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domingo, 20 de dezembro de 2015

PERÍODO POMBALINO (1)




No século XVIII, a vanguarda iluminista estabeleceu transformações notáveis nos modos de administração de várias das monarquias europeias. Inspirados pelas noções de razão e progresso calcados por esse movimento, reis, rainhas e ministros do Velho Mundo empreenderam medidas que procuravam aprimorar o aparelho administrativo e a economia de seus Estados. Seguindo essa tendência, o rei de Portugal, D. José I, indicou Sebastião Carvalho e Melo, marquês de Pombal, como ministro.

Pretendendo sanear a deficitária economia de seu país, o novo ministro combinou ações que reforçavam as práticas mercantis no espaço colonial e dinamizavam o funcionamento da administração nacional. Tomado por essas metas de cunho transformador, o marquês de Pombal enfrentou séria oposição proveniente da nobreza e do clero lusitano, que nem sempre foram prestigiados com as reformas por ele estabelecidas.

Visando o aumento das atividades econômicas no Brasil, ele determinou a criação de companhias de comércio no Grão-Pará, Paraíba e Pernambuco. Na região norte, estimulou a ampliação das plantações de algodão que poderiam atender a crescente demanda oriunda da Inglaterra. Na região das minas, os mecanismos de controle e cobrança foram reforçados e a derrama estipulada como uma cobrança compulsória feita sobre os impostos atrasados dos mineradores de uma mesma região.

Com relação à atuação dos jesuítas, Pombal imprimiu séria perseguição por achar que esses clérigos causavam sério prejuízo tanto em Portugal como no Brasil. Na visão do marquês, o predomínio jesuíta na educação portuguesa impedia o desenvolvimento de uma imprescindível mentalidade modernizadora. No Brasil, a sua influência junto aos índios, a produção de riqueza realizada no interior das missões e os conflitos contra os colonos (como a Guerra Guaranítica, de 1750) ameaçavam a autoridade metropolitana.







Desse modo, apesar da imensa polêmica gerada, Pombal estabeleceu que os jesuítas fossem expulsos do Brasil e que os mesmos não tivessem frente das instituições de ensino. Com relação a essa mesma questão, o marquês de Pombal implantou o subsídio literário, um novo imposto que iria sustentar a contratação de professores sem ligações com a Igreja. Ao longo do tempo, esse projeto de reforma educacional acabou não surtindo o efeito esperado.

Entre outras ações de Pombal, devemos destacar que ele foi o responsável pela extinção definitiva das capitanias hereditárias no Brasil e proibiu definitivamente a escravidão indígena na colônia. Além disso, estipulou que a distinção realizada entre cristãos e cristãos-novos fosse definitivamente extinta. Com isso, ele buscou centralizar a estrutura administrativa aplicada à colônia e diminuir as tensões que pudessem produzir alguma espécie de prejuízo ao governo de Portugal.

Apesar de seus esforços, Pombal não resistiu à grande influência que a Inglaterra tinha junto as questões políticas e econômicas de Portugal, e nem mesmo suportou a clara oposição dirigida por clérigos e nobres. Não por acaso, após a morte do rei D. José I, em 1777, e a chegada da rainha D. Maria I, A Louca, um fato político conhecido como “viradeira” impôs a destituição do marquês de Pombal e a anulação de várias ações administrativas por ele tomadas.

http://historiadomundo.uol.com.br/


12 de Agosto de 1917 - Lançamento da primeira pedra do Monumento ao Marquês de Pombal



Dava-se assim continuidade ao programa de expansão de Lisboa para norte e estabelecia-se uma nova centralidade, com as Avenidas Novas a constituirem-se como a Lisboa do século XX.
Ironicamente, no início do século XXI, a construção do Túnel visa descentralizar a simbólica zona do Marquês, eixo central da entrada na cidade.












13 de Maio de 1934 - Duarte Pacheco na Cerimónia da Inauguração do Monumento ao Marquês de Pombal











Foto da esquerda, década de cinquenta:
vista da Avenida Fontes Pereira de Melo com Estátua do Marquês ao fundo, a partir do ainda e sempre fantástico terraço do Hotel Eduardo VII, na esquina com a Avenida António Augusto de Aguiar.
Foto da direita, 13 de maio de 2006: obras do troço do túnel com ligação à Avenida António Augusto de Aguiar.

luminescencias.blogspot.pt












Baixa Pombalina 

Esfera Armilar

Na sequência do terramoto de 1755, e sob a direcção política do Marquês de Pombal, inicia-se de forma planificada a reconstrução da Baixa Pombalina.
Numa área de 23,5 hectares, criou-se uma nova cidade, cujas fundações emestacaria de pinho estão mergulhadas no lençol freático da zona. 

Toda a região da Baixa está situada sobre um antigo braço do Tejo, sendo o seu terreno de natureza aluvionar, ou sedimentar, razão pela qual esta parte da cidade foi a mais afectada pelo sismo de 1755. 

Os aterros e aluviões são formados por entulhos que formam uma camada heterogénea reduzida, podendo atingir os 30 m de profundidade em algumas zonas. O nível freático (nível de água) encontra-se relativamente próximo da superfície, a cerca de 3,5 m de profundidade.


Neste local, a cidade medieval deu lugar a ruas largas de dois passeios, em quadrícula, com a primeira rede de saneamento público do país. Os novos edifícios apresentam melhorias técnicas significativas, como as paredes corta-fogo e a gaiola pombalina.


As paredes corta-fogo são paredes perpendiculares às fachadas, com 0,5 m de espessura e sem qualquer abertura, que dividem os edifícios desde o rés-do-chão até saírem acima dos telhados. Estas paredes tinham como principal função impedir a propagação de incêndios entre prédios vizinhos.


gaiola pombalina é uma técnica de construção anti-sísmica inovadora a nível mundial. Baseada nos métodos de construção naval, a gaiola consiste numa estrutura de madeira tridimensional revestida por paredes de alvenaria, que permite dissipar a energia transmitida por um sismo, sem provocar estragos consideráveis no edifício. A estrutura interior de madeira está ligada às paredes exteriores através de peças metálicas.


A autoria da gaiola é atribuída ao Arq. Carlos Mardel que, segundo a tradição oral, terá realizado um ensaio sísmico da estrutura no Terreiro do Paço, colocando um modelo sobre um estrado e sujeitando-o à marcha de um destacamento militar, de modo a reproduzir os efeitos de um sismo.
Para apreciar a técnica de construção pombalina, bem como os vários estratos de ocupação humana da cidade, desde a pré-história, pode visitar o Núcleo Arqueológico da Rua dos Correeiros, nº 9.

www.pavconhecimento.pt

Marquês de Pombal e a crise do 

sistema colonial



Como déspota esclarecido, a figura mais 

controversa e carismática da história 

portuguesa se tornou um herói nacional 

em sua pátria, enquanto era apenas tido 

como um tirano opressor no Brasil colônia

Por: Morgana Gomes
António Fernandes Roiz

No reinado de D. José I, que se estendeu de 1750 a 1777, Sebastião José de Carvalho e Melo, mais conhecido como Marquês de Pombal, foi nomeado primeiro-ministro do governo português. Durante os 25 anos em que ocupou o cargo, por agir como déspota esclarecido, dirigiu os destinos portugueses e coloniais, com o objetivo de retirar o atraso de seu país em relação aos centros mais dinâmicos da economia europeia e diminuir o grau de dependência de Portugal para com a Inglaterra.


Com esse intuito, iniciou várias reformas 

administrativas, econômicas e sociais. 


Uma após ser empossado, teoricamente, 

acabou com a escravatura no continente 

português, mas, na prática, colocou um 

fim nos autos de fé e na discriminação 

dos cristãos-novos, embora não tenha 

extinguido oficialmente a Inquisição 

portuguesa, que vigorou até 1821.


A escolha do seu nome por D. José I foi baseada em precedentes. Durante o reinado de D. João V, Carvalho e Melo já tinha sido embaixador nas cortes do reino da Grã-Bretanha, em Londres, Inglaterra, e do Sacro Império Romano-Germânico, em Viena, Arquiducado da Áustria.
Aos poucos, o Marquês de Pombal se tornou uma das figuras mais controversas e carismáticas da história portuguesa, o que não impediu certa discordância de opinião entre alguns setores das elites portuguesas, que o veem como um herói nacional, e os brasileiros da Região Sul, que preferem chamá-lo de tirano e opressor.


De um modo ou outro, sua administração ficou marcada por duas contrariedades célebres. A primeira foi o terremoto de Lisboa de 1 de novembro de 1755, que lhe impôs o papel histórico de renovador arquitetônico da cidade e rendeulhe poderes que o tornaram uma espécie de ditador. A segunda se refere ao Processo dos Távoras, uma intriga com consequências dramáticas que ocorreu em 1758. Nesse ano, D. José I, durante atentado, acaba ferido. A autoria do atentado foi atribuída à família dos Távoras e ao duque de Aveiro que, após um breve julgamento, foram executados.
Claude Joseph Vernet e Louis Michel Van Loo
O MARQUÊS DE POMBAL EXPULSANDO OS JESUÍTAS; OBRA DE 1766, DE AUTORIA DE LOUIS-MICHEL VAN LOO E CLAUDE-JOSEPH VERNET

http://psiquecienciaevida.uol.com.br/

Processo dos Távoras

Decorria o ano de 1758 e Portugal era palco de um vasto conjunto de reformas com o objetivo de sair da miséria na qual mergulhou devido à diminuição das remessas de ouro recebidas do Brasil.
Debaixo deste cenário, e face às novas políticas mercantilistas que surgiram do pensamento iluminista que ignoram a estrutura nobiliárquica privilegiando uma lógica de poder economicista, a nobreza portuguesa ficou bastante descontente com o governo do rei D. José.
Uma das grandes famílias da alta nobreza que estava contra estas mudanças era a família Távora.
Esta família era possuidora de uma enorme fortuna e da sua história constavam vários serviços prestados aos diversos reis de Portugal ao longo dos séculos.
Em Setembro de 1758, D. Francisco de Távora tinha acabado de regressar da Índia, onde tinha sido vice-rei, e assumiu-se como o porta-voz da discórdia dos nobres e da oposição política às reformas do primeiro-ministro, Sebastião José Carvalho e Melo, hoje conhecido como Marquês do Pombal.
Por isso, Sebastião José odiava a família dos Távoras.

Processo dos Távoras – O Atentado

O problema é que, com este ambiente conflituoso, tornava-se complicado para D. José visitar a sua amante, Mariana Teresa de Távora, nora dos marqueses velhos.
Mas um dos confidentes de D. José, de seu nome Pedro Teixeira, aconselhou-o a viajar na sua própria carruagem e assim poderia visitar a sua amante sem que ninguém soubesse, visto que a carruagem real dava muito nas vistas. D. José aceitou imediatamente a ideia e nessa mesma noite foi visitar Mariana de Távora.

D. Leonor Tomásia de Távora, morta durante o Processo dos Távoras (Autor: Imagem em domínio público)
D. Leonor Tomásia de Távora, morta durante o Processo dos Távoras (Autor: Imagem em domínio público)
Mas, quando D. José regressava a casa, foi vítima de um atentado que provocou graves ferimentos, tanto a si próprio como ao cocheiro.
O rei D. José não sabia que o seu amigo, Pedro Teixeira, tinha criado problemas, relacionados com mulheres, com o Duque de Aveiro. Mas, o primeiro-ministro, Sebastião José, que sabia disso, imediatamente proibiu Pedro Teixeira de contar ao rei que havia a possibilidade de o atentado ser contra ele e não contra o rei, percebendo que tinha aí a oportunidade de se livrar de uma vez dos Távoras, dos Aveiros e dos Atouguias, que constantemente lhe faziam frente.
O primeiro-ministro faz então questão de tomar as rédeas da investigação, colocando-a nas mãos de um juiz da sua confiança. Depois, ele consegue que o rei assine um decreto em que promete subir o grau de nobreza de quem der informações confiáveis de quem foi o autor do atentado. Após isso, surgem informações que dizem que o atentado teve a autoria dos Távoras com a ajuda dos Aveiros e dos Atouguias.
Depois disso, debaixo de tortura, Sebastião José consegue retirar da boca de duas supostas testemunhas a versão da história que ele queria ouvir, de modo que, daí até à condenação à morte tudo ocorreu num ápice.

Condenação e Execução

No total foram condenadas à morte, por corte de cabeça, 18 pessoas. Aos restantes familiares e criados foi dada como pena a sua mutilação até à morte.
A mutilação envolveu a quebra de ossos das pernas e dos braços e finalmente o esmagamento do tórax. Depois os corpos seriam todos queimados.
A execução ocorreu em Belém, que na altura era apenas uma pequena aldeia piscatória nas margens do Tejo.  Este foi o maior massacre ocorrido em Portugal.
O rei e principalmente o primeiro-ministro obrigaram todas as figuras da alta nobreza a estarem presentes neste massacre para que se acalmassem e não caíssem também no erro de se impor contra as suas políticas.
Segundo o que se diz, as chamas da fogueira em que todos os corpos foram queimados eram tão altas que era possível avistá-las desde os morros de Almada.
Diz-se também que o cheiro a carne queimada inundou Lisboa que se encontrava destruída pelo terramoto e pelas doenças que se abateram sobre os lisboetas.
Ainda hoje, esses acontecimentos macabros fazem parte das memórias de um povo, naquele que ficou conhecido como o Processo dos Távoras.
É caricato pensarmos que, apenas cem anos depois, Portugal tornava-se no primeiro país europeu a abolir a pena de morte.


www.historiadeportugal.info


1 comentário:

José Gonçalves Cravinho disse...

Mas depois com Maria Pia (a louca)os jesuítas voltaram em fôrça e o Povo em face das dificuldades da porca da vida,exclamava:-Mal por mal,antes Pombal.