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domingo, 9 de dezembro de 2012

COMO A MEMÓRIA É CONVENIENTEMENTE CURTA



    Em 1953, há menos de 60 anos - apenas uma geração - a Alemanha de
    Konrad Adenauer entrou em default, falência, ficou kaput, ou seja,
    ficou sem dinheiro para fazer mover a actividade económica do país.Tal
    qual como a Grécia actualmente.
    A Alemanha negociou 16 mil milhões de marcos em dívidas de 1920 que
    entraram em incumprimento na década de 30 após o colapso da bolsa em
    Wall Street. O dinheiro tinha-lhe sido emprestado pelos EUA, pela
    França e pelo Reino Unido.

    Outros 16 mil milhões de marcos diziam respeito a empréstimos dos EUA
    no pós-guerra, no âmbito do Acordo de Londres sobre as Dívidas Alemãs
    (LDA), de 1953.

    O total a pagar foi reduzido 50%, para cerca de 15 mil milhões de
    marcos, por um período de 30 anos, o que não teve quase impacto na
    crescente economia alemã.
    O resgate alemão foi feito por um conjunto de países que incluíam a
    Grécia, a Bélgica, o Canadá, Ceilão, a Dinamarca, França, o Irão, a
    Irlanda, a Itália, o Liechtenstein, o Luxemburgo, a Noruega, o
    Paquistão, a Espanha, a Suécia, a Suíça, a África do Sul, o Reino
    Unido, a Irlanda do Norte, os EUA e a Jugoslávia.

    As dívidas alemãs eram do período anterior e posterior à Segunda
    Guerra Mundial. Algumas decorriam do esforço de reparações de guerra e
    outras de empréstimos gigantescos norte-americanos ao governo e às
    empresas.
    Durante 20 anos, como recorda esse acordo, Berlim não honrou qualquer
    pagamento da dívida!.

    Por incrível que pareça, apenas oito anos depois de a Grécia ter sido
    invadida e brutalmente ocupada pelas tropas nazis, Atenas aceitou
    participar no esforço internacional para tirar a Alemanha da terrível
    bancarrota em que se encontrava. Ora os custos monetários da ocupação
    alemã da Grécia foram estimados em 162 mil milhões de euros sem juros.
    Após a guerra, a Alemanha ficou de compensar a Grécia por perdas de
    navios bombardeados ou capturados, durante o período de neutralidade,
    pelos danos causados à economia grega, e pagar compensações às vítimas
    do exército alemão de ocupação. As vítimas gregas foram mais de um
    milhão de pessoas (38960 executadas, 12 mil abatidas, 70 mil mortas no
    campo de batalha, 105 mil em campos de concentração na Alemanha, e 600
    mil que pereceram de fome).

    Além disso, as hordas nazis roubaram tesouros arqueológicos gregos de
    valor incalculável.

    Qual foi a reacção da direita parlamentar alemã aos actuais problemas
    financeiros da Grécia? Segundo esta, a Grécia devia considerar vender
    terras, edifícios históricos e objectos de arte para reduzir a sua
    dívida.
    Além de tomar as medidas de austeridade impostas, como cortes no
    sector público e congelamento de pensões, os gregos deviam vender
    algumas ilhas, defenderam dois destacados elementos da CDU, Josef
    Schlarmann e Frank Schaeffler, do partido da chanceler Merkel.

    Os dois responsáveis chegaram a alvitrar que o Partenon, e algumas
    ilhas gregas no Egeu, fossem vendidas para evitar a bancarrota. "Os
    que estão insolventes devem vender o que possuem para pagar aos seus
    credores", disseram ao jornal "Bild". Depois disso, surgiu no seio do
    executivo a ideia peregrina de pôr um comissário europeu a fiscalizar
    permanentemente as contas gregas em Atenas.

    O historiador Albrecht Ritschl, da London School of Economics,
    recordou este ano à "Spiegel" que a Alemanha foi o pior país devedor
    do século XX e destaca que a insolvência germânica dos anos 30 faz a
    dívida grega de hoje parecer insignificante. "No século xx, a Alemanha
    foi responsável pela maior bancarrota de que há
    memória", afirmou. "Foi apenas graças aos Estados Unidos, que
    injectaram quantias enormes de dinheiro após a Primeira e a Segunda
    Guerra Mundial, que a Alemanha se tornou financeiramente estável e
    hoje detém o estatuto de locomotiva da Europa. Esse facto,
    lamentavelmente, parece esquecido", sublinha Ritsch.

    O historiador sublinha que a Alemanha desencadeou duas guerras
    mundiais, a segunda de aniquilação e extermínio, e depois os seus
    inimigos perdoaram-lhe totalmente o pagamento das reparações ou
    adiaram-nas. A Grécia não esquece que a Alemanha deve a sua
    prosperidade económica a outros países. Por isso, alguns parlamentares
    gregos sugerem que seja feita a contabilidade das dívidas alemãs à
    Grécia para que destas se desconte o que a Grécia deve actualmente.

    A ingratidão dos países, tal como a das pessoas, é acompanhada quase
    sempre pela falta de memória.

     


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