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segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

DESLOCALIZAÇÃO DE EMPRESAS RESPONSÁVEL POR 55% DAS PERDAS DE EMPREGOS EM PORTUGAL


Deslocalização de empresas responsável por 55% das perdas de empregos em Portugal
São dados do relatório anual do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento. As perdas de empregos a curto prazo devido a ‘offshoring’[contratação além-fronteiras] representam quase 55 por cento de todas as perdas de empregos em Portugal. O relatório “Trabalho para o Desenvolvimento Humano” é realizado todos os anos. Tem como variáveis de comparação a esperança média de vida, os níveis de escolaridade e o Produto Interno Bruto per capita. Portugal ocupa o 43.º lugar, abaixo da Grécia e da Irlanda 

Portugal desacelerou no índice de desenvolvimento nos últimos cinco anos


A ONU divulga esta segunda-feira o relatório anual do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). Portugal mantém a 43ª posição num total de 187, com dados animadores no que diz respeito a igualdade de género mas a destacar-se pela negativa quanto ao desemprego jovem. O mesmo documento revela ainda que um por cento da população mundial vai deter metade de toda a riqueza global no ano de 2016.
O relatório "Trabalho para o Desenvolvimento Humano" é realizado todos os anos tendo como variáveis de comparação a esperança média de vida, os níveis de escolaridade e o Produto Interno Bruto per capita.  

Portugal ocupa o 43º lugar, o mesmo que detinha no ano passado. Ainda assim, uma análise à pontuação obtida nos últimos anos permite denotar um desaceleramento no crescimento desde 2010. Em 2009, Portugal ocupava o 34º lugar desta tabela.  
 
A pontuação portuguesa crescia 0,97 por cento ao ano na década de 90. Há cinco anos, o crescimento ronda os 0,33 por cento por ano.   
Portugal abaixo da Grécia e Irlanda  
Apesar da classificação confortável, Portugal é um dos países europeus com menores pontuações. Destaque para a Irlanda, onde o Fundo Monetário Internacional também interviu, que está em 6º lugar (com a mesma pontuação da Alemanha), ou a Grécia, mergulhada numa grave crise económica e financeira, e que se encontra na 29ª posição.  
 
Noruega, Austrália, Suíça, Holanda, Alemanha, Irlanda e Estados Unidos lideram a tabela de desenvolvimento. Nos últimos lugares encontramos o Burundi, Eritreia e República Centro-Africana. 
Emprego e desemprego jovem 
Na análise aos dados de offshoring (contratação externa pela deslocalização de empresas), o relatório menciona o caso português como um dos mais preocupantes. Segundo a ONU, que cita um estudo da Organização Internacional de Trabalho, a contratação além-fronteiras é responsável por "quase 55 por cento de todas as perdas de empregos em Portugal", refere o documento. 
 
Portugal aparece também com destaque na "lista negra" no que diz respeito ao desemprego jovem (35 por cento de desempregados entre os 15 e os 24 anos),  ladeado por Espanha (53 por cento), Croácia (46 por cento de desempregados jovens) e Eslováquia (30 por cento). 
 
A tendência que se acentua nestes quatro países não se propaga apenas nas zonas mais desenvolvidas e a região sul da Europa, afetando também vários estados do Médio Oriente e América Latina. Este ano, 74 milhões de jovens com menos de 24 anos estavam sem emprego, com o rácio entre jovens e adultos empregados a ser o mais alto de sempre.  
 
Mas nem todos os indicadores são negativos para Portugal, que surge num dos lugares mais cimeiros no que diz respeito à igualdade de género (20ª posição).  
 
A nível global, as mulheres ganham menos 24 por cento que os homens e ocupam apenas 25 por cento do total de cargos de administração e gestão.   Um por cento com metade da riqueza
No que diz respeito à distribuição de riqueza, pouco ou nada se alterou. Os números do relatório das Nações Unidas espelham a enorme desiguladade entre países e populações. Em 2016, um por cento da população mundial terá domínio sobre 50 por cento da riqueza global, enquanto que 80 por cento, o grosso da população, terá apenas seis por cento dessa riqueza.  
 
Ainda assim, a ONU estima que o número de pessoas em extrema pobreza baixou de 1,9 mil milhões para 836 milhões nos últimos 25 anos. A taxa de mortalidade infantil apresenta resultados bastante animadores, a cair para cerca de metade dos valores registados em 1990.  Clima vai afetar "trabalho sustentável" 
Um dos capítulos do relatório das Nações Unidas é dedicado aos perigos laborais que poderão ocorrer devido às alterações climáticas.  
 
"As alterações climáticas, associadas a um aumento médio da temperatura global, têm conduzido a mudanças nos padrões de precipitação, aumento do nível das águas e uma maior frequência de fenómenos climáticos extremos", sublinha o relatório. 
 
Segundo o documento, existem atualmente cerca de 1,3 mil milhões de pessoas (mais de 18 por cento da população mundial) a viver "em terras frágeis" e mais vulneráveis por exemplo ao aumento do nível das águas e fenómenos climáticos extremos.  
 
O relatório divulga ainda um "ranking" dos países mais afetados por desastres naturais, com a Somália e outras regiões insulares e ribeirinhas a ocupar o topo da tabela.  

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