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terça-feira, 15 de dezembro de 2015

Até que idade sustentamos os nossos filhos?

CRÓNICAS NA CORDA BAMBA 

Até que idade sustentamos os nossos filhos?






Catarina Beato e o seu filho mais velho Catarina Beato 



O meu filho mais velho faz hoje 13 anos. 


É oficialmente adolescente de acordo com a língua inglesa (eu, como mãe, acho que o Gonçalo já é adolescente há uns meses). 
O meu filho mais pequeno tem 4 anos e meio (soube há exatamente cinco anos que o tinha na barriga).

 No outro dia fazia contas à vida: e se tivesse outro filho? Neste caso “fazer contas à vida” era literalmente isso mesmo: perceber se financeiramente seria viável ter outra criança em casa. 


Apesar de ser uma defensora da visão low cost da parentalidade – criar um filho saudável não é caro -, também sou realista. 
Na minha cabeça formou-se um pensamento: “Daqui a cinco anos o Gonçalo será maior de idade”. Ou seja, estava a procurar uma idade para aliviar o orçamento familiar. 

Mas, até que idade sustentamos os nossos filhos? Tenho tido (tempo verbal que mostra que já tive, tenho e poderei voltar a ter) na minha mãe, uma enorme rede de segurança. Se é verdade que aos 19 anos me tornei financeiramente independente, aos 27 anos precisei de alguma ajuda, e aos 34 anos precisei de um apoio imenso. 

Vejo a minha mãe como alguém a quem posso recorrer (serve isto para o dinheiro, como para tudo o resto), mas nunca considerei que ela tivesse a obrigação de me ajudar. Os pais servem para dar instrumentos de aprendizagem para a independência, assim como, em jeito de descrição do mundo animal, o leão ensina o filhote a caçar antes de o mandar à sua vida. 

Será que o leão também dá um ajuda ao filho quando ele,  macho adulto, não conseguiu caçar nada? 

Guardo a  memória do pai de uma amiga minha que, depois de lhe pagar o curso e a deixar procurar emprego na sua área durante seis meses, lhe anunciou: será melhor ires trabalhar noutra coisa porque daqui a dois meses não volto a dar-te dinheiro. 

Naquela altura pareceu-me uma decisão agressiva e exagerada. Se podia continuar a ajudar, porque lhe dizia aquilo?. Hoje acho que foi sensato e educador. E percebi, numa realidade mais alargada do que a dos meus 20 anos, que nem todos os pais podem valer aos filhos, por muito que o desejassem. 

Para já, sem certezas absolutas e com as contas ainda a serem feitas, fico-me pelos dois filhos, um que me dá cabo das forças físicas e outro da capacidade mental, e que já me bastam para ter uma quantidade absoluta de dúvidas, mas a certeza absoluta de que são o grande amor da minha vida.




Escritora e autora do blog Dias de Uma Princesa 
http://www.dinheirovivo.pt

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