Manifestantes contra e favor do candidato virtual do Partido Republicano à presidência dos Estados Unidos, Donald Trump, entraram em confronto nesta sexta-feira (27/05) durante visita do empresário a San Diego, no estado da Califórnia. Pelo menos 35 pessoas foram presas, de acordo com a polícia.

Integrantes de grupos contra e a favor do candidato republicano se enfrentam nos arredores do Centro de Convenções de San Diego
As manifestações começaram desde muito cedo nos arredores do Centro de Convenções de San Diego, situada na fronteira com o México, onde Trump discursava. No entanto, a situação tornou-se mais tensa entre correligionários e opositores do magnata no final do discurso. A polícia de San Diego declarou o ato de "assembleia ilegal" e ordenou a evacuação da área.
"A maior parte da multidão, estamos falando de milhares de pessoas que estiveram aqui hoje, foi muito pacífica. Estamos falando de alguns poucos indivíduos que protagonizaram a confusão e por isso tivemos que intervir, para resguardar a área e manter a paz e a ordem", informou a chefe de polícia de San Diego, Shelley Zimmerman, em entrevista coletiva.
Os policiais utilizaram gás de pimenta contra manifestantes e jornalistas que cobriam o evento. 
"É uma loucura, o que preocupa é que se [Donald Trump] ganhar, veremos isto sempre", comentou David Hernández, um manifestante que compareceu ao protesto em companhia de um grupo de amigos.
A anunciada visita do republicano contou com um dispositivo forte de segurança com cerca de 18 agências policiais dos três níveis de governo que atuou em toda a área.
Shelley relata que um homem tentou subir a grade que separava os manifestantes do Centro de Convenções, onde Trump fazia seu discurso. Quando os policiais o retiveram,  houve uma confusão entre agentes e manifestantes que resultou na detenção de uma pessoa.
As distintas mobilizações prévias ao discurso de Trump foram convocadas por organizações civis, principalmente grupos de defesa dos direitos dos imigrantes.
"É evidente que a comunidade fronteiriça está dando a ele [Trump] as boas-vindas que merece desde que iniciou sua campanha e se dedicou a agredir as comunidades latina, de imigrantes, mulheres, árabes", afirmou Christian Ramírez, diretor da Southern Border Communities Coalition ("Coalizão de Comunidades da Fronteira Sul", tradução livre), antes que os protestos se tornassem violentos.
De acordo com o ativista, a melhor arma da comunidade latina, além de alçar a voz, será comparecer às urnas, primeiro nas eleições primárias de 7 de junho, na Califórnia, e, posteriormente, no pleito geral de novembro.


Manifestantes protestam contra o republicano Donad Trump em San Diego, na California
"Devemos nos mobilizar não somente nas ruas, mas, mais importante ainda, nas urnas", afirmou Ramírez.
"Se antes havia dúvida de que o voto latino era importante, neste momento é fundamental que a comunidade vote para assegurar que iniciativas como as que este candidato [Trump] está promovendo não se transformem em realidade", acrescentou o ativista.
O diretor da organização Anjos da Fronteira, Enrique Morones, considera importante que a comunidade mostre sua inconformidade diante da retórica utilizada por Trump desde o início de sua campanha para a indicação presidencial republicana.
"É importante denunciar a mensagem de ódio de Donald Trump, normalmente (a este tipo de eventos) vem muita gente para apoiar um candidato e, neste caso, vem muita gente para dizer a este candidato que ele não é bem-vindo aqui", disse.
Na quinta-feira (26/05), a agência Associated Press informou que Trump  alcançou o número mínimo de delegados para obter a indicação do Partido Republicano para as eleições dos Estados Unidos.
Segundo a AP, o magnata possui 1.238 delegados – um a mais do que o necessário para ser oficialmente declarado candidato republicano. Dessa forma, Trump evitaria que o partido definisse o candidato na convenção em Cleveland, em julho.
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