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segunda-feira, 4 de setembro de 2017

O fotógrafo da ONU que nunca existiu mas enganou milhares no Instagram



Era uma história quase perfeita: Eduardo Martins era um fotógrafo brasileiro bem-parecido que tinha sobrevivido a um cancro e que decidiu ingressar numa missão solidária e viajar pelas zonas afectadas pela guerra um pouco por todo o mundo (como a Faixa de Gaza, a Síria ou o Iraque) para registar o sofrimento humano. Mas havia um pequeno problema. O “fotógrafo” era uma farsa. A história foi revelada pela BBC Brasil, numa investigação feita algumas semanas depois de ter caído no embuste.
Face às suspeitas da veracidade das fotografias e do seu autor – potenciadas pelos fotojornalistas verdadeiramente em cenário de guerra que nunca se tinham cruzado com ele –, “a BBC Brasil começou a investigar o caso há um mês e, pouco a pouco, os elementos de uma história construída por dois anos começaram a ruir”, conforme se lê no texto em que também são pedidas desculpas aos leitores pelo engano.
A página no Instagram (que tinha o nome de utilizador “edu_martinsp” e contava com 127.000 seguidores) foi entretanto apagada, assim como o site que era indicado na descrição do perfil. Continua-se sem saber qual a verdadeira identidade do autor da farsa ou quem é a pessoa que aparece nas fotografias, que supostamente seria Eduardo Martins.
Era o próprio que contactava órgãos de comunicação social – enviava as suas fotografias e artigos que tinham saído sobre si na imprensa – e contactava também outros fotógrafos, alegando até que estava a trabalhar num documentário do Netflix, algo que se provou ser mentira. À BBC, a ONU também disse não ter qualquer registo do fotógrafo.

Foi em Julho deste ano que a BBC Brasil publicou um artigo em que apresentava algumas fotografias e vídeos que seriam da autoria de Eduardo Martins, que se apresentava como sendo um brasileiro de 32 anos, fotógrafo da ONU (Organização das Nações Unidas). Recusou-se a falar por telefone, argumentando que se encontrava em Mossul, e ia respondendo às perguntas através de clipes de voz, enviados pela aplicação de conversação WhatsApp. A notícia foi posteriormente apagada.
Muitas das fotografias utilizadas eram do fotógrafo norte-americano Daniel C. Britt que eram invertidas pelo impostor. Britt refere ainda que Eduardo Martins roubava fotografias de outros sites e agências, fazendo-lhes pequenas alterações.
Em muitas das publicações e entrevistas que fazia dava um ar glorioso ao seu trabalho. Numa entrevista que deu ao site Recount Magazine, dizia que havia momentos em que ajudava as vítimas dos conflitos, referindo que nesses momentos não conseguia ser “imparcial” e que “parava de ser fotógrafo para ser um ser humano”. Na mesma entrevista, revelava que não usava Photoshop nem ferramentas do género já que “um verdadeiro fotógrafo não precisa de editar a fotografia”. 


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