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sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

BARROCAL ALGARVIO -entre a serra e o mar.




A intrincada serra algarvia reserva-nos segredos escondidos no topo dos seus montes e no fundo dos seus barrancos a que só um profundo conhecedor poderá aceder.
As “águas santas” – famosas nascentes de água milagreira que ajudaram durante milénios a aplacar a dor e o mau estar dos habitantes algarvios que muitas vezes se deslocavam de distâncias consideráveis para usufruir dos seus benefícios, estão espalhadas um pouco por todo o barrocal,  e constituem excelentes locais de visita.
As extensas paisagens de esteva, sobreiro, alfarrobeira, amendoeira, figueira, palmeira-anã e aroeira são a marca distintiva desta região.
Nas profundezas da serra encontram-se cursos de água que correm na sua maioria sazonalmente onde crescem choupos, amieiros, silvados e outras plantas. Nos pegos quase inacessíveis é fácil encontrar hortas quase sempre abandonadas  e por vezes, uma velha habitação de taipa com o forno ao lado da casa, que nos transporta de imediato ao passado e às dificuldades e dureza de quem por ali viveu.
Este locais são lar de muitas espécies de aves que se alimentam de bagas, pequenos frutos silvestres bem como de árvores de fruto abandonadas, insectos e larvas pelo que são reservas importantes para a avifauna. Na primavera  surgem autênticos jardins de plantas endémicas um pouco por todo o lado, das quais muitas são usadas ainda hoje na medicina tradicional pelos locais.
Conversar com estas populações que ainda vivem da pastorícia e agricultura, em particular com os mais idosos é sempre uma viagem que gostamos de fazer e onde muito se aprende.
No fundo desses barrancos vagueiam também javalis, texugos, saca-rabos, raposas, ginetes, lontras e outros mamíferos que fazem da noite o palco das suas caçadas.
Subir ao topo dos montes desafoga-nos a vista permitindo-nos observar extensas paisagens de esteva e às vezes medronheiros com que se faz a famosa aguardente de medronho.
Ai é o reino da águia de bonelli, dos gaios, charnecos, bico-grossudo, torcicolo e muitas outras espécies de aves.
As regiões mais interiores escondem-nos outros segredos…velhas aldeias abandonadas desde períodos muito antigos,  menires e túmulos das antigas sociedades agro-pastoris, edificações islâmicas  das quais só resta o chão, túmulos campaniformes que intrigam os arqueólogos, estelas com a famosa escrita do sudoeste  e algures perdida na serra uma edificação com 6500 anos que virá revolucionar em muitos aspectos, tudo o que se pensa da evolução humana no Algarve e que é tão só a única do género no sudoeste peninsular até agora encontrada.
Para além do que normalmente é referido sobre o Algarve e sobre as suas vilas e aldeias, existem muitos locais extraordinários com paisagens maravilhosas perdidos no barrocal que merecem toda a nossa atenção pois é  nesse  palco que se continuam a fazer descobertas inesperadas por parte dos nossos arqueólogos e comunidade científica.
















algarveselvagem.com

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