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sábado, 19 de dezembro de 2015

Securitas despede muçulmanos por terem barba comprida


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Dois seguranças muçulmanos no aeroporto de Orly, em Paris, França, foram despedidos por terem a barba demasiado longa. "A minha barba é parecida à dos hipsters", justificou um deles. A empresa diz-se alvo de "infiltração de trabalhadores radicalizados" e invoca outras razões.
 
DR
Aeroporto de Orly


Bachir, de 28 anos, trabalhava no aeroporto há oito anos. No dia 24 de novembro, preparava-se para começar o turno, às 5.30 horas, quando o superior hierárquico lhe disse que não o poderia fazer porque não tinha cortado a barba, como lhe tinham ordenado quatro dias antes. "Disse-me: 'Você deve cortar a barba', e chegou até a propor comprar uma máquina de barbear pelo meu aniversário", contou à estação de televisão "Le Parisien".

Com ascendência originária do Médio Oriente, Bachir assegura que o seu aspeto físico não está ligado a qualquer crença religiosa. "A minha barba é parecida à dos hipsters", com dois ou três centímetros de comprimento, garante. Por isso, está a contestar o despedimento, alegando ter sido alvo de "discriminação por razões religiosas".

Seis outros trabalhadores da mesma empresa foram chamados à atenção pelo mesmo motivo e alguns preferiram cortar a barba a arriscar o emprego. "Foram convocados depois dos ataques" a Paris no mês passado, garante um delegado sindical. "Há anos que trabalham aqui e nunca houve qualquer problema", assegura.

Na carta de despedimento, a Securitas também invoca atrasos "injustificados" em outubro e novembro e conversas "inoportunas", razões negadas por Bachir. Os despedimentos não estão ligados ao estado de emergência que vigorará até fevereiro na França, mas foi essa a justificação dada pela direção da empresa.
Despedido por inaptidão médica
Bachir não foi o primeiro a ser despedido. No verão, portanto antes dos atentados de Paris, um outro segurança muçulmano, chamado Bechir e de 34 anos de idade, também foi despedido. A razão invocada foi "inaptidão médica" ligada a uma hérnia discal, mas Bechir desconfia que foi "empurrado para fora" da empresa também por causa da barba.
Os dois casos levam o sindicato a falar de uma "radicalização da empresa" contra trabalhadores muçulmanos. "Certas empresas começam a ter comportamentos problemáticos" e a lucrar com a "paranoia" decorrente dos atentados, disse o delegado sindical.

Medidas para "evitar radicalização"
A empresa diz que o despedimento deve-se a desrespeito grave "às regras da sociedade", sem especificar, e não apenas à barba e assegura que os trabalhares se comprometem com um "referencial" de vestuário segundo qual devem apresentar-se ao serviço com o rosto barbeado e que bigodes ou barbas devem ser "curtos, aparados, cuidados e mantidos".
O presidente Michel Mathieu diz que o mesmo cuidado com a apresentação abrange também o uso de gravata ou de roupa apropriada. "Temos 16 mil trabalhadores de todas as cores, todas as religiões e todas as culturas do planeta", disse. Mas garante ter sido alvo de uma "infiltração de trabalhadores radicalizados".
De acordo com o "Paris Match", a empresa sueca já tinha pedido a um supervisor da empresa que vigiasse os trabalhadores muçulmanos, para verificar se rezam durante as pausas
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