Reformados representam quase metade do eleitorado do PSD
ines.bastos@economico.pt
PSD desvaloriza impacto das palavras da ministra, mas politólogo elenca efeitos negativos.
O PSD tentou ontem desvalorizar o impacto que a declaração da ministra das Finanças sobre um eventual corte de pensões poderá ter no voto dos pensionistas nas próximas eleições. Dirigentes social-democratas disseram ao Económico que a declaração de Maria Luís Albuquerque não é nova e que já antes, no Programa de Estabilidade, o Governo tinha inscrito uma poupança de 600 milhões na Segurança Social.
O PSD há muito que sabe que os pensionistas são uma das fatias do seu eleitorado que mais ficou descontente com a austeridade. E sabe também que têm peso no seu eleitorado.
Um inquérito coordenado pelos politólogos Pedro Magalhães e Marina Costa Lobo depois das legislativas de 2011 mostra que 41% do universo do eleitorado social-democrata são reformados. Ou seja, quase metade. No CDS, o peso dos pensionistas caiu para 9%, recuo que os politólogos não conseguem explicar.
Um inquérito coordenado pelos politólogos Pedro Magalhães e Marina Costa Lobo depois das legislativas de 2011 mostra que 41% do universo do eleitorado social-democrata são reformados. Ou seja, quase metade. No CDS, o peso dos pensionistas caiu para 9%, recuo que os politólogos não conseguem explicar.
Mas apesar do PSD saber o peso dos pensionistas no seu eleitorado e que precisam de recuperar os descontentes, tanto no partido como no Governo continua a vingar a tese de que a coligação "deve dizer a verdade" porque só assim "ganhará as eleições".
É neste contexto que o partido coloca (e por isso desvaloriza) a polémica que se gerou em torno das declarações. "A ministra não disse que ia cortar, disse que era uma hipótese e é verdade. Os portugueses vão compensar-nos pela verdade", disse ao Económico um dirigente laranja.
O politólogo António Costa Pinto admite que "é muito difícil" perceber se as declarações da ministra - que lançam o fantasma sobre novos cortes - terão ou não impacto na hora do voto. Mas o especialista não tem dúvidas em afirmar que "as palavras [da ministra] têm impacto porque são ditas em período pré-eleitoral". Não fosse os partidos estarem a reunir munições para a batalha das legislativas, as declarações não fariam ‘mossa', acredita o politólogo, uma vez que a ministra já tinha admitido o corte em Abril. "De novo nas suas palavras existe apenas o facto de ter previsto a hipótese do corte das pensões actuais a uma plateia partidária", sublinha Costa Pinto.
Para este politólogo, Maria Luís Albuquerque não só "provocou embaraço no CDS", como "deu oportunidade ao PS para aparecer de novo a insurgir-se contra cortes". Mais: "Introduziu o tema na campanha".
O líder dos socialistas, António Costa, reagiu logo de seguida a dizer "não" a cortes e a presidente da Associação Portuguesa de Reformados e Pensionistas (Apre) até disse: "A ministra fez um convite aos reformados para que votem PS".
O líder dos socialistas, António Costa, reagiu logo de seguida a dizer "não" a cortes e a presidente da Associação Portuguesa de Reformados e Pensionistas (Apre) até disse: "A ministra fez um convite aos reformados para que votem PS".
Também Marcelo Rebelo de Sousa entende que a declaração foi proferida em má hora: "A ministra das Finanças é tão competente a governar como é incompetente a falar", disse o ex-presidente do PSD no seu espaço de comentário, considerando que foi "um pontapé na cabeça da coligação". Isto porque os pensionistas foram desde o início uma bandeira do CDS. Mas ao contrário do que se diz, o CDS não é um partido dos pensionistas. O inquérito de Pedro Magalhães mostra que até é o PSD quem mais beneficia do voto deste eleitorado.
Os pensionistas são um eleitorado preferencial para quase todos os partidos. Porquê? Costa Pinto explica: "Porque a taxa de participação em eleições é muito mais elevada que na camada jovem".
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