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quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

Chinês transformou ar de Pequim num tijolo


Um artista chinês conseguiu fazer um tijolo a partir das partículas recolhidas ao longo de 100 dias na atmosfera de Pequim, cidade com altos níveis de poluição do ar, recorrendo a um aspirador industrial.
 
KIM KYUNG-HOON/REUTERS

Antigo gestor de publicidade, o artista, que se autodesigna "Jianguo Xiongdi" ("Irmão Noz", em português), parece ter sido inspirado pela espessa nuvem de poluição que regularmente envolve a capital chinesa, segundo o portal de notícias chinês "cfp.cn".
"É o meu contributo para chamar a atenção do público para o facto de que a poluição do ar constitui uma ameaça séria à saúde humana", explicou o artista, natural de Hebei, a província vizinha de Pequim.
Para este projeto, desenvolvido entre os dias 24 de julho e 29 de novembro, o "Irmão Noz" recorreu a um aspirador com uma potência máxima de mil watts e um fluxo de ar de 234 metros cúbicos por hora.
Pelos padrões da Organização Mundial de Saúde, a densidade das partículas PM2.5 - as mais finas e suscetíveis de se infiltrarem nos pulmões - não deverá exceder os 25 microgramas por metro cúbico. Esta semana, em Pequim, o nível chegou a exceder os 600, tornando a atmosfera "gravemente poluída", e as autoridades locais colocaram a cidade em alerta laranja - o segundo mais alto.
De acordo com a imprensa estatal, 2 100 fábricas e estaleiros considerados altamente poluentes foram temporariamente encerrados e os residentes aconselhados a evitar atividades ao ar livre.
A nuvem de poluição reduziu a visibilidade a pouco mais de uma centena de metros. Em grande parte do norte da China, o sol 'desapareceu' completamente do céu.
O cenário "airpocalíptico", como lhe chamam, jocosamente, os internautas chineses, coincidiu com o arranque da conferência das Nações Unidas sobre as alterações climáticas, em Paris, que contou com a presença do Presidente chinês, Xi Jinping.
Estima-se que a China tenha libertado entre nove e dez mil milhões de toneladas de CO2 (dióxido de carbono), em 2013, quase o dobro dos Estados Unidos da América e cerca de duas vezes e meia mais do que a União Europeia
.

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