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quarta-feira, 25 de outubro de 2017

SOB AS LENTES DE TINA MODOTTI





Modelo dos murais de Diego Rivera, companheira de 
Frida Kahlo e Pablo Neruda, Tina Modotti conseguiu transcender 
os limites da fotografia, dando a ela imensa sensibilidade e 
objetivando suas convicções de mundo, de relações humanas e 
de luta.


Assunta Adelaide Luigia Modotti Mondini, conhecida no mundo 
artístico e de luta como Tina Modotti, nasceu no fim do século 
XIX em uma pequena cidade italiana e viveu sua infância com 
os pais e cinco irmãos. Aos 12 anos, devido ao baixo recurso 
econômico de sua família, começou a trabalhar em uma das 
fábricas têxteis de sua cidade. Já aos 17 anos, se mudou para 
os Estados Unidos, onde deu início à carreira de atriz atuando 
em obras cinematográficas hollywoodianas. Seu contato com a 
sétima arte possibilitou sua relação com o poeta Roubaix, que 
algum tempo depois, seria seu companheiro. 
Conheceu também, na mesma época, o grande fotógrafo e 
professor particular Edward Weston.
Depois da morte de Roubaix, já no México, em 1922, 
Tina Modotti, envolvida pelas cores vibrantes e vida tipicamente 
mexicana, dá início ao seu trabalho como fotógrafa. 
Tem também, intenso contato com artistas engajados 
politicamente. Nesse contexto, posa para murais de 
Diego Rivera, conhece Frida Kahlo e importantes muralistas e pintores que fundaram o Partido Comunista do México.
Tina-Modotti-fotografías-4.jpg Tina Modotti e Frida Kahlo
Perpassada pelo ambiente de luta, Tina começa a trabalhar 
como tradutora para o jornal comunista El Machete e 
desenvolve na fotografia, o viés classista. 
Carregada pela perspectiva de denúncia e pela valorização do 
povo mexicano, a arte de Tina foi reconhecida e é lembrada até 
hoje como um marco de crítica social.
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No mesmo período, Tina conhece Júlio Mella, fundador do 
Partido Comunista de Cuba, com o qual começa a se relacionar. 
Mella morre assassinado e Tina é acusada como a própria 
assassina de seu companheiro. Logo em seguida, é expulsa do 
México e, devido ao fascismo italiano consegue migrar para 
Berlim. Já na Alemanha, Tina vê a possibilidade de aprofundar 
sua luta militante, atuando como defensora de presos políticos 
e vítimas de guerras.
julio-antonio-mella_1928_tina-modotti.jpg Júlio Mella, por Tina Modotti
Teve na Espanha grande atuação durante a Guerra Civil 
Espanhola, cuidou de inúmeros feridos, vivenciou o sofrimento 
de vítimas do fascismo, o assassinato de inúmeras crianças e 
ajudou a retirar milhares de refugiados na fronteira entre França 
e Espanha.
No fim de sua vida, Tina Modotti retorna ao México e, no ano de 
1942, com 60 anos, falece devido a um ataque cardíaco 
fulminante dentro do táxi a caminho de sua casa. 
No seu enterro, sobre seu caixão estava a bandeira vermelha, a 
foice, o martelo, seus camaradas e o hino "A Internacional".
tina_modotti_oscarenfotos_69.jpg Tina e sua exposição
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Manifesto "Sobre a fotografia" de Tina Modotti:
“Cada vez que se usan las palabras arte o artista con relación a 
mis trabajos fotográficos, noto una sensación desagradable, 
debido sin duda al mal empleo que se hace de tales términos. 
Me considero una fotógrafa, nada más. Si mis fotografías se 
diferencian de las que generalmente se hacen, se debe a que 
no trato de producir arte, sino fotografías honestas, sin recurrir a 
trucos ni artificios; mientras la mayoría de los fotógrafos 
continúan buscando efectos artísticos o la imitación de otras 
expresiones plásticas. Lo cual produce un efecto híbrido, que no 
permite distinguir en la obra su característica más significativa: 
su calidad fotográfica. Se ha discutido mucho en los últimos 
años si la fotografía debe o no ser considera obra artística digna 
de compararse con las otras artes plásticas. 
Existen divergencias entre aquellos que la consideran un medio 
de expresión como los demás y los miopes que miran este 
siglo XX con los ojos del siglo XVII; siendo incapaces de 
distinguir los aspectos más importantes de nuestra civilización 
tecnológica. Pero a los que usamos la cámara como instrumento 
del oficio, como un pintor utiliza sus pinceles, no nos interesan 
las opiniones contrarias, porque gozamos de la aprobación de 
cuantos reconocen las múltiples funciones de la fotografía y su 
directa elocuencia para fijar y registrar la época actual. 
Por eso no es indispensable saber si la fotografía es un arte o no. 
Lo que cuenta es distinguir entre buena y mala fotografía. 
Buena es aquella que acepta los límites de la técnica fotográfica 
y aprovecha las posibilidades y características que el medio 
ofrece. Mala es aquella fotografía realizada con complejo de 
inferioridad, no reconociendo el valor específico del medio y 
recurriendo a todo tipo de imitaciones. Estas obras dan la 
impresión de que el autor casi tiene vergüenza de fotografiar la 
realidad, e intenta ocultar la esencia fotográfica de la obra 
sobreponiendo trucos y falsificaciones. La fotografía, porque 
sólo puede ser realizada sobre el presente, y sobre lo que existe 
objetivamente delante de la cámara, se afirma como el medio 
más incisivo para registrar la vida real en cada una de sus 
manifestaciones. De ahí su valor documental. 
Si a esto añadimos sensibilidad y conocimiento de los temas, 
junto a una idea clara del lugar que se ocupa en el desarrollo 
histórico, el resultado será digno, creo, de ocupar un sitio en la 
producción social, a la que todos debemos contribuir.”
Em homenagem a ela, um poema de Pablo Neruda:
Tina Modotti, irmã, você não dorme, não, não dorme talvez o 
seu coração ouça crescer a rosa de ontem, a última rosa de 
ontem, a nova rosa. Descanse docemente, irmã.
A nova rosa é sua, a nova terra é sua: você vestiu um vestido 
novo, de semente profunda e seu silencio suave se enche de 
raízes. Você não dormirá em vão.
Seu doce nome é puro, pura é sua vida frágil: de abelha, sombra, 
fogo, neve, silencio, espuma, de aço, linha, pólen, construiu-se 
sua férrea, sua delicada estrutura.
O chacal, diante dessa joia que é seu corpo adormecido, ainda 
levanta a pena, sangrenta ao par de sua alma, como se você,
irmã, pudesse levantar-se, sorrindo, acima do lamaçal.
Vou levar você à minha pátria para que não a toquem, à minha 
pátria de neve, para que sua pureza não seja alcançada pelo 
assassino, pelo chacal, pelo vendido: lá você estará tranquila.
Você ouve um passo, um passo cheio de passos, algo de 
grande, desde as estepes, desde o Don, desde o frio? 
Você ouve um passo lime, de soldado na neve? Irmã, são seus 
passos.
Algum dia eles passarão por seu túmulo pequeno, antes de as 
rosas de ontem murcharem; passarão para ver os de um tempo, 
amanhã, lá onde arde seu silêncio.
Um mundo marchou ao lugar onde você ia, irmã. 
As canções de sua boca avançam a cada dia, na boca do povo 
glorioso que você amava. Seu coração era valente.
Nas velhas cozinhas de sua pátria, nas estradas poeirentas, algo 
se diz, algo passa, algo volta à chama de seu povo dourado, 
algo desperta-se e canta.
É sua gente, irmã: nós que hoje pronunciamos seu nome nós 
que de toda a parte, da água e da terra, com seu nome, outros 
nomes silenciamos e pronunciamos. Porque o fogo não morre.






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