Tem 24 anos de idade, cinco dos quais passados na escola da Juventude Comunista Portuguesa (JCP), onde não existe um secretário-geral porque ali "não se trabalha com esse objetivo", diz. Integrou a Coligação Democrática Unitária (CDU) nas últimas eleições pelo círculo de Lisboa, mas os resultados não lhe permitiram ser a deputada “benjamim” da presente legislatura.
Diz-se uma mulher “das palavras e dos atos” no que diz respeito à luta por um ensino acessível a todos, mas ter assento na bancada do PCP “não está” no horizonte, pelo menos por enquanto.
Ao Notícias ao Minuto, Alma Rivera diz que a integração na juventude partidária não serviu de ‘trampolim’ para nada e que não lhe abriu portas a nível pessoal, pelo contrário.
Como nasceu o interesse pela política?
Desde a escola secundária que me fui apercebendo de que alguma coisa não estava bem. Tal como os meus colegas, fui confrontada com uma escola degradada e com o desinvestimento que foi acontecendo ao longo dos anos. Nessa escola onde andei, chegou mesmo a haver uma derrocada de um torreão.
Já na faculdade, senti-me mais próxima daqueles que não são pelas palavras mas sim pelos atos e que lutavam contra as propinas, pelas bolsas de estudo justas para todos, pelo tratado de Bolonha, entre outros.
Porquê a Juventude Comunista Portuguesa?
Encontrei na JCP aqueles que me deram espaço para poder lutar mais, através das palavras, do trabalho do dia a dia, da dedicação, da luta e do empenho. São aqueles que assumem a postura mais justa em defesa do ensino superior.
O facto de a JCP não ter um secretário-geral representa uma limitação às suas ambições políticas?
De forma nenhuma. Nós não temos ambições políticas. Sei que pode parecer bom demais, mas nós não funcionamos com esse objetivo. Estamos aqui para transformar a sociedade.
As juventudes partidárias podem servir como um 'trampolim' para um futuro cargo na política? 
Para mim isso não faz sentido a todos os níveis, desde a forma como estamos àquilo que defendemos, que por vezes é inconveniente. Vantagens não temos nenhumas, pelo contrário. Nós não temos cargos, temos tarefas e objetivos comuns a todos.
A Juventude Comunista tem-lhe aberto portas ao longo da vida?
Não tem aberto porta nenhuma, pelo contrário. Temos muitos militantes que são confrontados com problemas pelo facto de serem militantes. Nos locais de trabalho é uma constante: alguém que se insurge, que batalha, que defende os seus trabalhos e os dos colegas não é propriamente alguém que se queira manter. 
É o seu caso?
Felizmente, não [risos].
A JCP e o PCP são órgãos independentes ou partilham da mesma agenda política?
Nós seguimos a orientação geral do partido estabelecida em Congresso. Participamos no congresso do partido mas temos uma direção e organismos próprios, embora sigamos a linha política do partido.
Podemos vê-la, um dia, a ocupar um lugar de destaque no seio do partido?
Não é algo que esteja em perspetiva. Orgulha-me qualquer tarefa que possa contribuir para inverter o caminho que temos no nosso país.

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