Terrorismo de Estado: estilo franco-americano
Para entender o que se passa na Síria 1 : A Agenda politico-militar do Imperialismo sionista
Terrorismo de Estado: estilo franco-americano
Global Research, December 04, 2015
"Bem, nós temos informações suficientes para saber que esta assim chamada guerra contra o terrorismo é uma farsa. Os Estados Unidos e seus aliados estão envolvidos em uma criminosa atividade de violação do direito internacional e numa violação dos direitos de um país soberano. Trata-se de geopolítica e de conquista econômica. Eles estão usando a guerra contra o terrorismo como pretexto. Na verdade a campanha de bombardeios veio realmente como resposta ao fato de que as forças do governo sírio em 2014, tinham conseguido pacificar uma grande parte do seu território. Tem-se então que muitas bolsas terroristas tinham sido eliminadas. Foi por isso que a campanha de bombardeios foi iniciada. Depois ainda vieram o recrutamento e a formação de terroristas a partir da Arábia Saudita, do Qatar, e ainda de outras partes."
“Guns And Butter” entrevista com Michel Chossudovsky
A mais recente investigação sobre o ataque em Paris, alegadamente feito
pelo Estado Islâmico, DAESH, assim como o do Radisson Hotel em Bamako,
no Mali, é discutida na entrevista que poderá ser lida aqui nesse
relatório..
Essa é uma análise do estado atual do financiamento do terror dentro de
um quadro da geopolítica global e da estrutura econômica..
Os tópicos incluem:
· A contradição fundamental que se encontra nas bases da narrativa oficial da guerra contra o terror de maneira geral e mais especificamente contra o Estado Islâmic, ou ISIS.
· Estado islâmico, uma criação da inteligência norte-americana;
· A agenda geopolítica; a militarização da África; a Conferência de Berlim no final do século 19;
· A presciência do ataque – Paris terror;
· Escalada militar da França contra a Síria foi planejada antes dos ataques atuais;
· A replicação do discurso de 9/11 como um pretexto para justificar uma nova onda de bombardeios contra a Síria;
· Ataque por uma potência estrangeira justifica um estado de guerra;
· A Doutrina de Segurança Coletivo, o Artigo 5 da OTAN;
· A comunidade Muçulmana submetido a uma caça às bruxas; a criminalização do estado e o sistema financeiro;
· O fim da República francesa.
Transcrição completa da entrevista abaixo.
“GUNS AND BUTTLER”
Full Transcript of Interview below (scroll down)
Foi Ao Ar: em 25 de novembro de 2015
Transcrição:
Aqui fala “Guns and Butter” –
Prof. Michel Chossudovsky – “Mas a coisa é que para aplicar uma
agenda imperial, você tem que sucatar a república. Júlio César entendeu
isso perfeitamente bem. Eu não consigo lembrar a citação exata, mas ele
disse que não se pode construir um império sem acabar com a república.
Eu acho que, na verdade, o que está acontecendo é que a república está
sendo desmantelada. Ela não está sendo descartada só na França; ela está
sendo descartada na América também.”—Michel Chossudovsky
Aqui fala Bonnie Faulkner. Hoje em “Guns and Butter“. Com Michel Chossudovsky. Apresentando aqui, “O terrorismo de estado: estilo franco-americano.”
Michel Chossudovsky é economista assim como o fundador, diretor e
editor do Centro de Investigação sobre a Globalização com base em
Montreal, Quebec. Ele é autor de 11 livros, incluindo A Globalização da
Pobreza e a Nova Ordem Mundial, a Guerra e a Globalização, A Verdade por
trás do 11 de setembro, Guerra da América contra o Terrorismo, e A
Globalização da Guerra: A Longa Guerra da América contra a Humanidade.
Hoje vamos discutir seus artigos mais recentes sobre a alegada
responsabilidade do DAESH (ISIS) no ataque terrorista em Paris, assim
como no Radisson Hotel em Bamako, Mali, uma ex-colônia francesa. Vamos
analisar o atual estado do patrocínio do terror dentro de um quadro da
geopolítica global assim como da estrutura econômica.
Bonnie Faulkner : Michel Chossudovsky, benvindo.
Michel Chossudovsky : Tenho muito prazer de estar em “Guns and Butter”.
Bonnie Faulkner : Em 13 de novembro de 2015 tiroteios e atentados
suicidas ocorreram em cinco localidades diferentes em Paris, capital da
França. Cento e trinta pessoas foram mortas. Menos de uma semana depois
dos ataques em Paris um grupo de pistoleiros fortemente armados invadiu
o Radisson Blu Hotel em Bamako, capital do Mali, ex-colônia francesa.
Nesse ataque foram mortas 21 pessoas. Houve uma recente sequência de
ataques terroristas. Entre esses tem-se os bombardeios em Beirute e a
derrubada do avião russo de passageiros sobre o deserto do Sinai. Onde
você acha que nós deveríamos começar na nossa tentativa de responder as
perguntas que se precipitam por causa de todos os recentes ataques
terroristas?
Michel Chossudovsky – Eu acho que há uma contradição fundamental
na narrativa oficial, tanto dos Estados Unidos e, é claro, da França e
seus aliados. Os Estados Unidos dizem estar conduzindo uma guerra contra
o terrorismo e contra o chamado Estado Islâmico, mas a evidência
confirma que o Estado Islâmico, e várias outras organizações terroristas
relacionadas a al Qaeda, são criações dos serviços de inteligência dos
EUA. Eles são o que na linguagem dos serviços secretos se denomina como
“nossos bens e ativos”.
Uma outra dimensão é que na verdade Obama não está desenvolvendo uma
campanha contra os terroristas, porque esses terroristas são, na
verdade, os soldados da Aliança Militar Ocidental na Síria. Na verdade,
eles estão protegendo os terroristas. Isso foi amplamente confirmado. O
início do bombardeio russo chamou a atenção para esse fato porque os
Russos estão indo contra os verdadeiros terroristas.
Quando uma ocorrência como a de Paris ou de Bamako é apresentada à mídia
o que essa faz é simplesmente copiar e colar a narrativa oficial, sem a
apresentação de uma análise ou de uma compreensão do que na verdade
sucedeu, ou mesmo de um histórico dos acontecimentos, o que no caso
seria também o que estaria por trás destas organizações terroristas.
Quase que imediatamente na sequência dos ataques terroristas em Paris a
mídia francesa entrou em estado de atividade acelerada indicando
inequivocamente – e isso foi até mesmo antes do conduzir de uma
investigação da polícia – que o Estado Islâmico estava indiscutivelmente
por trás destes ataques.
Na sequência dos ataques o presidente François Hollande ordenou por
decreto o estado de emergência nacional, a suspensão das liberdades
civis, o direito de entrar nas casas das pessoas e prender a quem lhes
interessasse e isso sem mandatos especiais. Ao mesmo tempo fecharam-se
as fronteiras. Se bem me lembro tudo isso foi anunciado poucos minutos
antes da meia-noite, no dia 13 de novembro, hora local, antes de
qualquer consulta com o seu gabinete e colegas. Na verdade ele confirmou
que a reunião de gabinete teria lugar posteriormente. Em seu discurso
ele disse que: “Nós sabemos quem eles são.” Imediatamente a mídia
francesa passou a dizer que esse seria o estilo francês do 9/11 dos EUA.
Em outras palavras. – “Le 11 Septembre à la Française.” – A seguir a
história oficial prevaleceu.
A história oficial é baseada, como acima mencionado, numa contradição
fundamental. Você não pode, por um lado, dizer que é vítima de Estado
Islâmico, quando, na verdade, você é o criador do Estado Islâmico. É um
non sequitur. Você não pode dizer que os ataques – e ele foi muito
explícito – foram de fora da França, originários da Síria, sem
apresentar provas convincentes. Você não pode dizer que os ataques
originados da Síria foram dirigidos contra a república francesa e ao
mesmo tempo em que dá suporte, secretamente, a esses mesmos terroristas.
Há amplas evidências de que não apenas os Estados Unidos e seus
aliados, mas também a França apoiam o ISIS e seus grupos afiliados,
tais como o Grupo de Combate Líbia Islâmica, com armas, treinamento,
financiamento e assim por diante.
O público francês assim como o público dos países ocidentais em geral
tem sido levados a acreditar que os terroristas estão envolvidos em
crimes contra a humanidade sem perceber que, na verdade, seus serviços
de inteligência, que estão sob os auspícios de um governo eleito, estão a
manipular essas organizações terroristas, assim como a apoiá-las,
fornecendo-lhes armas e tudo o mais.
Bonnie Faulkner : Você escreve que o alegado arquiteto dos
ataques de Paris, tinha sido originalmente um al Qaeda afiliado, e que
essa entidade terrorista tinha sido criada pelos serviços de
inteligência dos EUA com o apoio da MI6 da Grã-Bretanha, da Mossad de
Israel, do ISI do Paquistão, Inter-Services Intelligence, e da GIP da
Arábia Saudita, ou seja da Inteligência Geral da Presidência. Você
escreveu que, “desde o início a campanha de bombardeios de Obama que
começou em agosto/setembro de 2014, tinha nos conduzido a coalizão, e
que essa não bombardeava as posições do Estado Islâmico, ISIS.”
Teria
toda essa campanha sido falsa?
Michel Chossudovsky : Bem, absolutamente. Esta é uma
autoproclamada campanha de luta contra o terrorismo, mas na verdade ela
serve mesmo é para justificar o bombardeio de um país soberano em
derrogação do direito internacional. Os Estados Unidos pressionam o
governo de Bashar al-Assad a renunciar. Eles querem uma mudança de
regime, o que eles não foram capazes de conseguir apesar de quatro anos
de intensas atividades terroristas que eles vêm patrocinando. Quanto ao
último ano – nós estamos falando aqui sobre os bombardeamentos das
incursões militares que duraram 13 meses ou mais – esses foram para
apoiar as entidades terroristas.
Agora, poderiam me perguntar de onde eu tirei as informações do que
estaria por trás desses terroristas. Nesse caso eu poderia dizer-lhes
que desde os primeiros dias, em março de 2011, os terroristas tinham
sido enviados para a área com o apoio da Aliança Militar Ocidental. Na
verdade, isso foi relatado em agosto de 2011 pelo DEBKA, que é uma
inteligência de mídia on-line. Eu não estou dizendo que eu confio na
fonte DEBKA, mas nela se reconhecia de forma muito clara, o que foi
corroborado por outros estudos, ou seja, que a iniciativa da Aliança
Militar Ocidental, na verdade, tinha sido lançada pela OTAN e que essa
consistia na criação de uma campanha para alistar milhares de
voluntários Muçulmanos em países Muçulmanos. A atividade deveria ser
coordenada pela OTAN, em Bruxelas, e pelo alto comando turco, e isso foi
exatamente o que aconteceu.
Levou um bom tempo para a opinião pública perceber que as chamadas
forças de oposição contra o governo de Bashar al-Assad na verdade eram
forças terroristas. Então, quando as atrocidades começaram eles
invariavelmente diziam que era Bashar al-Assad a matar o seu próprio
povo enquanto a mídia ocidental esteve sempre lá para acusar.
Bem, nós temos informações suficientes para saber que esta assim chamada
guerra contra o terrorismo é uma farsa. Os Estados Unidos e seus
aliados estão envolvidos em uma criminosa atividade de violação do
direito internacional e numa violação dos direitos de um país soberano.
Trata-se de geopolítica e de conquista econômica. Eles estão usando a
guerra contra o terrorismo como pretexto. Na verdade a campanha de
bombardeios veio realmente como resposta ao fato de que as forças do
governo sírio em 2014, tinham conseguido pacificar uma grande parte do
seu território. Tem-se então que muitas bolsas terroristas tinham sido
eliminadas. Foi por isso que a campanha de bombardeios foi iniciada.
Depois ainda vieram o recrutamento e a formação de terroristas a partir
da Arábia Saudita, do Qatar, e ainda de outras partes.
Tudo isso é conhecido e o que acontece é que a mídia ocidental vai, ao
fim e ao cabo, reconhecer o fato de que a Turquia é responsável por
isso, aquilo e aquilo outro, que na Arábia Saudita não se pode confiar e
que eles estão apoiando os terroristas. Do Qatar dirão que esses também
estão a apoiar os terroristas. Mas é claro que os mesmos não dirão que
os próprios países ocidentais estão a apoiar os terroristas e que esses
seus aliados estão obedecendo ordens. O Qatar não é realmente um país; é
um proxy-estado do Golfo pérsico. Ele obedece ordens.
Há toda uma série de bases militares e de inteligência perto de Doha, capital do Qatar.
Na Arábia Saudita é o mesmo. Estes são os países que estão alinhados com
Washington. Eles recebem ajuda militar. EUA lhes diz o que devem fazer
ou não. Historicamente, indo de volta a guerra entre a União Soviética e
o Afeganistão, sabemos que o serviço de inteligência militar do
Paquistão, o Inter-Services Intelligence, ISI, e seus homólogos da
Arábia Saudita eram os financiadores desta operação e que eles
recrutavam terroristas.
Tudo isso foi confirmado por Brzezinski e muitos outros. Tudo isso é
conhecido. A CIA não o nega. O que eles dizem, é claro, é que depois da
Guerra Fria, eles terminaram a sua relação com a al Qaeda e que a mesma
então tinha se voltado contra eles, por assim dizer.
Este é um disparate absoluto. Por um lado os terroristas continuam a ser
treinados no Afeganistão e no Paquistão. Na verdade Belmokhtar, o
proclamado arquiteto do recente bombardeio de hotel em Bamako, foi
recrutado pela CIA, em 1991. A guerra Soviética-Afegã, já terminou,
assim também como a guerra fria, mas a CIA continua a recrutar essas
pessoas.
Quem estão eles a recrutar?
Eles recrutam, entre outras coisas, potenciais para os serviços de
inteligência a serem implantados em um número de países da ex- União
Soviética. Claro que aqui entra também a Federação Russa e a Chechênia,
mas recrutam ainda por ex. para o Oriente Médio.
BelMokhtar, do recente ataque em Mali, foi treinado no Paquistão e no
Afeganistão pela CIA e, em seguida, ele foi enviado de volta para a
Argélia, em 1993. Hoje em dia ele está atrás de uma fração do que é
conhecido como a Al-Qaeda no Magrebe Islâmico. A operação em Bamako foi ,
alegadamente, realizada pelo seu grupo e a organização mais ampla, a
acima denominada al-Qaeda no Magrebe Islâmico, AQIM, ela mesma uma
afiliada da al Qaeda.
Devo mencionar que AQIM está também muito integrado com a chamada Libya
Islamic Fighting Group (LIFG), que foi apoiada pela OTAN, durante a
campanha da OTAN contra a Líbia, em 2011, de modo que a OTAN apoia esse
Grupo Líbio de Combate Islâmico (Libya Islamic Fighting Group (LIFG)
que, na verdade, tem mais ou menos conjuntamente com AQIM, o arquiteto
do ataque terrorista em Bamako, Mali, ou seja, a mítica figura de
Belmokhtar, o recrutado tornado arquiteto do recente ataque em Mali, que
como acima mencionado, foi treinado pela CIA.
A CIA está por tudo, e eles não negam, porque as provas são muito
convincentes. Os serviços de inteligência dos países ocidentais estão a
apoiar os terroristas ao mesmo tempo que os governos desses países
ocidentais desenvolvem campanhas militares supostamente para combater o
Estado Islâmico, quando na verdade, eles estão também a apoiar o mesmo.
Eles usam isso tudo como pretexto para bombardear um país soberano o que
resulta em dezenas de milhares de vítimas, em crises de refugiados, na
destruição de cidades inteiras. Tudo isso e muito mais. Na Síria isso
já vai a mais de quatro anos.
Não precisamos começar a nos engajar em qualquer tipo de teoria
conspiratória para sublinhar o fato de que os serviços de inteligência
da França e os Estados Unidos estão a apoiar ISIS, e que ISIS é
designado como ameaça à segurança da nação francesa. Há aqui
naturalmente uma contradição óbvia. Não se pode apoiar o ISIS e, em
seguida, fazer um discurso contrário – estou falando sobre o Presidente
Hollande – e dizer que ‘Nós sabemos quem eles são, que eles estão nos
atacando, e que estão matando nosso povo.’ Eu acho que no mínimo, o
Presidente François Hollande tem sangue em suas mãos.
Bonnie Faulkner : Agora, você está se referindo a Bamako, os
ataques a Mali, os mais recentes ataques terroristas. As notícias
relatam que as operações terroristas de Bamako foram coordenadas por
Mokhtar Belmokhtar, a quem você mencionou. Na sua opinião qual seria a
importância dos ataques em Bamako? Foram esses ataques em Bamako, Mali,
relacionados com os de Paris? Por exemplo, qual foi o papel da França
na guerra contra a Líbia de então e na queda de Muammar Gaddafi? O que
representa tudo isso?
Michel Chossudovsky : Deixe-me colocar desta forma. Tanto os
ataques de Paris, assim como os de Bamako têm implicações geopolíticas.
Primeiro, com relação a Paris, vale a pena notar que uma semana antes
destes ataques ocorrerem o governo Hollande havia ordenado o uso do
Charles de Gaulle porta-aviões, do grupo para o Mediterrâneo oriental,
como apoio da suposta campanha contra o terrorismo na Síria. Isso mostra
que mesmo antes dos ataques ocorrerem, já estavam se preparando para
enviar esta poderosa marinha com a sua força aérea de ataque para o
Oriente Médio para apoio da campanha de Obama contra a ISIS.
Seguindo os ataques de Paris, como podemos nos lembrar, a força aérea
francesa comunicou que tinha bombardeado a sede da ISIS, na Síria. Na
declaração oficial do Ministério da Defesa foi dito depois que todos os
ataques tinham sido orientados contra os postos de comando dos
terroristas. Entretanto, nós temos informações da Síria que, de fato, os
alvos atingidos por esses ataques foram clínicas de saúde, um museu e o
estádio; em outras palavras, a infraestrutura civil do país. Ataques
contra a infraestrutura civil da Síria eram contínuos e persistiram
desde o ano passado, quando os Estados Unidos começaram seus próprios
bombardeios contra a Síria.
Agora, com relação a Bamako a agenda geopolítica é essencialmente a de
criar um pretexto e uma justificação para a intervenção da França e dos
Estados Unidos na África Sub-Sahariana. Eles estariam direcionando suas
ações, supostamente é claro, contra organizações terroristas que
ameaçavam governos parceiros na África – o que é absurdo, porque eles
controlam essas organizações terroristas, seja ela a Al-Qaeda no Magrebe
Islâmico, ou Boko Haram na Nigéria, ou o Grupo de Combate da Líbia
Islâmica (LIFG).
Todas essas organizações fazem parte dos “bens e ativos de
inteligência”, ou seja capital humano, os quais estão sendo usados para
desestabilizar países soberanos.
Os ataques terroristas de Bamako serão sem dúvida utilizados pela França
e pelos Estados Unidos para re-colonizar a África em termos de
militarização de todo o continente, indo do controle dos recursos, a
desestabilização da ordem pós-colonial da sociedade, e muito mais. Isso
estão fazendo através de vários mecanismos. Eu suspeito que a
geopolítica subjacente aos ataques terroristas em Bamako é a
militarização da África. Devo mencionar que a USAFRICOM, ou seja, o
comando africano dos americanos, também enviou um contingente a Mali
para ajudar as forças especiais dos franceses e os malineses as quais
tinham invadido o hotel, durante os acontecimentos relacionados aos
ataques. Nós acreditamos que esse Comando-África, ou seja o US-AFRICOM é
a chave mestra para a militarização da África.
Devo mencionar aqui também que François Hollande é, na verdade, um
instrumento dos Estados Unidos. Ele age em nome de Washington, que não
tem absolutamente nenhum interesse em realmente proteger esferas de
influência dos franceses na África Ocidental, por exemplo. A aliança com
os Estados Unidos – é uma aliança de subordinação. A França está
subordinada a Washington – e isso é, na verdade, para preparar o caminho
em direção a nova colonização do continente africano, que,
historicamente, recordemos, foi realmente colonizado pelos europeus. No
final do século 19, na chamada Conferência de Berlim, a África foi
dividida e esculpida em diferentes partes e seções, mas a América não
estava incluída no processo.
Agora, o que vemos emergir é, na verdade, o deslocamento das antigas
potências coloniais na África. As ex-colônias de Portugal, Espanha,
Bélgica e agora da França serão, em última análise, deslocadas para os
Estados Unidos. Países francófonos estão a tornar-se americanizados. O
dólar irá eventualmente substituir o franco CFA, que é um proxy moeda
vinculada ao tesouro francês, mas amarrada em euro.
Eu acho que esse é o cenário que se apresenta. É a tentativa de
conquista do continente africano pelos americanos. Isso está se tentando
fazer através do auto-proclamado mandato do governo de Obama para ir
atrás dos terroristas na África Sub-Sahariana. Aqui tem-se então o Boko
Haram, AQIM, e muitos outros grupos terroristas no continente, que como
mencionado acima, são categorizados como “bens e ativos” – capital
humano – dos que estão fazendo isso nas diversas áreas africanas, onde
pretendem expandir sua zona de influência.
É claro que, no Sudeste da Ásia tem-se a Jamiya Islami (JI) na Indonésia
e na Malásia e depois naturalmente, várias outras organizações
jihadistas, na parte ocidental da China, que estão envolvidas,
novamente, em rebeliões. Todas apoiadas pelos serviços de inteligência
ocidental através do ISI do Paquistão.
Bonnie Faulkner: Parece que os Estados Unidos e a França estão
trabalhando muito estreitamente sendo que há evidências de que a
escalada militar francesa dirigida contra a Síria foi planejada antes
dos ataques terroristas do 13 de novembro. Que provas existem, se
houverem, da presciência oficial de Paris quanto aos ataques
terroristas?
Michel Chossudovsky: Você está absolutamente certo . A França tem
participado em ataques bombardeiros desde o início. Ironicamente, eles
operam dos Emirados Árabes Unidos, o qual não só hospeda como também
treina organizações terroristas.
Com relação à presciência, eu não quero, necessariamente, lidar com isso
nesses termos, mas tem certos eventos que eu considero como
reveladores. O fato de que cerca de um mês e meio antes dos ataques em
Paris havia um certo artigo no Paris Match, que é um tablóide, uma
revista que é amplamente lida e que lidera quanto a dar o tom a ser
seguido.
Neste artigo do Paris Match afirmava-se que dentro de um curto período
de tempo, iria haver um ataque terrorista. Eles usaram o termo “9/11 de
estilo francês, ou em francês “La 11 septembre à la française.” Esse era
também o título do artigo. “O 11 de setembro à francesa”.
O Paris Match no dia 2 de outubro previu um ataque terrorista na França
semelhante ao dos Estados Unidos em 11 de setembro de 2001, mas de
estilo francês. Eles disseram que os ataques na França seriam numa
escala comparável à do 9/11 nos Estados Unidos. Eles também disseram que
os serviços de inteligência preocupavam-se com a possibilidade de um
9/11, de estilo francês. Então você pode agora se perguntar qual teria
sido o propósito desta reportagem. Seria o caso de mídia desinformação?
Estaria ele lá para criar uma atmosfera de medo e de intimidação antes
dos acontecimentos virem?
Ironicamente, quando os eventos realmente ocorreram a mídia simplesmente
reafirmou o que tinha sido dito acerca de um mês e meio atrás. Eles
disseram: ‘este é um ataque terrorista semelhante a 9/11.’ Eles também
apontaram o presumido culpado imediatamente, não como presumido, mas
como certo e isso sem qualquer tipo de prova. Afirmaram categoricamente
em uníssono que estes ataques vinham da Síria. Então, como podemos
recordar, alguns dias mais tarde o presidente francês depois de ter
declarado um estado de emergência nacional começou a afirmar:- “este é
um ato de guerra contra nós”, apesar do fato desse não ser um ato de
guerra. O que aconteceu deveria ser categorizado como um ato terrorista,
não como um ato de guerra. Entretanto o presidente da França descreveu o
acontecimento como um ato de guerra. Ele disse que a França estava
sendo atacada por uma potência estrangeira, e que essa potência
estrangeira estava localizada no norte da Síria, em alguma parte em
Raqqa.
Isso é o mesmo que dizer : - … acontece apenas que apoiamos esses
terroristas, mas temos de invocar, em um sentido, o fato de que estamos
sendo atacados de fora, por uma potência estrangeira, para que possamos
em seguida então afirmar com nossos parceiros de coalizão da OTAN e da
União Europeia a doutrina da segurança coletiva.
Esse é então o Artigo 5 da OTAN, que diz que um ataque contra um membro
da OTAN é um ataque contra todos os membros da OTAN. Isso foi exatamente
o que os americanos invocaram, em 12 de setembro de 2001, na sequência
do ataque de 9/11. Afirmaram que era um ataque contra os Estados Unidos
a partir do estrangeiro – apesar de não se ter visto nem testemunhado
qualquer que fosse avião afegão, ou nem mesmo quaisquer outros aviões
estrangeiros fora de rota nos céus de Nova York.
A França está fazendo exatamente o mesmo. Eles estão replicando o
discurso de 9/11 dizendo que este é um ataque a partir de uma potência
estrangeira; acontece apenas que essa potência estrangeira é no norte da
Síria, em algum lugar. Estão usando isso como pretexto para escalar a
guerra contra a Síria, e não contra os seus próprios proxy-terroristas
em Raqqa. Fazem isso então para justificar uma nova onda de bombardeios
pelas forças da coalizão. Eu acho que essa é, em última análise, a ordem
do dia.
Michel Chossudovsky : Então eles têm que enfrentar a Rússia,
porque a Rússia está indo contra os verdadeiros terroristas. Eu acho que
uma das dimensões dos ataques de Paris é que a coalizão precisava de um
mecanismo, ou um pretexto, para minar os empreendimentos da Rússia que
consiste essencialmente em destruir os soldados da Aliança Militar
Ocidental, que são os terroristas – essas várias entidades, que são
apoiadas secretamente pela CIA, MI6, Mossad, e que são integradas por
forças especiais em permanente articulação com a Aliança Militar
Ocidental. Estes soldados têm seus comandantes e os comandantes também
cooperam com a OTAN e os Estados Unidos.
O fato é que Israel também está por trás dos terroristas e nem se
precisa especular sobre isso. Eles realmente dizem que tem uma
facilidade nas colinas de Golã. Eles estão levando terroristas feridos
da Síria às colinas de Golã, onde tem suas instalações hospitalares. As
formações terroristas tem consultores israelenses. Temos photo de
Netanyahu com comandantes terroristas tendo tratamento hospitalar nas
colinas de Golã.
O problema é que o que estamos discutindo aqui não terá cobertura na
mídia. O público está sendo asfixiado abaixo de uma avalanche de
discursos humanitários. Pessoas inocentes estão sendo mortas e os
terroristas continuam a atacar pessoas inocentes, o que, em última
análise, cria dentro de todos nós um sentimento de solidariedade com as
vítimas, mas também um sentimento de medo. Quando a morte se manifesta,
nós sentimos.
Então o que fazemos é correr para o lado do governo. O que é que todos
na França estão fazendo? Todos compactuam com o governo francês. Mesmo
as pessoas que odeiam François Hollande estão a compactuar com o governo
francês, porque o governo francês está lá para protegê-los, e as
pessoas estão chocadas e preocupados com tanta perda de vida.
Esse conceito, ou melhor, esse procedimento como que automático, está
bem estabelecido em nós como seres humanos, e daí vem a doutrina
militar. Eu deveria lembrar os ouvintes a respeito da chamada “Operação
Northwoods”. Essa doutrina viu a luz do dia durante a administração
Kennedy. A doutrina contida na denominada “Operação Northwoods” motivou
um plano secreto feito pelos Chefes do Estado Maior – Joint Chiefs of
Staff – para começar a matar pessoas na comunidade cubana em Miami,
assim como em Washington próprio, com vistas a justificar uma guerra de
retaliação contra Cuba. Gostaria de citar o documento oficial. Eles
diziam que iriam começar a matar pessoas em Miami e que isso iria criar
“úteis ondas de indignação” – Contavam então aqui com a indignação da
opinião pública dos Estados Unidos, como uma reação certa, automática e
natural das pessoas.
Contavam então com essa reação humana natural e espontânea, mas para
atingir seus próprios fins militares. Todo mundo sente indignação quando
pessoas são mortas da maneira que premeditavam e pessoas fortemente
indignadas desejam agir, o que faz que mais facilmente aceitem uma
declaração de guerra, por exemplo.
No caso de Cuba, a Operação Nortwoods na sequencia, e de acordo com os
planos, previa fazer campanha dizendo que Cuba, Fidel Castro, tinha
atacado a América(os EUA) e que tinham agora que atacar Cuba em
retribuição. O que apresentamos mostra também a lógica das chamadas
“falsas bandeiras”. Os documentos da “Operação Northwoods” estão lá,
oficialmente. As pessoas podem ir e consultá-los, porque aqueles
documentos secretos foram desclassificados depois de meio século, e
agora, sem dúvidas, podemos saber que os militares dos EUA estavam a
pensar quanto ao caso. O planejado foi rejeitado por Kennedy assim como
também recusado pelo Secretário de Defesa McNamara. A “Operação
Northwoods” tinha sua fonte a partir dos Chefes do Estado Maior – Joint
Chiefs of Staff e era apoiada pelos serviços de inteligência dos EUA na
época.
Abaixo apresenta-se um desses documentos traduzidos livremente ao português, mas seguido do original em inglês:
DOCUMENTO –
The Joint Chiefs of Staff
[Les Chefs d´ état major – Os Chefes do Estado Maior]
Washington 25, D.C.
Não Classificado 13 de março de 1962
MEMORANDO PARA O SECRETÁRIO DE DEFESA
Assunto: Justificação para Intervenção dos militares dos EUA para intervenção em Cuba (TS)
- Os Chefes do Estado Maior consideraram o anexado memorando para o Chefe de Operações, Projeto Cuba, o qual responde então ao requerimento desse oficial para uma curta, mas precisa, descrição dos pretextos que poderiam apresentar uma justificação para os militares dos Estados Unidos intervirem em Cuba.
- Os Chefes do Estado Maior recomendam que o proposto memorando seja despachado como uma apresentação preliminar para fins de planejamento. Assume-se que haverão outras apresentações semelhantes vindas de outras agências e que essas serão usadas para o desenvolvimento de um plano determinando as diversas fases do projeto. Os diversos projetos poderão ser considerados em bases individuais.
- Assume-se também que a principal responsabilidade para o desenvolvimento dos aspectos militares e para-militares do planejamento básico seja dada a uma só agência. Recomenda-se aqui que a responsabilidade tanto para as operações feitas de forma aberta como para as operações secretas seja dada aos Chefes do Estado Maior – The Joint Chefs of Staff.
Para os chefes do Estado Maior
L.L.Lemitzer
Presidente – Chefes do Estado Maior
1 Anexo – Memorando para o Chefe de Operações, Projeto Cuba.
_________________________________________________________________________
O FIM DA REPÚBLICA FRANCESA , A VITÓRIA DO MILITARISMO
Apenas para mencionar um outro evento. O conceito é o que o General
Tommy Franks, do US Central Comando (USCENTCOM), comandante responsável
pela invasão do Iraque, descreveu como a possibilidade de um “evento
terrorista, maciço, ou alternativamente como uma maciça produção-de-acidentes que
resultem na morte de civis. Afirma o General que, na verdade, ataques
terroristas, ou enormes eventos tipo produção-de-acidentes, constituiria
um instrumento que permitiria ao governo militarizar a situação – neste
caso ele estava falando sobre os Estados Unidos – eventos e efeitos
para militarizar os Estados Unidos, mas aqui tem-se também exatamente o
que está acontecendo na França agora. O maciço ataque terrorista em
Paris foi um evento que trouxe consequências similares aos que uma
maciça-produção-de-acidentes traria. Os ataques estão sendo usados como
pretexto para a declaração da lei marcial e da suspensão das liberdades
civis. Isso é o que eu chamaria o fim da República Francesa. Eles marcam
o fim da república francesa e o potencial de transição para um regime
totalitário, disfarçado de democracia com um governo representativo.
Bonnie Faulkner : Bom que você tenha mencionado a Operação
Northwoods porque realmente estamos gravando esta entrevista no dia 22
de novembro, que é o 52º aniversário do assassinato do presidente dos
Estados Unidos, John Kennedy. Claro, temos visto uma guerra sem fim
desde então. Em termos de cobertura da mídia os ataques terroristas de
Paris parecem usar uma noção de vingança e esta está sendo usada como um
fator de motivação. Claro que seria contraditório afirmar isso, certo?
Michel Chossudovsky : Você sabe, vingança – olho por olho, dente
por dente – tem estado conosco há milhares de anos. No conceito
histórico você precisaria de um pretexto para começar uma guerra mas a
guerra no contexto moderno –e os líderes políticos sabem disso– é o
crime máximo de acordo com as regras de Nuremberg]. Seja qual for o
motivo subjacente, a única guerra que é legalmente permitida é uma
guerra que se desencadeie a partir da necessidade de auto-defesa. Você
está autorizado a defender-se contra a agressão. Sem isso qualquer ato
de guerra contra um país estrangeiro é um crime.
O que esses ataques e mortes de civis estão lá para realizar é um
mandato para o governo [dos EUA ou da França] iniciar uma guerra de
retaliação contra um país estrangeiro – no caso aqui, a Síria, mesmo que
eles não estejam abertamente e oficialmente dizendo que o governo sírio
esteja atrás de terroristas que atacaram Paris. Eles provavelmente vão
começar a dizer isso abertamente em um certo ponto – quando, na verdade,
sabemos que Bashar al-Assad tem lutado arduamente contra o terrorismo, e
isso já a partir dos meados de março de 2011. É uma batalha de forças
do governo sírio contra o terrorismo mas os terroristas estão sendo
apoiados por potências estrangeiras, de modo que, certamente, a Síria
poderia legalmente reagir com uma uma guerra de auto-defesa. [250.000
mortos na Síria – 130 na França]
Mas para a França invocar auto-defesa, alegando que ela foi atacada por
alguns indescritível entidade no norte da Síria é, no mínimo, exagero.
Entretanto parece que as pessoas estão comprando isso dizendo, sim,
temos que agir. É um ato de vingança.
Uma outra dimensão aqui é que em toda a França a polícia está em frenesi
e exaltação, se não fúria. Temos números oficiais quanto ao número de
incursões militares em casas particulares e quanto a buscas e prisões,
entre outras atividades, mas nenhum desses números oficiais deveriam ser
realmente levados a sério, porque o que está acontecendo mesmo agora é
que a comunidade Muçulmana da França, que representa 7,5% da população,
está sendo submetido a uma caça às bruxas. Estamos em uma situação que
poderia ser chamado de Inquisição espanhola, se bem que seja necessário
mencionar que historicamente a Inquisição francesa da Idade Média foi
muito pior do que a espanhola.
É assim que a situação se apresenta. Estão indo atrás das pessoas, de
uma maneira inquisitora. A onda de anti-terrorismo converge com a
Islamofobia. Em última análise isso seria bastante lógico a partir de
uma geopolítica ou do ponto de vista econômico do poder.
Os Muçulmanos estão sendo demonizados porque o que acontece é que os
Muçulmanos são os habitantes de países que possuem as reservas de
petróleo do mundo.
De acordo com os meus cálculos 65% a 70% das reservas de petróleo bruto
no mundo – e eu não estou falando sobre o gás natural ou outras formas
de óleo como a tar sands – estão em países Muçulmanos, dos quais grande
parte fica, claro, na região que se estende da ponta da Arábia Saudita,
até a bacia do Mar Cáspio. Se aqueles países que possuem essas reservas
de petróleo fossem Budistas, toda a campanha seria dirigida contra os
Budistas. Eles precisam de demonizar os Muçulmanos como um pretexto para
suas batalhas pelo petróleo.
Bonnie Faulkner : E, claro, o que começa como um demonizar dos
Muçulmanos, ou qualquer que seja o grupo, em última análise acaba por
cair em todo mundo, sobre a população em geral. Você mencionou que o
estado de emergência tinha sido declarado na França. Tem-se medidas
drásticas da polícia nesse estado de emergência, com prisões
arbitrárias, entre outras coisas. Você mencionou também que estaríamos
testemunhando o fim da república francesa.
Michel Chossudovsky : Absolutamente, mas a coisa que está
implícita aqui é que para cumprir uma agenda imperial, você tem que
sucatear a república. Júlio César entendeu isso muito bem. Eu não
consigo lembrar a citação exata, mas ele disse que não se pode construir
um império com a república. Eu acho que, na verdade, o que acontece é
que a república está sendo desmantelada. Ela não está sendo descartada
somente na França;
Ela está sendo descartada nos EUA também.
Donald Trump em sua campanha eleitoral parece estar pedindo medidas
policiais dirigidas contra todos Muçulmanos nos Estados Unidos, assim
como o estabelecimento de algum tipo de banco de dados para acompanhar
os Muçulmanos nos Estados Unidos.
Agora, ele está sendo criticado pelos republicanos, mas no entanto, esse
tipo de narrativa política, baseada na promoção do ódio, está se
tornando muito popular sendo que a promoção do ódio é derivada do uso da
produção-de-acidentes-de massas como instrumento de propaganda para uma
demonização dos Muçulmanos. e assim por diante.
As pessoas estão sendo manipuladas para compartilhar esta divisão,
quando, na verdade, as pessoas de todo o mundo tem o mesmo valor humano.
Somos todos seres humanos e devemos ser solidários uns com os outros.
Se não fosse por nossos líderes, que tem ambições geopolíticas e
econômicas quanto a construção e a extensão do império, provavelmente
todos nós estaríamos juntos num ambiente multicultural. Mas isso não
está acontecendo, e é particularmente grave em países como, eu diria, a
Grã-Bretanha e a França. A Grã-Bretanha também está se tornando muito
sectária, assim como até certo ponto os Estados Unidos também.
Bonnie Faulkner : Você escreveu que a guerra global contra o
terrorismo é uma mentira que fornece legitimidade para as medidas de um
estado policial. O que você acha que está por trás da unidade para a
criação de um estado policial que nós poderíamos designar como
ex-repúblicas?
Michel Chossudovsky : O estado policial está lá para servir aos
interesses econômicos e geopolíticos, assim como aos interesses
estratégicos. Ele está lá para apoiar a organização de grandes
interesses corporativos, as empresas de petróleo, o complexo
militar-industrial, a defesa de empreiteiros, de Wall Street. Em efeito,
tem fins lucrativos. A guerra é um empreendimento econômico. A guerra é
boa para os negócios, por assim dizer. Ela fornece bons negócio para as
pessoas que produzem as armas, mas ela também estende esse mercado ao
mundo inteiro.
Então, é claro, as iniciativas, os chamados acordos de comércio,
TPP e outros, estão ligados a agenda militares. Eles não são fenômenos
isolados. Há uma interface. Não é por acaso que Paul Wolfowitz, por
exemplo, passou do US Departamento de Defesa, ao Banco Mundial e de novo
de volta e assim por diante. Há uma interface em Washington, entre
entidades militares e civis, entre o Tesouro, a tesouraria, e o
Pentágono. Então, é claro, todas essas organizações, como a Organização
Mundial do Comércio e o Banco Mundial, são parte e parcela de uma agenda
mais ampla. O que significa, em última análise, que os políticos não
são políticos. Eles são instrumentos de grupos de lobby. Eu acho que nós
compreendemos isso. Em um contexto americano entendemos que são os
grupos de pressão que possuem os políticos.
Em seguida, em última análise, esses políticos são incitado pelos seus patrocinadores a cometer atos criminosos.
Obama, quando deflagrou a campanha contra a Síria, envolveu-se em um
ato criminoso. É contra o direito internacional bombardear um país
soberano, pelo pretexto que for.
Isso é a criminalização do estado, a saber, o fato de que o estado não
está mais lá para representar os cidadãos. O estado agora está
representando as corporações. Muitíssimas e grandes empresas por sua vez
também estão envolvidas em processos criminais. Nesse contexto tem-se
então um sistema financeiro fraudulento e criminoso que consegue agir
completamente impune.
Para manter as aparências, há uma eventual ação judicial contra o
Goldman Sachs ou o JP Morgan Chase, mas não há real confisco de ativos
financeiros, como ocorreu, digamos, na Islândia, onde, na esteira da
crise financeira de 2008 os bens de um dos bancos foram confiscados e
agora se está fazendo a redistribuição desses bens para os cidadãos.
Esse sim é um acontecimento singular. Não estou a dizer que isto
significa uma completa mudança na estrutura. Mas você não vê os governos
protegendo os direitos dos cidadãos contra corporações poderosas.
Corporações estão a governar o mundo. Os acordos de comércio substituem a
Constituição. Nós sabemos disso.
Há uma agenda imperial, que é, em última análise, uma agenda econômica. A
ironia é que os Estados Unidos tem agora toda uma série de alianças com
países que foram vítimas de seus crimes de guerra. Eu estou pensando em
Vietnã, Camboja, Filipinas, Indonésia.
Todos eles são aliados dos Estados Unidos e essa aliança dirige-se agora
contra a República popular da China, o que constitui uma violação a
favor de uma hegemonia global.
Não para dizer que a China seria, necessariamente, uma alternativa; eu
não acho que seja o caso. Mas a partir de um ponto de vista geopolítico
compreende-se que existem alguns países dos quais os Estados Unidos
querem se livrar e isso inclui a Federação Russa, a República Popular da
China, o Irã, e, é claro, a Coreia do Norte.
Esses são os quatro países que estão no meio do caminho, impedindo a
marcha para uma hegemonia global. Pode haver outros, mas eles são de
menor importância.
Não é por acaso que estes quatro países estão sendo ameaçados
simultaneamente. Na verdade, foi negociado um acordo com a Coreia do
Sul, que ameaça a Coreia do Norte. Eu deveria mencionar que a Coreia do
Norte perdeu 30% da sua população durante a Guerra da Coreia e isso é
algo que ficou bem compreendido, quando o General Curtis Lemay
claramente afirmou em um discurso, que devem ter matado cerca de 20% da
população e destruído cerca de 90% das cidades do país durante os
ataques bombardeiros que fizeram.
Estas atrocidades foram cometidas em várias partes do mundo – Indonésia –
500.000 a um milhão de supostos comunistas e simpatizantes foram mortos
sob ordens da CIA. É documentado porque na verdade nós temos os
documentos da CIA sobre o evento.
Eu chamaria isto a criminalização do estado. A criminalização do estado é
totalitária e vai contra os direitos dos cidadãos. Ela tem um interesse
em manter uma fachada democrática, um sistema de partidos políticos e
outras instituições da democracia representativa. Entretanto sabemos que
quem entra na Casa Branca, se é Hillary ou Donald Trump, ou Jeb Bush,
vai, finalmente, ser uma figura de relações públicas que dará suporte
aos dominante interesses econômicos dos Estados Unidos.
Bonnie Faulkner : Você escreve que, “A evidência amplamente
confirma que, enquanto a Rússia focaliza o alvo nas fortalezas dos
terroristas da ISIS na Síria, a Aliança Militar Ocidental está apoiando
os terroristas do Estado Islâmico “. A Federação Russa está bombardeando
ISIS enquanto a Aliança Militar Ocidental está a apoiar os terroristas,
mas publicamente, todos alegam estar lutando contra ISIS. Há uma guerra
não declarada entre a Federação Russa e a Aliança Militar Ocidental?
Michel Chossudovsky : em última análise, sim, há uma guerra não
declarada e poderia evoluir em diferentes direções, porque os russos
estão de fato dirigindo os seus ataques contra os terroristas, mas isso
significa entretanto atacar os soldados da Aliança Militar Ocidental.
Atacando os terroristas os russos estão destruindo os esforços dos
Estados Unidos e seus serviços de inteligência, assim como das forças
armadas dos mesmos.
Dentro das fileiras dos terroristas encontram-se assessores da aliança militar ocidental .
Nós sabemos disso.
Mas, ao mesmo tempo, os EUA e os seus parceiros europeus tem que jogar o
jogo, por assim dizer. Eles não podem simplesmente dizer para os
russos, “Bem, você não está realmente atacando ISIS…” porque realmente é
óbvio, mesmo para o público mundial das mais diversas camadas sociais,
que a campanha de Obama falhou completamente onde a campanha russa, com
limitada instalações para a ação aeronáutica, em questão de algumas
semanas realmente conseguiu minar a presença terrorista na Síria.
Os apologistas dizem – ou algumas pessoas de esquerda poderiam dizer,
“Obama cometeu um erro. Ele fez uma asneira. Ele não sabe como coordenar
esses ataques”, etc., etc. como se isso fosse possível.
Eles têm esses terroristas nas caminhonetes Toyota. Se eles quisessem
eliminá-los, eles poderiam ter feito isso com muita facilidade, logo no
início, quando os grupos de terroristas cruzaram o deserto da Síria para
o Iraque em suas caminhonetes. O propósito não era destruí-los; o
propósito era, na verdade, de protegê-los. Então, os Estados Unidos tem
sido muito eficaz em protege-los e também quanto a dissimular para a
opinião pública de que estão apoiando os terroristas, em vez de
atacá-los.
Agora, é claro, o jogo é diferente, porque os Russos estão lá e,
ironicamente, eles estabeleceram canais de cooperação, vamos dizer,
entre a França e a Rússia, com relação à luta contra o terrorismo. Mas
Putin é um muito astuto diplomata bem como ele foi, claro, um oficial da
inteligência, um oficial da KGB, e ele sabe como jogar esse tipo de
jogo. A imprensa russa não está acusando François Hollande, de ser
cúmplice desses ataques.
Muito pelo contrário, eles estão dizendo: “Amigo, Amigo.” Putin diz para
François Hollande ‘Vamos cooperar. Vamos colaborar.’ Em seguida,
Hollande vai para Moscou.
Isso é claro, num certo sentido, pode criar divisões dentro da Aliança
Militar Ocidental, mas também poderia manter a legitimidade de François
Hollande porque ele não estaria sendo criticados pelos Russos. Há um
jogo muito delicado em curso.
Eles dizem que os instrumentos e mísseis de defesa não são dirigidos
contra a Rússia, mas contra o Irã, o que é um absurdo. Esses
instrumentos e mísseis de defesa aérea estão dirigidos contra cada uma
das grandes cidades russas. Eles estão com a Rússia no foco da mira.
Depois, vê-se claramente que eles estão apoiando um governo ilegal na
Ucrânia, o qual é integrado por Neo-Nazistas. Essa é a situação real.
Além disso eles têm também a intenção de desestabilizar a economia russa
através de sanções e outros mecanismos financeiros. Essa é também uma
situação real em curso.
Depois o que aconteceu é que a Rússia com suas ações no domínio militar
mostrou aos americanos que podiam fazer o mesmo que eles. A Rússia
mostrou também a eles que possui recursos avançados, os quais o mundo
sabe que eles tem. É, em última análise, parece ser uma fonte de grande
embaraço diplomático que os Russos tenham sido capazes de liquidar os
terroristas em questão de meses, e os Estados Unidos tenham se mostrado
tão inéptos nesse sentido – Mas, o fato é que aqui não se trata deles
serem realmente inéptos porque na verdade eles nunca pretenderam lutar
contra ou acabar com os terroristas.
Bonnie Faulkner : Michel Chossudovsky, muito obrigado.
Michel Chossudovsky : Muito Obrigado.
Bonnie Faulkner : estive a falar com Michel Chossudovsky. Hoje
apresentando o show “O terrorismo de estado: estilo franco-americano.”
Michel Chossudovsky é o fundador, diretor e editor do Centro de
Investigação sobre a Globalização com base em Montreal, Quebec. A
Pesquisa Global de website, GlobalResearch.ca, notícias públicas,
artigos, comentários, fundo de pesquisa e análise. Michel Chossudovsky é
autor de 11 livros, incluindo A Globalização da Pobreza e a Nova Ordem
Mundial, A Guerra e a Globalização : A Verdade por Trás do 11 de
setembro, Guerra da América contra o Terrorismo, A Globalização da
Guerra : América “Longa Guerra” Contra a Humanidade, bem como co-editor
da antologia da Crise Econômica Global : A Grande Depressão do Século
21. Todos os livros estão disponíveis em GlobalResearch.ac.
“Guns and Butter” é produzido por Bonnie Faulkner, Yarrow Mahko e Tony
Rango. Para deixar um comentário, ou ordem, cópias de shows, e-mail para
Faulkner@GunsandButter.org.
Visite o nosso site em GunsandButter.org para se inscrever em nossa
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No Pós-Guerra, a Reconstrução da Síria
Michel Chossudovsky: Eu gostaria de dizer uma outra coisa que é
absolutamente fundamental. O presidente Bashar al-Assad, em uma
entrevista esta semana, disse algo muito importante. Isso tem a ver com o
que deve acontecer na esteira dos ataques russos nas fortalezas dos
terroristas. O governo Sírio está falando sobre a reconstrução do seu
país, o que espero venha a se realizar. O país está dizimado. Parte da
população teve de fugir, as pessoas ficaram empobrecidos, a economia
está em frangalhos, mas o povo Sírio tem o objetivo de reconstruir seu
país. Agora eles estão se aproximando de potenciais parceiros, em
particular da China, para auxiliar no processo de reconstrução.
Agora, se esse processo for em frente, eu acho que o problema das
reparações de guerra e danos também deveria ser levantado contra os
estados patrocinadores do terrorismo, e, certamente, eles devem ser
levantadas então em relação a Arábia Saudita, Qatar e Turquia. É muito
mais fácil documentar a participação desses. Até mesmo a mídia Ocidental
irá concordar que os Turcos e os Árabes mencionados têm apoiado os
terroristas, mas, é claro, nós sabemos que, em última análise, os
principais patrocinadores do terrorismo são os Estados Unidos da
América, a OTAN e Israel.
Isso do ponto de vista de nossa compreensão, mas também da nossa
solidariedade. Nós devemos ser solidários com a reconstrução do
pós-guerra deste país, se essa vier a ocorrer, e nós devemos também
começar a falar sobre os danos incorridos pelos Estados Unidos e seus
aliados contra os diferentes países que destruiram. No caso aqui
específico seria o Iraque , (a Líbia) e a Síria. Entretanto também se
tem o Iêmen, o Afeganistão e o Sudão, e vários países por todo o mundo
que foram literalmente dizimados, transformados em territórios, sem
nenhum tipo de compensação.
Vietnã – Um país que ganhou a guerra – Lembro-me de que uma das
condições para a normalização das relações econômicas com o Vietnã, por
volta dos anos 90, foi a de que eles pagassem sua dívida para com o
Clube de Paris – em outras palavras, o clube dos credores oficiais
ocidentais – o dinheiro que o regime de Saigon estava em dívida para com
eles. Em outras palavras, o dinheiro que estava lá para financiar a
guerra liderada pelos EUA. Isso significa que o Vietnã foi obrigado a
pagar reparações de guerra aos países que estavam por trás da Guerra do
Vietnã, nomeadamente os Estados Unidos e seus aliados.
Bonnie Faulkner : Wow. Que chocante. Vietnã teve que pagar indenizações às pessoas que o atacaram?
Michel Chossudovsky : Absolutamente. Lá havia um acordo secreto
no contrato do Clube de Paris para dívidas incobráveis (caso de
insolvência). As dívidas do governo de Saigon tinham de ser pagas. Essas
foram as dívidas que se fizeram na década de 1960, e sabemos que o
regime de Saigon foi, em última análise, o destinatário da ajuda militar
dos Estados Unidos. Vietnã nunca negociou reparações de guerra. Seria
bom se ele tivesse feito isso, porque ele venceu a guerra – bem, ele
jogou para fora do país as forças dos EUA – mas lá nunca houve qualquer
tipo de compensação.
Na verdade, para o levantamento das sanções Vietnã teve que chegar a um
acordo com os credores externos, tanto do Clube de Paris como com o o
Fundo Monetary Internacional.
Eu estava no Vietnã no momento e entrevistei a pessoa responsável pela
realização dessas negociações. O que aconteceu em relação ao FMI é que
os vietnameses agora queriam normalizar relações com o FMI, mas lá havia
então a dívida do período do regime de Saigon para o FMI do tempo da
guerra, e eles disseram que o Vietnam teria que pagar esse dinheiro
antes que relações pudessem ser normalizadas.
Então o que foi que aconteceu depois?
O vietnamita disse que não tinham esse dinheiro para o qual o
representante do FMI disse então que não havia problema. Para tanto foi
criado um grupo de amigos do Vietnã, grupo esse composto da França e
Japão – que tinham passado a ser ex-potências coloniais o que remonta a
década de 1940 – França e Japão emprestaram então o dinheiro para o
Vietnã, dinheiro esse que Vietnã pagou de volta ao FMI. Na verdade o
dinheiro realmente nem entrou no Vietnã. Tudo isso para normalizar a
relação do Vietnã com as instituições de Bretton Woods.
Agora, o jogo final desse processo vê-se hoje. Vietnã é uma outra
fronteira da mão de obra barata da economia global, uma população
empobrecida, toda a infraestrutura social arruinada, uma economia de
bens de luxo, de operações bancárias fraudulentas e assim por diante.
Foi a mesma coisa no Camboja. Todos estes países, que são agora aliados
dos Estados Unidos, foram destruídos. Eles nunca receberam reparações de
guerra.
Neste caso em particular, reparações de guerra para a Síria e o Iraque
deve ser debatida, pelo menos, e a questão da reconstrução deve ser
também na agenda, principalmente de pessoas que estão em causa, dentro
do movimento anti-guerra.
Bonnie Faulkner : Nesse contexto histórico que você descreve
parece que a Síria correria o risco de ter que pagar reparações de
guerra a Aliança Militar Ocidental.
Michel Chossudovsky : Ainda não está completamente claro qual
seria a natureza da normalização a ser desejada. Mas posso dizer que com
relação ao Iraque que esse tem uma dívida pública que está sob os
auspícios de uma Comissão de Compensação das Nações Unidas a qual é
administrada de Genebra e que já houveram várias reclamações de
credores, reclamações essas que basearam em alegados danos. Trata-se
tanto de empresas como de particulares, mas as reivindicações contra o
Iraque estão na casa dos bilhões. Isso significa que os recursos do
Iraque e suas reservas de petróleo, em última análise tudo, serão
destinados nos próximos anos para o serviço da dívida.
Essa é realmente toda a finalidade, todo o propósito. Esse é o propósito
de uma guerra, mas é também o propósito da condicionalidade das dívidas
que acompanham a guerra e que envolvem, muitas vezes, a intervenção do
Banco Mundial e do FMI [dois dos mais importantes instrumentos de
dominação dos Estados Unidos]. Eles estão lá, essencialmente, para
garantir que esses países que já perderam tudo, não possam reconstruir
seus países e se eles o reconstruirem isso terá que ser feito através da
criação da dívida.
É o que está acontecendo no Iraque neste mesmo momento. Quaisquer que
sejam os investimentos feitos no Iraque por empresas estrangeiras, ou
outras, serão em última análise utilizados para aumentar a dívida, o que
significa então que a dívida terá de ser pagada usando o lucro entrado
na economia pelo petróleo do Iraque.
Bonnie Faulkner : Chocante
A fonte original deste artigo é :
State Terrorism: Franco-American Style, 27 de Novembro de 2015
Anna Malm / YandePostado do: http://www.globalresearch.ca/terrorismo-de-estado-estilo-franco-americano/5493567
Postado no blog SOMOS TODOS PALESTINOS
Mafarrico Vermelho
1 comentário:
O meu comentário é simplesmente para agradecer ao meu amigo comprovinciano e camarada António Garrochinho por me ter dado a oportunidade de ler esta longa publicação que reforçou a minha opinião acerca da Política de enorme Pulhice dos USA que abUSA de tudo e de todos e que pretende dominar o Mundo inteiro.
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