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terça-feira, 26 de maio de 2015

Reformados representam quase metade do eleitorado do PSD

Reformados representam quase metade do eleitorado do PSD

PSD desvaloriza impacto das palavras da ministra, mas politólogo elenca efeitos negativos.
O PSD tentou ontem desvalorizar o impacto que a declaração da ministra das Finanças sobre um eventual corte de pensões poderá ter no voto dos pensionistas nas próximas eleições. Dirigentes social-democratas disseram ao Económico que a declaração de Maria Luís Albuquerque não é nova e que já antes, no Programa de Estabilidade, o Governo tinha inscrito uma poupança de 600 milhões na Segurança Social. 
O PSD há muito que sabe que os pensionistas são uma das fatias do seu eleitorado que mais ficou descontente com a austeridade. E sabe também que têm peso no seu eleitorado.
Um inquérito coordenado pelos politólogos Pedro Magalhães e Marina Costa Lobo depois das legislativas de 2011 mostra que 41% do universo do eleitorado social-democrata são reformados. Ou seja, quase metade. No CDS, o peso dos pensionistas caiu para 9%, recuo que os politólogos não conseguem explicar.
Mas apesar do PSD saber o peso dos pensionistas no seu eleitorado e que precisam de recuperar os descontentes, tanto no partido como no Governo continua a vingar a tese de que a coligação "deve dizer a verdade" porque só assim "ganhará as eleições".
É neste contexto que o partido coloca (e por isso desvaloriza) a polémica que se gerou em torno das declarações. "A ministra não disse que ia cortar, disse que era uma hipótese e é verdade. Os portugueses vão compensar-nos pela verdade", disse ao Económico um dirigente laranja.
O politólogo António Costa Pinto admite que "é muito difícil" perceber se as declarações da ministra - que lançam o fantasma sobre novos cortes - terão ou não impacto na hora do voto. Mas o especialista não tem dúvidas em afirmar que "as palavras [da ministra] têm impacto porque são ditas em período pré-eleitoral". Não fosse os partidos estarem a reunir munições para a batalha das legislativas, as declarações não fariam ‘mossa', acredita o politólogo, uma vez que a ministra já tinha admitido o corte em Abril. "De novo nas suas palavras existe apenas o facto de ter previsto a hipótese do corte das pensões actuais a uma plateia partidária", sublinha Costa Pinto.
Para este politólogo, Maria Luís Albuquerque não só "provocou embaraço no CDS", como "deu oportunidade ao PS para aparecer de novo a insurgir-se contra cortes". Mais: "Introduziu o tema na campanha".
O líder dos socialistas, António Costa, reagiu logo de seguida a dizer "não" a cortes e a presidente da Associação Portuguesa de Reformados e Pensionistas (Apre) até disse: "A ministra fez um convite aos reformados para que votem PS".
Também Marcelo Rebelo de Sousa entende que a declaração foi proferida em má hora: "A ministra das Finanças é tão competente a governar como é incompetente a falar", disse o ex-presidente do PSD no seu espaço de comentário, considerando que foi "um pontapé na cabeça da coligação". Isto porque os pensionistas foram desde o início uma bandeira do CDS. Mas ao contrário do que se diz, o CDS não é um partido dos pensionistas. O inquérito de Pedro Magalhães mostra que até é o PSD quem mais beneficia do voto deste eleitorado.
Os pensionistas são um eleitorado preferencial para quase todos os partidos. Porquê? Costa Pinto explica: "Porque a taxa de participação em eleições é muito mais elevada que na camada jovem".

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