é grande (a Guterres puseram a alcunha de picareta falante) e já não podem contar com os serviços um pouco emporcalhados do tal Patinha Antão à frente da DGEP, o PSD lembrou-se de exigir que as propostas da oposição passem pelo crivo da Unidade Técnica de Apoio Orçamental (UTAO) e do Conselho das Finanças Públicas.
  
O PSD, que não consultou nenhuma destas estruturas para adoptar medidas como o corte dos vencimentos, o golpe nas TSU ou o corte das pensões, que contou com um tal Cavaco da Quinta da Coelha para que o Tribunal Constitucional não fosse igualmente consultado, vem agora exigir que as propostas do PS antes de serem apresentadas aos eleitores passem pelo crivo de estruturas que são promovidas a uma espécie de conselho económico eleitoral. É instituída desta forma a censura prévia às propostas económicas da oposição. Mas uma coisa é a Dra. Teodora Cardoso ter um certo ar de tenente coronel na reserva, outra é dar-lhe um lápis azul para riscar as propostas da oposição.
O mais divertido disto tudo é que ainda recentemente o governo adoptou um Plano de Estabilidade cheio de incertezas, com medidas que num dia eram definitivas e no dia seguinte eram esquecidas e, tanto quanto se sabe, o documento não passou pelo crivo daquelas estruturas e não é muito seguro que Cavaco tenha tido conhecimento prévio das propostas. Parece que o PSD não se limita a querer a censura prévia dos programas económicos da oposição. 
  
Quando o Gaspar tentou dar o golpe da TSU consultou alguém? Quando em vez da TSU decidiu um aumento brutal do IRS de um dia para o outro consultou alguém, fez algum estudo? O excesso de troikismo de Passos Coelho foi fundamentado nalgum estudo ou assentou nalguma avaliação do seu impacto no crescimento e no emprego?
  
O PSD tenta impingir a uma política económica decorrente de uma ideologia alimentada por shots numa verdade económica única e pretende que todos os que opinem de forma diferente respeitem premissas igualmente decorrentes dessas ideologia massamiana. 
  
Mas há uma boa notícia na carta do novo rico de Valongo, assume na sua sexta pergunta o sucesso no combate à evasão fiscal o que nos faz pensar que a sobretaxa de IRS ou uma parte substancial dessa sobretaxa pode ser devolvida em 2015, até porque essa foi a grande promessa de Passos Coelho e Paulo Portas no OE de 2015, promessa reafirmada por várias vezes pelo Núncio Ficoólico do CDS no ministério das Finanças. Acontece que o mesmo PSD que quer escrutínio prévio das propostas alheias ignora as leis que ele próprio adopta e até esta data a AT ainda não tornou públicos os resultados do combate à evasão fiscal, uma norma legal adoptada em apoio da tão prometida devolução da sobretaxa.


jumento.blogspot.pt

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