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quinta-feira, 17 de janeiro de 2019

Para combater a pobreza é preciso combater as suas causas estruturais

Paula Santos


expresso.pt




A pobreza e a exclusão social são muito elevadas em Portugal. Apesar de estatisticamente se registar uma redução da taxa de risco de pobreza, devido ao caminho iniciado nesta nova fase da vida política nacional de reposição de direitos e de rendimentos, há um longo percurso a percorrer para dar combate a um dos maiores flagelos sociais que atinge a nossa sociedade.
Mais de dois milhões de portugueses estão em risco de pobreza. São sobretudo as mulheres, a população idosa, os desempregados, as famílias com crianças e as famílias monoparentais os afetados de forma mais expressiva pela pobreza.


A pobreza em Portugal é superior à média da União Europeia e da Zona Euro, revelando que a integração capitalista europeia contribuiu para o aumento de desigualdades e de assimetrias e não para a sua superação como nos procuram iludir.


A pobreza e a exclusão social não estão dissociadas das enormes desigualdades sociais existentes no país, da injusta distribuição da riqueza criada (gerando o enorme fosso entre os que mais têm e os que menos têm), nem da persistência de uma política de baixos salários prosseguida por sucessivos Governos.
Há trabalhadores que auferindo um salário, empobrecem a trabalhar e não dispõem de rendimentos para fazer face aos elevados custos de vida.


O combate da pobreza e da exclusão social não se faz com medidas caritativas e assistencialistas, para manter uma parte significativa da população na pobreza. Combater a pobreza e a exclusão social exige a adoção de medidas estruturais e profundas transformações na sociedade.


São necessárias medidas estruturais e transversais. Desde logo, medidas que garantam uma justa redistribuição dos rendimentos, os direitos à educação, à saúde, à habitação e o reforço do apoio social.
A valorização dos salários e das pensões assume neste domínio uma enorme centralidade para que as famílias saiam do risco de pobreza.


Os custos com a habitação, a educação ou a saúde correspondem a uma grande fatia do rendimento das famílias. Há idosos que continuam a não aderir à terapêutica prescrita, não adquirem os medicamentos, com consequências negativas para a sua saúde, por carências económicas. Há jovens que abandonam o ensino por carência económica. Há famílias que vivem em sobrelotação ou em habitações sem condições porque não dispõem de recursos para aceder a uma habitação de dimensão adequada e com as condições de habitabilidade e conforto.


Assegurar efetivamente os direitos sociais consagrados constitucionalmente contribui para que as famílias possam ultrapassar o risco de pobreza. Por isso a efetiva gratuitidade da Escola Pública, do acesso à saúde, a par do acesso à habitação a preços acessíveis são fundamentais. Reforçar o apoio social é igualmente importante.


A pobreza infantil no nosso país é muito preocupante, mas é preciso ter presente que não se resolve a pobreza das crianças sem se resolver a pobreza das respetivas famílias.
Mais do que declarações vazias de conteúdo, o que é preciso são medidas eficazes que rompam com a atual situação e que valorizem os rendimentos das famílias.

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