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terça-feira, 8 de dezembro de 2015

O Jornalismo ainda é um pilar da democracia?

 

jornaisO encerramento da empresa angolana Newshold detentora dos jornais i e Sol, levou ao despedimento de cerca de 120 pessoas, das quais 66 transitarão para uma nova empresa detida pelo ex-administrador Mário Ramires se aceitarem as drásticas condições impostas por este para a manutenção dos dois títulos .
Costuma dizer-se que o capital não tem pátria. Mas o problema é que o capital tem donos e rostos e esses têm história e passado e isso conta quando se trata de avaliar as condições de independência política e solidez económica para deterem empresas jornalísticas que assegurem o pluralismo e a diversidade no quadro ético-legal em que se inserem.
O que está a acontecer nos jornais i e Sol mostra que o interesse da Newshold, detida pelo empresário angolano Álvaro Sobrinho, ex-presidente do BES Angola, nos media portugueses não era apenas um projecto jornalístico nem um investimento de natureza económica, uma vez que ambos os jornais foram sempre deficitários. Temos então de constatar que outros interesses moveram  Álvaro Sobrinho, personalidade ligada ao mundo político e financeiro em Portugal e em Angola. A posse de dois jornais em Portugal conferiram-lhe um poder de influência e de combate político que provavelmente considerou estar agora esgotado. Manter os dois jornais serviu a sua estratégia durante um determinado tempo, após o qual suportar os prejuízos não se terá justificado.
A Newshold tem em Portugal um historial muito pouco transparente quanto à identidade dos seus accionistas, durante muito tempo desconhecida do público e dos próprios jornalistas da empresa. Já então se adivinhava que o projecto não era jornalístico mas sim político, independentemente das intenções e até da qualidade de muitos dos profissionais que o apoiaram e o fizeram.
A decisão de encerrar abruptamente o Sol e o i, lançando no desemprego mais de uma centena de trabalhadores devia servir de aviso a jornalistas e outros trabalhadores dos media para não embarcarem em projectos sem viabilidade económica oriundos de entidades cujos interesses nos media não são claros nem transparentes. Criar jornais não pode ser uma arma contra ou a favor de interesses particulares.
A crise da imprensa  não pode ser encarada apenas como um problema dos accionistas e dos jornalistas. É sobretudo um problema de um modelo que não encontrou ainda uma alternativa ao modelo de negócio tradicional. Os cidadãos procuram e encontram informação gratuita nas redes sociais, o jornalismo distingue-se cada vez menos de outras formas de escrita, dar “notícias” está ao alcance de todos, a publicidade investe sobretudo na televisão novas plataformas e nos novos media.
Os jornais, tal como os conhecemos hoje, não desaparecerão mas estarão cada vez mais confinados a nichos. O jornalismo sobreviverá na internet mas resta saber se continuará a ser um pilar da democracia.

vaievem.wordpress.com

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