AVISO

OS COMENTÁRIOS, E AS PUBLICAÇÕES DE OUTROS
NÃO REFLETEM NECESSARIAMENTE A OPINIÃO DO ADMINISTRADOR DO "Pó do tempo"

Este blogue está aberto à participação de todos.


Não haverá censura aos textos mas carecerá
obviamente, da minha aprovação que depende
da actualidade do artigo, do tema abordado, da minha disponibilidade, e desde que não
contrarie a matriz do blogue.

Os comentários são inseridos automaticamente
com a excepção dos que o sistema considere como
SPAM, sem moderação e sem censura.

Serão excluídos os comentários que façam
a apologia do racismo, xenofobia, homofobia
ou do fascismo/nazismo.

sábado, 2 de setembro de 2017

BERTOLD BRECHT – “Ouvimos Dizer: não queres continuar a trabalhar connosco”




Ouvimos dizer: Não queres continuar a trabalhar connosco.
Estás arrasado. Já não podes andar de cá para lá.
Estás muito cansado. Já não és capaz de aprender.
Estás liquidado.
Não se pode exigir de ti que faças mais.
Pois fica sabendo:
Nós exigi-mo-lo.
Se estiveres cansado e adormeceres
Ninguém te acordará nem dirá:
Levanta-te, está aqui a comida.
Porque é que a comida haveria de estar ali?
Se não puderes andar de cá para lá
Ficarás estendido. Ninguém
Te irá buscar e dizer:
Houve uma Revolução. As fábricas
Esperam por ti.
Quando estiveres morto, virão enterrar-te
Quer tu sejas ou não culpado da tua morte.
Tu dizes: que já lutaste muito tempo.
Que já não podes lutar mais.
Pois ouve:
Quer tu tenhas culpa ou não
Se já não puderes lutar mais, serás destruído.
Dizes tu: Que esperaste muito tempo, que já
Não podes ter esperança.
Que esperavas tu?
Que a luta fosse fácil?
É assim:
Se não levamos a cabo o sobre humano
Estamos perdidos.
Se não pudermos fazer o que
Ninguém de nós pode exigir
Afundar-nos-emos.
Os nossos inimigos só esperam
Que nos cansemos.
Quando a luta é mais encarniçada
É que os lutadores estão cansados.
Os lutadores que estão cansados demais,
Perdem a batalha.

Sem comentários: