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sábado, 1 de julho de 2017

O call center saiu à rua num dia assim



«Eu sou a voz da MEO. Só não dou a cara porque o cliente nunca me vê, mas dou o melhor do meu trabalho». Irina (nome fictício) trabalha há 15 anos para a PT-MEO mas, apesar disso, a PT-MEO não a quer contratar: é mais lucrativo recorrer a empresas de trabalho temporário e outsourcing. «Foi com a minha voz, com o meu trabalho que, no ano passado, tiveram lucros de 279 milhões de euros. Não há desculpa para estarmos décadas a ganhar praticamente o salário mínimo, sem estabilidade nenhuma. Têm de nos integrar nos quadros. Isto tem de acabar», explicou ao Manifesto74. E foi para «acabar com isto» que ontem, ainda de madrugada, Irina partiu de Santo Tirso num autocarro rumo a Lisboa. Fez greve e foi à sede da PT-MEO, acompanhada por cerca de outros 200 trabalhadores de call centers de todo o país, exigir o fim da precariedade, aumentos salariais e melhores condições de trabalho.

Nelson Leite, delegado do Sindicato Nacional de Trabalhadores das Telecomunicações e Audiovisual (SINTTAV), trabalha há nove anos para a PT-MEO, no Porto, mas também não está nos quadros do gigante das telecomunicações. «Eu até tenho um contrato efectivo com a Manpower, mas o comando da precariedade é MEO», ironiza, «basta a Manpower perder um concurso e pode mandar-me embora. O meu contrato é estável? Não. É precário».

Quando se pensa em precariedade não se pensa imediatamente em direitos, sindicatos e lutas mas no back office / call centeronde Nelson Leite trabalha, na Rua Tenente Valadim, no Porto, o trabalho precário já não é o que era: em menos de um ano, o jovem sindicalista viu o número de inscrições no SINTTAV duplicar, fizeram-se três greves, multiplicaram-se os plenários de trabalhadores. E ontem, milhares de trabalhadores de Norte a Sul do País, pousaram os headsets, deslogaram-se e foram à luta.
Nelson Leite, delegado do SINTTAV

Tenente Valadim, uma história de coragem

«Bate as duas horas e vês uma multidão a parar tudo, a levantar-se. Uma disciplina brutal. Não estamos a falar de metalúrgicos
Há precisamente um ano, quando era impensável uma greve nacional nos call center ou uma manifestação em Lisboa, os trabalhadores do portuenses da PT-MEO eram transferidos da EGOR para a Manpower. «Foram momentos de muita ansiedade», recorda Nelson Leite. «Existiam rumores de cessação de contratos, falava-se  de transferências para outros postos de trabalho, temia-se que o tempo para ficar efectivo não contasse. E os patrões não nos diziam nada. Iam transferir trabalhadores como quem transfere cadeiras e mesas». Havia, também, entraves à marcação das férias, trabalhadores com a receber subsídios de refeição com valores diferentes, entre outros problemas.
Quando o SINTTAV interveio, as férias dos trabalhadores foram aprovadas, a nuvem de dúvidas foi desvaneceu-se e, em Novembro, o sindicato marcou um plenário na Tenente de Valadim, para informar e escutar os trabalhadores «A PT tinha-nos dado uma salinha minúscula, no terceiro piso. Apareceram sessenta e tal trabalhadores. Simplesmente não cabíamos na sala. Tivemos de ocupar um átrio inteiro e saímos de lá com um documento reivindicativo».
O patronato fez orelhas moucas, mas estava acendido o rastilho. Em Dezembro há um segundo plenário e os trabalhadores partem para uma greve de três horas. Entre as principais exigências: passar todos os trabalhadores que ganhavam o salário mínimo, então 530 euros, para 600 euros e, para os que ganhavam 612 euros ou mais, um aumento nunca inferior a 40 euros. Desesperada para evitar a paralisação, a administração ensaiou uma cedência: todos os subsídios de refeição foram actualizados para 6 euros, mas nem uma palavra sobre vínculos e salários. E a greve aconteceu mesmo a 9 de Janeiro deste ano.
«Para a esmagadora maioria foi a primeira greve. Foi fantástico. À porta da empresa, a desafiar uma das maiores empresas de telecomunicações do mundo. Com os directores à janela a ver. É preciso coragem. Porque não são trabalhadores da casa, são externos. Muitos acabavam a greve e voltavam para o posto de trabalho. Tem um valor do caraças. A greve começava às 2h. Bate as duas horas e vês uma multidão a parar tudo, a levantar-se. Uma disciplina brutal. Não estamos a falar de metalúrgicos… São trabalhadores que hoje estão ali e amanhã podem não estar. É mesmo assim», contextualiza Nelson Leite.
A greve é um sucesso estrondoso e, pela primeira vez, a administração da Manpower aceita falar com o SINTTAV a 17 de Fevereiro. Segundo a empresa que no último ano alcançou 114 milhões de euros em vendas, não havia condições para aumentar salários sem colocar em causa a própria operação.
«Os trabalhadores não desanimaram», conta Nelson Leite. «Pelo contrário, sentia-se mais confiança, mais força». Novo plenário, nova greve marcada, desta feita de 24 horas com manifestação incluída e data marcada para dia 22 de Março. O call center de Santo Tirso decide juntar-se. A adesão ultrapassa os 95 por cento. Não nos esqueçamos que é de trabalhadores com vínculos precários que estamos a falar. De onde vem tanta coragem?

Uma nova Índia?

André Silva trabalha para a Randstad, em Lisboa. Já tinha feito greve no dia 28 de Março, Dia Nacional da Juventude. «Isto é uma causa justa. Não há justificações aceitáveis para nos dizerem que não. A não ser nós não lutarmos», argumenta.
A mesma opinião partilha Daniel Negrão, dirigente do Sindicato Nacional Trabalhadores Correios e Telecomunicações (SNTCT): «é inadmissível que trabalhadores que trabalham há décadas para a PT continuem em empresas de trabalho temporário», acusa, «quando eu me reformar, o posto de trabalho vai continuar a existir. O posto de trabalho é permanente. Não há nenhuma justificação para recorrer a empresas de trabalho temporário. Exigimos ser integrados nos quadros da PT conforme a nossa antiguidade e conforme os salários da PT, que são normalmente três vezes mais altos que os nossos».
Daniel Negrão, dirigente do SNTCT
A greve de ontem foi simultaneamente, ponto de chegada e ponto de partida. Produto de muitas lutas no Porto, em Lisboa, Coimbra, Santo Tirso, Castelo Branco… e instrumento «do que os trabalhadores decidirem que se deve fazer a seguir», assevera Daniel Negrão.
Entre palavras de ordem contra a precariedade e em defesa de aumentos salariais, entram e saem, dentro de automóveis de luxo, altos quadros da PT-MEO. Serão estes os empresários que, há dois anos, elogiavam os efeitos da crise na queda de salários, prometendo fazer de Portugal a nova Índia do telemarkerting? Tabalho e capital trocam olhares tensos. Não há medo de represálias, de perder o trabalho? Nelson Leite é assertivo: «quando os trabalhadores estão unidos não há hipótese. E nunca estivemos tão unidos».
«Há pouco tempo, na Tenente Valadim, tínhamos posto um documento sobre a greve», conta Ricardo Franco, trabalhador do call center do Porto, «no dia seguinte tinham-no “limpado”. Mas eram eles a agir às escondidas, percebes? Então fizemos um novo e, depois, na minha hora de almoço, fui lá pessoalmente dar um ao meu coordenador: “tome, vamos distribuir isto, dou-lhe já um”». Os trabalhadores começavam a perder o medo.
Não é bem o caso de Rita Pestana, 39 anos. Não quer ser fotografada: «Nunca se sabe». Antes de assinar contrato com a Manpower, há cinco anos, passou por outras quatro empresas de outsourcing, outros quatro call centers. Sempre sub-contratada, sempre vínculos precários, sempre salários que, admite, «não era a mim que deviam envergonhar, mas é a mim que envergonham». Formou-se em Estudos Portugueses, mas nunca trabalhou na área. Valeu a pena ter estudado tanto? «Sem sombra de dúvida! Olha, ajuda a explicar o que se está a passar hoje, com esta malta aqui à porta», garante. E, como que para provar o que diz, recita, sem rastro de hesitação, o poeta António Aleixo: «Esta mascarada enorme / com que o mundo nos aldraba / dura enquanto o povo dorme / Quando ele acordar, acaba».
Este artigo encontra-se em: Manifesto 74 http://bit.ly/2t1Zh77



abrildenovomagazine.wordpress.com

Fotografias raras mostram como era a vida na Era Meiji, no Japão


Verdadeiros tesouros podem ser encontrados dentro de arquivos digitais disponibilizados na internet por bibliotecas, instituições, a partir de acervos físicos históricos. A Biblioteca Pública de Nova Iorque é sem dúvidas um desses locais a se escavar para encontrar porções de maravilhas que só a internet oferece, entre mais de 700 mil documentos oferecidos para download no site da biblioteca. Dentre esses documentos, cem fotos de valor histórico inestimável mostram como foi a Era Meiji, de 1868 a 1912, no Japão.
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A Era Meiji se deu durante os 45 anos do imperador Meiji no poder, e sua importância se afirma por ter sido durante esse período que o Japão se modernizou e abriu o caminho para tornar-se uma potência mundial. Antes desse período o país ainda era feudal, distante em relações econômicas e políticas com o resto do mundo, atravessando um período de uma espécie de ditadura feudal (o xogunato Tokugawa) que durou inacreditáveis 256 anos.
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Foi na Era Meiji que se criou, no Japão, a primeira ferrovia do país, o serviço militar, o Banco do Japão e o Iene como moeda oficial do país, universidades e até mesmo a primeira constituição. a Era Meiji assistiu esse Japão ancestral se tornar um país moderno, fazendo com que passado e futuro convivessem num presente em acelerada transformação.
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© fotos: Acervo NYPL fonte: via

vivimetaliun.wordpress.com

ALBUFEIRA FICOU NO MAPA

Os distúrbios de domingo, com centenas de turistas britânicos, colocaram Albufeira no mapa. Os problemas, dizem os empresários, não são novos. Reportagem na rua dos bares, onde não se fala português.
É uma espécie de Las Vegas meets Disneylândia, não sem antes passar pelo Carnaval de Torres Vedras — para bêbedos. A quantidade de néons a piscar é imprópria para epiléticos, há réplicas da estátua da liberdade, várias referências à route 66, ecrãs gigantes estilo engodo, a mostrar para fora o que se passa dentro dos sítios, um touro mecânico, jogos de força (paga 10 euros, ganha 100, só tem de ficar 110 segundos pendurado neste varão), e uma quantidade incomensurável de adultos mascarados — ou quase nus, como o inglês quarentão que se passeia de fralda e coleira sadomaso ao pescoço, ou um outro, também inglês, aparentemente mais novo, que escolheu sair de casa de boxers de lycra brancos bem justos e top a condizer, dez tamanhos abaixo do seu, e nada mais.
O número de bares a funcionar nos escassos 550 metros que perfazem a rua, dividida a meio por um cruzamento que leva ao Libertos Club, onde no passado domingo começaram os desacatos com centenas de turistas ingleses de que resultaram pelo menos dois feridos e uma série de balas de borracha disparadas para o ar, podia ser forte concorrente ao recorde do Guinness na categoria, se a houvesse. Não existindo, ajuda pelo menos a que, com os preços baixos e as borlas que oferecem a maior parte dos estabelecimentos (um shot grátis com a primeira bebida é o normal), muita gente se “divirta” ali demais.
São 22h15. Na rua a que se convencionou chamar da Oura, em Albufeira, porque é perto da praia com o mesmo nome (mas que na toponímia do concelho vem inscrita como Avenida Doutor Francisco Sá Carneiro), ainda há muitos turistas a jantar, a comer gelados ou a passar revista às lojas de artesanato, chinelos e biquínis. Há casais, sobretudo de portugueses, a passear com os filhos pequenos, em carrinhos de bebé ou pela mão. Até a perfumaria está aberta e em pleno funcionamento, com uma manicura sósia da fadista Marisa a atender uma cliente no respetivo corner de nails.
Mesmo ao lado, na esplanada de um restaurante de kebabs, um homem louro, bem vestido, de jeans, camisa azul e ténis adidas, luta sozinho para se levantar do chão e ficar pelo menos de joelhos. Não consegue fixar o olhar, tomba uma e outra vez, acaba por desistir, perdido, deitado no chão de barriga para cima e de olhos fechados. Os donos do estabelecimento, impávidos, continuam a conversar, pessoas param para ver, com as crianças ao lado: “Que horror, este já está bêbedo”.
É o normal, “andam todos assim”, desabafará a seguir a artista que pinta quadros de paisagens no passeio, e que por pouco não levou com o homem em cima, quando finalmente se conseguiu levantar e, cambaleante, tentou seguir caminho apenas para cair meio metro à frente e bater violentamente com a nuca na calçada.
Serão 22h30 quando chamamos o 112 e pedimos ajuda. William — conseguirá dizer o nome –, 23 anos (ou 24 ou 25, nunca responde o mesmo), foi deixado sozinho pelos amigos. Não tem carteira nem telemóvel nem forma de voltar para casa, a “20 minutos de distância”. Inglês, mas a viver no Algarve com os pais, fala português: “O que é que bebi? Tudo”. Não quer nem ouvir a palavra hospital, mas quando a ambulância do INEM chega, ao mesmo tempo que um dos amigos que afinal só tinha ido buscar a carteira perdida no bar anterior, ainda diz que quer ir com os bombeiros. “Deixaste-me aqui! Não queres saber!”
Acaba por se deixar examinar mas, convencido pelo amigo, que entretanto o esbofeteou umas vezes, na tentativa de o pôr sóbrio, lá decide que vai ficar na Oura. Soletra o primeiro e o último nome para que a prestação de socorro fique registada, faz uns gatafunhos numa folha oficial à laia de assinatura. “Não podemos levar ninguém contra vontade, ele está consciente, respondeu às nossas perguntas, não podemos fazer mais nada. Ainda havemos de voltar para o vir buscar. Infelizmente é o turismo que temos”, justifica um dos bombeiros. “Passamos as noites nisto, quando não é álcool é um que se cortou, outro que se magoou…”
O que aconteceu no passado domingo no Libertos, com uma rixa a estalar dentro do bar onde decorria uma White Party para várias centenas de turistas britânicos em Albufeira, num programa de 7 dias com tudo incluído por 677 euros (“Portugal Invasion” era o nome do pacote), não é habitual.
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Quem o garante ao Observador é o próprio Liberto Mealha: “Estamos aqui há mais de 30 anos, isto aconteceu uma vez. Estou sempre atento, temos porteiro à porta, bêbedos ou todos nus não entram. Estava tudo a correr bem, a festa estava cheia de gente gira e bem vestida, agora basta virem três ou quatro maus e está tudo estragado. Há coisas que é difícil controlar, quando a confusão começou eu parecia uma bola de pingue pongue no meio deles”.
“Deviam ser 2h30 quando começou, um tipo estava com duas garrafas de Moet & Chandon, uma em cada mão, e começou a agitar aquilo e a molhar toda gente. Houve um que não gostou e deu-lhe logo um murro, a partir daí começou tudo à pancada”, descreve o proprietário de outro bar, na Rua da Oura. “Depois veio o corpo de intervenção da GNR e começou a bater em toda a gente, empurrou as pessoas para a rua, que fugiram para a parte de cima da rua. Houve uma série de disparos de balas de borracha. Nos dias a seguir estavam aí com cavalos e cães, obrigaram alguns bares a fechar mais cedo, as pessoas mais velhas, mais conscienciosas, foram-se embora. Isto está a ser mau para o negócio”, lamenta o empresário da noite.
Apesar da raridade dos distúrbios de domingo, só comparáveis ao que aconteceu em junho de 2004, durante o Euro, em que pelo menos 8 pessoas ficaram feridas e 33 cidadãos britânicos (e um holandês) foram detidos, depois de duas noites de confrontos com a GNR, quase todos os proprietários da rua concordam que a zona tem problemas — e não é de agora.
Vítor Barão, desde 1986 à frente do único café tipicamente português que ainda ali resiste, diz que as chatices começaram há cerca de dez anos e que na base estará o tipo de turismo que Albufeira atrai: “Era como se mandássemos 300 tipos dos piores bairros de Portugal passar férias a Inglaterra. Estamos a ficar com muito má imagem. À sexta e ao sábado anda para aí tudo nu, já os vi a eles sem roupa, só com uma corda à volta da cintura, e elas todas contentes a puxarem-nos, como se fosse uma trela. Se fizéssemos como em Espanha, em que quem é apanhado nu na rua paga 600 euros, agora aqui não lhes acontece nada…”.
O proprietário de outro bar aponta um outro problema: o preço reduzido das bebidas (há pints de cerveja a 3 euros e doses de gin, vodca, whisky e bacardi a 2,5) e a oferta cada vez maior de pacotes tudo incluído — tanto a Região de Turismo do Algarve como a AHETA, maior associação hoteleira da região, já solicitaram a subida dos preços praticados na zona, numa tentativa de redução da quota de turistas problemáticos.
“Por um lado, as bebidas são baratas e as doses demasiado bem servidas, que as pessoas que trabalham aí nos bares não têm experiência nenhuma e carregam no álcool. Por outro, há aí uma série de hotéis que fazem o tudo incluído, quando eles saem de lá já vêm bêbedos. Depois há outra coisa: nós não recebemos aqui os ingleses de Londres que têm dinheiro, esses vão para Ibiza, recebemos os montanheiros, que estão habituados a ir para o pub e a embebedarem-se até às 23h00, que depois fecha. E é isso que eles fazem aqui, a essa hora já querem estar todos bêbedos”, contextualiza o empresário.
Já passa dessa hora quando outra ambulância chega à Oura, mais uma vez para acorrer a um caso de embriaguez extrema, desta vez duma rapariga, vinte e poucos anos, que já não ergue a cabeça da mesa da gelataria artesanal onde se encostou. Está com uma amiga, segue com os bombeiros para o hospital, fim de história — pelo menos até à próxima chamada para o 112.
Indiferentes à bebedeira alheia, grande parte dos turistas na rua continua a saltar de bar em bar. A maior parte são ingleses — é o idioma oficial da Oura –, mas também há um grupo de 86 estudantes holandeses, entre os 18 e os 20 anos, ordeiros e bem comportados, basta seguir a bandeira gigante das guias que os orientam na rua para saber onde estão. “Os holandeses portam-se melhor”, garante o representante de uma bebida energética, à porta de um bar onde quem consegue descolar os pés do chão, pegajoso de bebida entornada e entretanto seca, está a dar tudo na coreografia da Macarena. “Numa noite no Algarve devem cometer-se mais loucuras do que no resto do país o ano inteiro.”
Pelo menos na noite desta quinta-feira não há nus integrais a declarar (só um rabo — e o resto –, mostrados por um turista na esplanada de um bar a uma amiga, durante breves segundos). Demonstrações escandalosas de afeto também não, mas talvez isso se explique pela quantidade incrível de grupos compostos só por homens ou só por mulheres: aparentemente é em Albufeira que grande parte dos noivos e noivas britânicos fazem questão de se despedir das vidas de solteiros.
Como andam vestidos de igual ou de forma particularmente espaventosa (há marinheiras, havaianos e pilotos da força aérea, um xerife Woody e um gentleman impecável, de camisa branca, gravata às riscas e blaser azul escuro — com micro calções de ganga rasgados na parte de baixo), e trazem, sobretudo elas, parafernália variada com pilas — há pilas-palhinhas, pilas no fundo de copos de shot pendurados ao pescoço e até uma futura noiva vestida de pila dos pés à cabeça — são fáceis de identificar.
Também é fácil de perceber, pelas faixas que trazem ao pescoço, que pais, mães, tios e tias também fazem parte das comitivas — o que, se não limita o consumo de álcool, pelo menos constrange a tomada de outro tipo de liberdades por parte das nubentes. Preparar uma bebida num copo assente dentro das cuecas de um barman que viu Cocktail, com Tom Cruise, vezes demais; ser vendada; beber a mistela a partir de uma caneca em forma de pila (lá vamos nós outra vez) e com chantilly a acompanhar; e pespegar no final um beijo na boca do tipo pode roçar os limites, ainda será permitido — há registos do momento, ninguém se levantou para o impedir. Mais do que isso, já não.
Com o avançar da noite a Rua da Oura é fechada ao trânsito, as patrulhas da GNR, estacionadas no cruzamento do Libertos, fazem-se mais visíveis, e a animação continua nos bares mas as ambulâncias param de chegar. Ao todo contámos três durante a noite, uma delas nunca percebemos quem foi socorrer.
São 2h20, numa esplanada com música bem alta, um rapaz dorme, refastelado na cadeira, nem pestaneja quando um amigo, ainda eufórico, tenta acordá-lo e devolvê-lo à festa. Em plena estrada, um pouco mais à frente, à porta de outro bar, um grupo de rapazes, de 20 anos no máximo, faz a coreografia do YMCA — pelo menos ali o chão não cola.

O amigo de William está por trás deles, a conversar com uma rapariga, em inglês. Os bombeiros tinham razão, revela, voltaram mesmo à Oura para buscar o amigo. “Caiu ali de umas escadas, abriu a cabeça. Não me deixaram ir na ambulância mas disse-lhes para o levarem para o hospital privado e pus 100 euros no bolso do Will. Ele está bem. Agora vai dormir um bocado e depois vai ficar bem.”
observador.pt

REUMÁTICO MENTAL


Os generais de banana do exército português, entre uma sesta e um lauto almoço em sala luxuosa, certamente embebido em líquidos desequilibrantes, vieram justificar (estas hilariantes criaturas galonadas), com a sua costumada ineficácia linguística, que o ROUBO ocorrido no coração da segurança nacional, são atoardas contra os moinhos de vento, explicados nos parangonais “procedimentos concursais”, nas “rondas móveis” e, ainda, no famigerado “perímetro de segurança”.
Uma linguagem obtusa, criptada e insossa.
O argumento usado a eito das “rondas móveis”, fazem-me perguntar, com alguma graciosidade, o que serão, então, as rondas fixas? Já não lhes basta um pano encharcado nas trombas douradas, pela sua incompetência tradicional, ainda urge modificar o estado de conflito impróprio com a língua nacional de tão destacadas personagens saídas do imaginário literário do grande Eça.

Quem são as vítimas da "ilha da morte"?




Elise Dallemange, a mais recente turista encontrada morta em Koh Tao

Vários turistas morreram numa ilha tailandesa nos últimos três anos. Todos em circunstâncias diferentes e algumas mal explicadas

A morte da belga Elise Dallemange na ilha Koh Tao, na Tailândia, reacendeu os medos sobre este local, que já foi apelidado de "ilha da morte". Nos últimos três anos, morreram nesta ilha seis turistas - sete com Elise -. Uma outra turista russa está desaparecida desde fevereiro. Em todos os casos a atuação das autoridades tem sido criticada e a versão oficial é questionada pelos familiares das vítimas.
Elise Dallemange, de 30 anos, foi encontrada na floresta enforcada e parcialmente comida por lagartos a 27 de abril. A mulher estava a viajar pela Ásia há quase dois anos e meio e vivia num retiro de yoga, que era por muitos considerado um culto. Dez dias antes de ser encontrada morta, Elise disse que iria voltar para a Bélgica, segundo o Telegraph.

A polícia afirma que a mulher cometeu suicídio, mas a família de Elise não acredita. "Receamos que alguém esteja envolvido. Não aceito que a minha filha se tenha suicidado", disse Michele van Egten, mãe de Elise. "Não acredito no que a polícia nos contou", continuou.
O caso de Elise junta-se a uma longa lista de mortes de turistas ocorridas em Koh Tao nos últimos três anos. A ilha paradisíaca que atrai visitantes de todo o mundo ganhou mesmo o nome de "ilha da morte".
As mortes que mais chamaram a atenção foram a dos jovens britânicos Hannah Witherige, de 23 anos, e David Miller, de 24 anos. Os dois foram agredidos quando voltavam para o hotel e encontrados mortos na praia, a 15 de setembro de 2014. A cena do crime foi descrita como chocante pelos media e exames comprovaram que Hannah tinha sido violada, segundo o Mirror.

No início de outubro de 2014, a polícia da Tailândia deteve três migrantes birmaneses suspeitos de terem assassinado os jovens turistas britânicos, dos quais dois admitiram o crime e foram condenados à morte. No entanto, os dois homens - Zaw Lin e Win Zaw - disseram depois que tinham sido torturados para confessar os crimes.

As circunstâncias das mortes dos outros turistas são diferentes. Algumas das mortes foram consideradas suicídios, outras não tinham evidências de crime. Em comum, estão sempre as críticas à polícia.
Segundo a polícia, o turista inglês Nick Pearson, de 25 anos, morreu afogado após ter caído de uma falésia de 15 metros na noite de passagem de ano, para 2014. Os pais de Nick, que também estavam em Koh Tao nesta altura, acreditam que o filho foi assassinado e acusam a polícia de encobrir este crime, segundo o Asian Correspondent.

A 1 de janeiro de 2015, um turista francês foi encontrado enforcado no bungalow onde estava hospedado, conta também o Asian Correspondent. A morte de Dimitri Povse, de 29 anos, foi declarada um suicídio pela polícia, mas o caso ganhou cobertura mediática quando surgiram na internet fotografias do francês com as mãos amarradas atrás das costas.

A britânica Christina Annesley também foi encontrada morta em janeiro de 2015. A versão divulgada é que a jovem de 23 anos morreu porque misturou antibióticos com álcool, mas os pais de Christina dizem que nunca foi feito nenhum exame toxicológico para determinar a causa da morte, segundo o Mirror.

Outra das vítimas britânicas da ilha foi Luke Miller, de 27 anos. A 8 de janeiro de 2016, o jovem foi encontrado morto na piscina do hotel onde estava hospedado e a polícia concluiu que Luke morreu afogado, segundo a BBC. Luke tinha ido para a Tailândia a 22 de dezembro e escrevia frequentemente nas redes sociais que estava a ter as férias da sua vida e a aproveitar ao máximo.

A polícia parou de investigar o caso pois não encontrou sinais de que se tratou de um crime, mas a família de Luke critica as autoridades por apresentar constantemente "versões diferentes" do que aconteceu.

No fim da lista das vítimas, aparece o nome da turista russa Valentina Novozhyonova. A jovem de 23 anos não foi dada como morta mas está desaparecida desde fevereiro. Segundo o The Sun, Valentina fez check-in no hotel a 11 de fevereiro e deveria ter abandonado a ilha no dia 16 do mesmo mês, mas desapareceu antes. Quando funcionários do hotel entraram no seu quarto encontraram o seu telemóvel, passaporte e máquina fotográfica. As buscas pararam após três semanas.

O jornal local Chiangrai Times afirma que a turista tinha problemas psicológicos, citando a polícia, e que as autoridades não conseguem confirmar se a jovem está viva ou morta.

Estas mortes podem não estar relacionadas, mas criam um clima de insegurança e desconfiança. Este mês, as autoridades tailandesas criticaram um relatório do Fórum Económico Mundial que assinalava este país como um dos mais perigosos para turistas. O ministro dos negócios estrangeiros Busadee Santipitaks disse que os dados do fórum estavam desatualizados e eram tendenciosos, logo não refletiam a verdadeira situação do país, segundo o Asian Correspondent.

Segundo o Telegraph, morrem cerca de 80 britânicos por ano na Tailândia, especialmente nas zonas turísticas.






www.dn.pt

O CHEIRA MOITINHAS

OS POLÍTICOS QUE ARRUINARAM O PAÍS SÃO OS TEUS AMIGOS
Ò CHEIRA MOITINHAS, VAI LAVAR OS DENTES !
QUE AUTORIDADE MORAL TENS TU PARA ANDAR A FAZER CONSIDERAÇÕES SOBRE TODOS OS POLÍTICOS SE MUITOS DOS TEUS AMIGOS TÊM PROCESSOS DE GATUNICE, DE CRIME 
ORGANIZADO ?
QUE RAIO DE LUPA USAS TU EX INSPECTOR ?
A MAMA TURVA-TE O RACIOCÍNIO.

MATUTANDO


HÁ GENTE, MUITA GENTE, QUE JULGA, QUE AGE, COMO SE A LIBERDADE DE EXPRESSÃO SEJA DE SUA EXCLUSIVA PROPRIEDADE.
COMO SE FOSSE O SEU PRÓPRIO ESTENDAL, O SEU PORTA-MOEDAS, O SEU CANICHE OU FELINO DE ESTIMAÇÃO.

SER LIVRE DE OPINAR, DE ANALISAR, OBEDECE A MUITAS RESPONSABILIDADES E A PRINCIPAL É A DE SER CONSTRUTIVO, HONESTO, ÍNTEGRO, MESMO QUE O QUE SE DIGA, SE ESCREVA, POSSA SER MOTIVO DE RECTIFICAÇÕES E AJUSTES PARA QUE A VERDADE SEJA SEMPRE A QUE VENCE.

OS QUE SE CONSIDERAM SUPERIORES MORALMENTE, OS QUE SÃO PREPOTENTES E SECTÁRIOS NÃO ESTÃO A COMBATER O FASCISMO MODERNO, O NEO LIBERALISMO, ANTES PELO CONTRÁRIO, ESTÃO A IMITÁ-LO E A AFASTAR OUTROS QUE QUEREM ENTENDER O QUE OS RODEIA.

CLARO QUE TODAS AS OPINIÕES SÃO VÁLIDAS SE HIGIÉNICAS POLITICAMENTE E NÃO ANDEM PERTO DO REACCIONARISMO E DO ÓDIO QUE INFELIZMENTE TURVA A INTELIGÊNCIA E A UNIDADE.

BOM FIM DE SEMANA PARA TODOS OS AMIGO(A)S E CAMARADAS.

António Garrochinho