As
aulas do primeiro período no ensino básico e secundário acabaram hoje.
Agora e antes de se entrar mais a fundo no espírito natalício,
realizam-se as reuniões de avaliação e a generalidade dos alunos e
famílias vai começar a dar atenção às notas.
Esta
atenção é dirigida não só para as notas necessárias para a compra dos
presentes de Natal, parece que serão revistas em alta, dizem, mas também
às notas escolares dos filhos que igualmente influenciam a compra de
presentes, as boas notas são muitas vezes compensadas com presentes mas,
sobretudo, contribuem para comprar futuros.
Alguns
miúdos e adolescentes esperarão com serenidade, apenas com a ponta de
ansiedade criada pela expectativa de ver confirmado o bom andamento do
primeiro período. Estes alunos receberão as felicitações da família pelo
trabalho desenvolvido e, muito provavelmente, até verão essas
felicitações e contentamento familiar sublinhados com o reforço dos
presentes, merecem, trabalharam bem, toda a gente dirá.
Alguns
outros miúdos esperam com a ansiedade da dúvida, será que o trabalho e a
generosidade dos “setores” chegarão para a positiva, senão a tudo, pelo
menos a quase tudo. É que os pais também tinham prometido “aquela”
prenda se as notas fossem positivas, mesmo que não "boas", não esperam
tanto.
Também
existem alguns alunos que já nem a ansiedade pelas notas conseguem
sentir, vão ser más, o que não estranharão e as famílias, algumas,
também não. É hábito. Destes alunos, uns assumirão um discurso e uma
pose de indiferença, precisam dessa pose e desse discurso para mascarar
para fora o que o insucesso dói para dentro. Ninguém com saúde se
satisfaz com o insucesso. As famílias não sabem que fazer e culpam a
escola que as culpa a elas.
Alguns
destes alunos receberão as más notas do primeiro período como uma
espécie de “cheque pré-datado” passado pela escola, ou seja, estas serão
também as notas do segundo e do terceiro período. Esta baixa
expectativa é um forte contributo para que se cumpra o emitido no
“cheque”, as más notas no futuro.
No
entanto, não tem que ser, não é o destino e não estão condenados ao
insucesso. Era bom ter consciência do processo e recusar esse fatalismo,
apesar do ME ter vindo a estruturar um sistema que é pouco amigável
para alunos e professores.
Existe
ainda um grupo mais pequeno de alunos que, por razões que eu não
consigo compreender, não têm notas, são especiais, dizem, pelo que sendo
alunos e trabalhando nas escolas não vêem, como todos os outros
colegas, traduzida numa nota a sua participação na vida escolar. Será
porque estando lá não participam, ou será que, apesar de participar e
não tendo o mesmo "rendimento" ou sendo avaliados da mesma forma que os
seus colegas, se entende, erradamente, que não se "justifica" uma nota,
curiosamente, em contextos escolares que se afirmam "inclusivos". Talvez
tenhamos ainda que caminhar no sentido de melhorar culturas, modelos e
dispositivos de avaliação que acomodem todos os alunos.
Enfim, como em quase tudo na nossa vida, as notas são, muitas vezes, determinantes.
Boas férias e Bom Natal.
http://atentainquietude.blogspot.pt
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