Inquérito/Defesa Ex-Cônsul em Munique escusa-se a depor perante deputados
O ex-cônsul honorário português em Munique, Jurgen Adolff, escusou-se a responder na comissão de inquérito parlamentar sobre aquisição de material militar (CPIPAEM) pelo Estado português, informou hoje o presidente da CPIPAEM, o democrata-cristão Telmo Correia.
PAÍS
Lusa
Adolff, que foi exonerado das suas funções pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros em 2010, depois das acusações da justiça germânica no caso das "luvas" no negócio da venda dos submarinos a Portugal, terá recebido do consórcio alemão GSC, cerca de 1,6 milhões de euros para facilitar contactos com decisores portugueses.
Governo
de Barroso viria a optar pela proposta alemão em detrimento da francesa.
Portas, ouvido na CPIPAEM em 18 de julho, confirmou ter estado em Munique para a conferência anual sobre segurança, mas que foi prevenido pelo seu chefe de gabinete de que o cônsul seria uma pessoa "algo maçadora" e que, para conseguir preparar uma intervenção que precisava, deveria declinar o convite que o cônsul lhe tinha feito para jantar.
O processo de aquisição dos navios, seguindo a Lei de Programação Militar de 1993, ainda Cavaco Silva era primeiro-ministro, foi preparado por sucessivos governos, incluindo os dois minoritários de António Guterres. A decisão de compra aconteceu em setembro de 2003.
O negócio suscitou dois processos judiciais - um centrado nas contrapartidas da aquisição dos submarinos aos alemães, que culminou na absolvição em primeira instância de todos os arguidos, outro, relacionado com o negócio da compra e venda do equipamento, ainda em investigação no Ministério Público. Na Alemanha já se verificaram condenações por crimes de corrupção e tráfico de influências.
Os submarinos portugueses Tridente e Arpão, começados a construir na Alemanha em 2005, custaram até agora ao Estado português mais de mil milhões de euros, embora houvesse a previsão de 100% de contrapartidas. O primeiro destes navios foi entregue à Armada lusa em 2010.
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