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terça-feira, 24 de julho de 2018

ONDE HOUVE AVANÇOS HÁ AGORA RECUOS -Guilherme Antunes in facebook



Guilherme Antunes in facebook


ONDE HOUVE AVANÇOS HÁ AGORA RECUOS


É preciso entender que há um retrocesso nos avanços periclitantes das vitórias da esquerda na América Latina. Processos complexos de carácter transformador, uns mais de âmbito revolucionário que outros. Aliás, alguns deles chamados de esquerda para simplificação da linguagem (Brasil, Equador e com muito boa vontade o Paraguai) não foram mais que encenações de uma certa pequena burguesia à venda, como ela se tem construído historicamente.
Dos 15 países mais pobres do mundo, 10 deles são latinos-americanos, o que dá uma ideia trágica dos processos enganadores que se ficam a meio das profundas transformações que a existência do capitalismo impõe às forças revolucionárias.
Quem ficar a meio caminho cava a sua própria sepultura, o que não seria malévolo dada a ausência de merecimento social a que os serventuários do capitalismo, de uma forma ou de outra, acabam sempre de cedência em cedência. É deste modo que o Banco Mundial informa que mais de 240 milhões de seres humanos do continente sul-americano estão a um passo da oferta preferencial do capitalismo; não muito distante das fomes e das doenças que ela trás.
Há uns anos, dei por mim a dar mais ênfase à reflexão sobre os malefícios sobre os pobres, em vez de acentuar a palavra de ordem sobre a defesa dos trabalhadores. Concluí um dia que o proletariado imoralmente explorado, talvez, já não detivesse a primazia linguística central da análise marxista. Em vez do proletariado, deveríamos centrar-nos no esclarecimento e na mobilização do “pobretariado”. Tarefa mais dificultada, porque este grupo é mais inconsciente da sua determinação histórica. Curiosamente, há dias, vi num escrito de Frei Betto a alusão ao vocábulo a que tinha feito referência e no sentido em que a fiz, ao que parece com a compreensão de Fidel.
O Brasil é um exemplo miserável do esclavagismo imposto por uma burguesia nacional fascista e imunda. Mais de 70 milhões de brasileiros vivem com 1 dólar por dia. A miséria mais acérrima atinge cerca 13% da população do país. Milhares de labregos polvilham o circense Rock in Rio, enquanto o Martinho apoia a candidatura do Bolsonaro com os milhões que os pobres consumidores do festivalzeco lhe colocam no bolso.
Mesmo o “desenvolvimento” que o PT e Lula trouxeram até aos descamisados foi uma operação de rapidez mediática, popular mas dispensável. Ofertaram-se benefícios sem permitir uma névoa de esperança. Estimulou-se o consumo sem haver a preocupação de criar novos protagonistas sociais e políticos. Que viva o consumidor, que se foda o cidadão, é a consigna neo-liberal de “esquerda” a que o fascismo do golpe de Estado faria em fanicos as pobres migalhas.
Se ficares contra este falso desenvolvimento, por certo que na melhor das hipóteses és apelidado de esquerdista. A um passo da sacrossanta sentença seguinte de “terrorista”, de “subversivo” e de “inimigo figadal da democracia”.

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