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domingo, 24 de agosto de 2014

Passos Coelho e o culto da personalidade - Alguém deve advertir o dr. Passos Coelho para que tenha mais recato na exposição da sua figura e nas banalidades dos discursos que profere.

Passos Coelho e o culto da personalidade



Alguém deve advertir o dr. Passos Coelho para que tenha mais recato na exposição da sua figura e nas banalidades dos discursos que profere. Estamos perante a mais desapiedada manifestação do culto da personalidade. Nem Brejnev foi tão longe. As televisões, essas, então, fornecem-nos, de manhã à noite, a figura cada vez mais funesta, por triste e enfadonha, do homem que nos calhou, lamentavelmente, como primeiro-ministro. O dr. Passos nada diz de novo porque nada de novo tem a dizer-nos. Mas a maléfica acção que exerceu, nos últimos três anos, em Portugal, é de molde a constituir crime passível de cadeia. Repare-se que deixou de sorrir, o cabelo está a rarear-lhe, as afirmações são cada vez mais pesadas e trágicas. Há dias, um leitor enviou-me, pela Internet, claro!, a sobreposição de uma foto de Passos com o perfil do dr. Salazar. Os indivíduos são iguais, apenas com a ligeira diferença de que Salazar sabia quem era, e lia, com mão diurna e mão nocturna, o Padre António Vieira, a quem Fernando Pessoa chamou o Imperador da Língua Portuguesa.
O eng.º Ângelo Correia, criador da criatura Pedro Passos Coelho, seu protector e amparo, devia, acaso, exercer influência nesta "estouvania" de protagonismo. O engenheiro é homem inteligente, lido, e com uma cultura política muito bem estruturada, além de saber que a discrição e o resguardo são os melhores guardiões de quem desempenha ofícios públicos. A sua trajectória responde por ele. Sei do que falo e não oculto a minha estima por Ângelo Correia. O facto de a ele me referir publicamente é a forma de chamar a atenção de quem me lê para a necessidade de haver quem possa sacudir Passos Coelho e evitar que diga tanto disparate.
Percebe-se que o homem soçobra dia a dia, mas o problema é o que vai encontrar quem o substituir. Costa ou Seguro, as coisas não são muito claras. Embora o primeiro disponha de mais possibilidades, a atentar nos apoios e nas intenções de voto; e o segundo tenha, por exemplo, entre outros, o lúgubre Carlos Silva, da UGT (que desapareceu das grandes lutas populares e cívicas), como amigo de peito e de convicção, a companhia, com perdão da palavra, não é muito recomendável. Diz-me com quem andas, dir-te-ei quem és.
A embrulhada em que estamos metidos, agravada pelo escândalo do BES, embora haja quem o queira amenizar, configura uma das mais graves situações em que nos encontramos, desde o Liberalismo. E a tendência é para que sejamos nós, a arraia-miúda, a pagar os estragos. Não se sabe muita coisa da profundidade da crise, mas conhece-se, por exemplo, que o dr. Ricardo Salgado vai receber, anualmente, por relevantes serviços prestados, uma renda de quase um milhão de euros. Haja Deus e haja Freud e, se não é pedir demasiado, que haja, também, o Tio Patinhas!
Entre as soberbas e nunca assaz louvadas constantes aparições do dr. Passos, a inocuidade de um Governo ignaro que se rege por uma cartilha por ele próprio desconhecida, e uma oposição que se arrasta penosamente, lá vamos nós, desprotegidos e cabisbaixos, percorrendo um destino cada vez mais assombrado.
José Brandão e a força de um grande combate
Tenho por José Brandão uma estima e uma admiração que não concedo a muita gente. Ao longo dos anos, este pesquisador tenaz e penetrante, tem vindo a publicar livros que constituem uma espécie de história marginal dos nossos infortúnios. Nada demove este homem de coragem rara, e, periodicamente, publica trabalhos notabilíssimos, pela seriedade, pelo rigor e pela grandeza da procura. José Brandão, nos tempos difíceis e perigosos, militou na acção directa, e participou na Acção Revolucionária Armada, organização do PCP, não sendo ele comunista. Os imperativos morais e de consciência levaram-no à participação na luta contra o fascismo, sem nada querer em troca. Pagou com a cadeia e com a tortura, de que hoje tem sequelas, a nobreza do seu carácter. Este meu honrado amigo e probo historiador, acaba de publicar, pela editora Saída de Emergência, um livro fundamental, pela informação que recolhe e pela sabedoria da escolha. "A História da Pobreza em Portugal", ("Nove séculos de Bancarrotas, Resgates e Má-Gestão, de
Afonso Henriques à Troika dos Nossos Dias"), constitui um documento imprescindível para que conheçamos o que de infortúnio nos tem aparecido no caminho. Nesta hora dramática da vida portuguesa é bom, é indispensável e urgente ler este livro de José Brandão. A não perder.

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