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quinta-feira, 5 de julho de 2018

Mata Bicho



Mata-bicho...em tempos que já lá foram, o meu bairro, Alcântara, fervilhava de tascas, cada uma com as suas 'estórias', com os seus clientes, muitos deles operários, depois de uma labuta nas fábricas, - que também existiam na altura, - se lamentavam das suas agruras com o patrão explorador, bebendo até esquecer ou para ganhar forças para outro dia...também escreviam os nomes das suas mulheres ou amantes nos balcões de mármore...

Na Tasca

Dentro, na esconsa mesa onde fervia
Fulvo enxame de moscas sussurrantes
Num raio escasso e tremulo do dia Espanejando as azas faiscantes.
Vi-o; bêbado estava e, inebriantes
E capitosos vinhos mais bebia,
Em tédio, como os fartos ruminantes
A boca larga e estúpida movia.
Eu pensativo, eu pálido, eu descrente, Aproximei-me do ébrio, com tristeza,
Sem ele quase o pressentir sequer,
E vi seu dedo, aos poucos, lentamente
No vinho esparso que ensopava a mesa
Ir escrevendo um nome de mulher.
Poema de Raimundo Correia, Brasil.
Desenho de Des Brophy, surripiando ao amigo Fausto Castelhano.

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