DE ionline- Sobre o Juíz Carlos Alexandre, o homem que sabe os pôdres do regime
Carlos Alexandre. O juiz que guarda os segredos do Regime
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Gosta de construir casas, fala por código e não deixa que ponham a mão nos seus processos
O que se faz quando se tem pela frente um superjuiz? Entre os advogados, há quem brinque e o chame "superjusticeiro", quem o afronte - como Nuno Godinho de Matos, sugerindo que o juiz "beberia um cálice de cicuta" caso os arguidos das contrapartidas dos submarinos fossem pronunciados -, e quem fuja dele. O defensor de um dos arguidos de um caso do BPN confessou há uns meses ao i: "Pedir a abertura de instrução para quê? Entro com a certeza de um bilhete directo para julgamento e saio com uma acusação aperfeiçoada." Não há nada que escape aos olhos de Carlos Alexandre. Muito menos à sua memória. Não há funcionário com quem se tenha cruzado que nunca o tenha ouvido dizer: "Procure no processo xis, na página y."
Se tiverem a sorte de o apanhar bem-disposto terão pela frente umas boas horas de humor cáustico. Se o ouvirem dizer "Ó cidadão", o melhor é terem cuidado. Quem o conhece sabe ser sintoma de má disposição. "Com ele não há meio termo", diz ao i um amigo. Ninguém nega este facto: o juiz tem mau feitio. Nem este: Carlos Alexandre teima em falar por códigos. A cadeira onde se senta na hora das instruções no Tribunal Central de Instrução Criminal, por exemplo, é o "altar". Há ainda um terceiro rumor: teme tanto ser alvo de escutas que está sempre a trocar de telemóvel.
Nascido em Mação, na Beira Baixa, há 52 anos, filho de um carteiro e de uma operária de uma fábrica de lanifícios, diz quem o conhece que anos depois de se ter tornado o juiz mais mediático do país não se consegue libertar de uma imagem provinciana de si próprio: diz ser "juiz de província", "filho de carteiro" e não querer subir a desembargador num Tribunal da Relação - para onde já poderia concorrer e onde ganharia mais, já que recebe o equivalente a um salário de juiz de 1ª instância - por não saber comer "de faca e garfo". Oriundo de famílias humildes, "tem horror ao pedigree".
A Monção regressa sempre, para passar os dias rodeado dos amigos da infância.
lusibero.blogspot.pt
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