Produtores de carne de porco bloquearam, esta madrugada, o acesso à unidade industrial que processa as carnes para todo o grupo Sonae, em Santarém. Crise no setor ameaça 200 mil empregos.
O protesto dos suinicultores durou cerca de três horas, com os produtores a impedirem a entrada e saída de camiões, entre as duas e as cinco da madrugada, na unidade de processamento de carnes do grupo Sonae, em Santarém
Os suinicultores protestam contra a política preços do grupo, que, alegam, vende a carne nacional a preços superiores à carne estrangeira idêntica.
Às cinco da madrugada, a administração convocou os suinicultores para uma reunião, esta quinta-feira, às 13 horas, o que bastou para acabar com o protesto.
Estão registados em Portugal cerca de quatro mil suinicultores industriais, havendo no total quase 14 mil explorações.
No início do mês, a 5 de dezembro, cerca de 200 suinicultores juntaram-se frente ao Pavilhão de Portugal, em Lisboa, para chamar a atenção da opinião pública para crise que atravessa o setor e pedir que consuma carne nacional.
Segundo João Correia, um dos promotores da iniciativa, Portugal é deficitário na produção da carne de porco, mas os suinicultores têm dificuldade em escoar o produto.
O suinicultor queixou-se também do baixo preço que é pago aos produtores, explicando que os custos de produção ascendem atualmente a 1,50 euros por quilo, enquanto esse mesmo quilo é vendido a 1 euro.
Estão em causa 200 mil postos de trabalho diretos, afirmou João Correia. Os suinicultores querem por isso chamar a atenção dos consumidores para "comerem o que é nosso" e pediram mais atenção a rotulagem.
Alguns suinicultores dizem que nem todas as grandes superfícies estão a cumprir esta obrigação e revoltaram-se com o facto de ser sempre a carne de porco a servir de chamariz para as promoções.
A Associação Portuguesa das Empresas de Distribuição (APED) respondeu a estas críticas, no dia seguinte, 6 de dezembro, dizendo que a redução de preços da carne de porco "resulta de uma conjuntura europeia desfavorável e que se tem acentuado ao longo do ano".
A APED, que representa os supermercados e hipermercados, alertou que a baixa de preços da carne de porco é uma situação que tem acontecido por toda a Europa e que uma das causas é o "embargo russo aos produtos europeus".
A associação indica que o setor da distribuição não é o único a contribuir para a "formação dos preços" da carne de porco e que, pelo contrário, "sempre procurou apoiar os produtos e fornecedores portugueses", concordando que o setor dos suínos "precisa de uma estratégia que promova a excelência da carne de porco nacional e a procura de novos mercados".
"O setor dos suínos tem vindo a passar, em 2015, por um período de queda generalizada de preços em toda a União Europeia, ao mesmo tempo que as estimativas de produção aumentam", adiantou a APED, acrescentando que em Portugal a situação é semelhante.
"Em Portugal, de acordo com dados do Gabinete de Planeamento, Políticas e Administração Geral (GPP), do Ministério da Agricultura e do Mar, publicados em 29 de novembro, a cotação média nacional do porco (classe E) voltou a cair em relação à semana anterior (dois cêntimos/kg), pela 13ª semana consecutiva. Em relação à semana homóloga do ano anterior, a variação percentual foi de -15,8%", explica a associação.
E a questão é que, segundo a APED, este decréscimo de cotação "não tem correspondido uma diminuição no abate de suínos para consumo", que de acordo com os dados do Instituto Nacional de Estatística, e em comparação com o mesmo período do ano passado, o número de suínos abatidos e aprovados para consumo público aumentou todos os meses entre janeiro e agosto deste ano, sendo o nível mais alto em junho de 13,1%.
Entretanto, a União Europeia aprovou um programa de armazenamento de carne de porco, como medida para ajudar os suinicultores.
De acordo com este programa, anunciado, em Bruxelas, pelo ministro da Agricultura, Capoulas Santos, os produtores poderão receber, a partir de 4 de janeiro, apoios para armazenarem a carne em excesso durante um determinado período, relançando-a no mercado posteriormente, com preços mais favoráveis
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